domingo, março 16, 2014

Capítulo 18

— Heath, se concentre. — Eu canalizei o calor que estava passando pelo meu corpo em uma onda. — Os túneis. Você deveria estar me dizendo o que você lembra.
— Oh, yeah. — Ele riu com seu sorriso doce de bad-boy. — Eu não lembro de muita coisa, é por isso que estou te perguntando. Só de dentes e garras e olhos e tal, e de você. É como um pesadelo. Bem, a não ser pela parte com você. Essa parte é leal. Hey, Z, você me resgatou?
Eu virei meus olhos e comecei a andar de novo, arrastando ele comigo. — Sim eu te resgatei, nerd.
— Do que?
— Jeesh, você não lê os jornais? A história estava na página dois. — Tinha sido uma adorável, mas ficcional artigo, onde eles citaram o Detetive Marx e seu muito breve relatório.
— Yeah, mas não dizia muita coisa. Então o que aconteceu de verdade?
Eu mordi o lábio e minha mente voou. Ele não lembrava quase nada sobre Stevie Rae e seu bando de amigos mortos vivos. E, de repente, eu percebi, que precisava ficar desse jeito. O quanto menos Heath soubesse sobre o que tinha acontecido, menores as chances de Neferet pensar nele de novo o que resultaria numa terceira limpeza de mente, o que não seria uma boa coisa. Além do mais, o garoto precisava continuar sua vida. Sua vida humana. E parar de ficar obcecado comigo e coisas de vampiros.
— Não foi muito mais do que os papéis diziam. Eu não sei quem era o cara, só um louco da rua. O mesmo cara que matou Chris e Brad. Eu te encontrei e usei meu poder com os elementos para te soltar dele, mas você estava bem ruim. Ele, uh, te cortou e tal. É provavelmente por isso que você tem essa estranha memória, quando você lembra de qualquer coisa. — Era minha vez de dar nos ombros. — Eu não me preocuparia com isso, ou nem pensaria nisso se você. Não tem nada demais. — Ele começou a dizer outra coisa, mas chegamos à entrada do parque e eu apontei para um banco abaixo de um carvalho. — Que tal sentar ali?
— O que você disser, Zo. — Ele colocou os braços ao meu redor e andamos até o banco.
Quando sentamos eu consegui sair do braço dele e angular meu corpo em direção a ele para que meus joelhos fossem um tipo de barreira para ele não se aproximar de mim. Eu respirei fundo e me fiz encontrar os olhos de Heath. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso.
— Heath, você e eu não podemos mais nos ver.
A testa dele se enrugou. Ele parecia estar tentando descobrir a resposta de um complexo problema de matemática. — Porque você diria algo assim Zo? É claro que podemos nos ver de novo.
— Não. Não é bom para você. Temos que terminar. — Eu me apressei quando ele começou a protestar. — Eu sei que parece difícil não me ver, mas isso é porque tivemos um Imprint, Heath. Verdade. Eu estive pesquisando. Se não nos virmos mais nosso Imprint vai sumir. — Isso não era exatamente verdade. O texto só dizia que às vezes um Imprint iria diminuir devido a não exposição. Bem, eu estava contando com algo funcionar dessa vez. — Você vai ficar bem. Você vai esquecer de mim e voltar a ser normal.
Enquanto eu falava a expressão de Heath ficou cada vez mais séria e o corpo dele começou a ficar muito duro. Eu sabia porque podia sentir o coração batendo dele, e até isso tinha diminuído. Quando ele falou ele soava velho. Muito velho. Como se tivesse vivido mil anos e soubesse coisas que eu só podia adivinhar.
— Eu não vou esquecer de você. Nem se estiver morto. E isso é normal para mim. Amar você é o meu normal.
— Você não me ama. Você só teve um Imprint comigo — eu disse.
— Mentira! — ele gritou. — Não me diga que eu não te amo. Eu te amo desde que tinha 9 anos de idade. O Imprint é só outra parte do que tem acontecido entre nós desde que somos crianças.
— Esse negócio do Imprint tem que terminar — eu disse calmamente, encontrando o olhar dele.
— Porque? Eu te disse que é bom para mim. E você sabe que pertencemos juntos, Zo. Você tem que acreditar em mim.
Os olhos dele me imploraram e eu senti minhas entranhas se contorcerem. Ele estava certo sobre tanta coisa. Tem sido nós dois por tanto tempo – e se eu não tivesse sido Marcada, nós provavelmente teríamos ido para a faculdade juntos e nos casado depois da formatura. Teríamos filhos e vivido no subúrbio e comprado um cachorro. Iríamos brigar de vez em quando, na maior parte porque ele é tão obcecado por esportes, então faríamos as pazes e ele me traria flores e um ursinho de pelúcia, como temos feito desde que eramos adolescentes.
Mas eu fui Marcada e minha antiga vida morreu no dia que a nova Zoey nasceu. Quanto mais eu penso nisso, mais eu sei que terminar com Heath era a coisa certa a fazer. Comigo ele nunca seria mais do que meu energético, e o doce Heath, o amor da minha infância, merece mais que isso. Eu percebi o que eu tinha que fazer e como fazer.
— Heath, a verdade é que não é tão bom para mim quanto é para você. — Minha voz era fria e sem emoção. — Não é mais você e eu. Eu tenho namorado. Um namorado de verdade. Ele gosta de mim. Ele é como eu. Ele não é humano. É ele que eu quero agora. — Eu não tinha certeza se estava falando de Erik ou Loren, mas estava certa da dor que vi nos olhos de Heath.
— Se eu tiver que dividir você, eu vou. — A voz dele caiu para quase um suspiro, e ele olhou para longe de mim como se estivesse muito embaraçado para me olhar nos olhos. — Eu vou fazer o que for preciso para não perder você.
Isso fez algo dentro de mim se quebrar, mas eu ri de Heath. — Escute você! Você soa patético. Você sabe como são os homens vampiros?
— Não. — A voz dele ficou mais forte e ele encontrou meus olhos de novo. — Não, eu não sei como eles são. Eu tenho certeza que eles podem fazer todo tipo de coisa legal. Eles provavelmente são grandes e malvados e tudo isso. Mas eu sei de uma coisa que eles não podem fazer. Eles não podem fazer isso.
Em um movimento tão rápido que eu não entendi o que ele estava fazendo até ser tarde demais, Heath tirou uma navalha do bolso do jeans e cortou uma longa e profunda linha do lado do pescoço dele. Eu soube imediatamente que ele não tinha acertado uma artéria nem nada disso. O corte não o mataria, mas estava derramando sangue – quente, doce, e frescos pingos de sangue escorriam no pescoço dele até os ombros. E era o sangue de Heath! Um cheiro que que eu tive um Imprint para desejar acima dos outros. A doçura dele me cobriu, acariciando a minha pele com uma quente insistência.
Eu não podia me segurar. Eu me inclinei para frente. Heath colocou a cabeça de lado, esticando seu pescoço para que todo o lindo corte ficasse exposto.
— Faça a dor sumir, Zoey, para nós dois. Beba de mim e pare a queimação antes que eu não consiga mais suportar.
A dor dele. Eu estava causando dor a ele. Eu li sobre isso no livro avançado de sociologia. Avisava sobre o perigo do Imprint e como o laço de sangue pode ficar tão próximo que não beber do humano pode causar dor a ele.
Então eu ia beber dele... só mais uma vez... só para parar a dor...
Eu me inclinei mais para frente e pus minhas mãos nos ombros dele. Quando minha língua alcançou e lambeu a linha vermelha do pescoço dele, meu corpo tremia.
— Oh, Zoey,sim! — Heath gemeu. — Você está refrescando. Sim, chegue mais perto baby, Tome mais.
Ele passou sua mão no meu cabelo e pressionou minha boca contra seu pescoço e eu bebi dele. O sangue dele foi uma explosão. Não apenas na minha boca, mas pelo meu corpo. Eu li todo o porquê e como sobre a reação física que acontece entre um humano e um vampiro quando a ânsia por sangue os consume. Era simples. Algo que Nyx nos deu para que ambos pudessem sentir prazer em um ato que poderia, ao contrário, ser brutal e mortal. Mas meras palavras em um livro sem sentimentos nem começava a descrever o que estava acontecendo dentro de nossos corpos enquanto eu bebia do pescoço ensangüentado de Heath. Eu sentei de pernas abertas, pressionando a minha parte mais privada contra a dureza dele.
As mãos dele deixaram meu cabelo para segurar meus quadris e ele me esfregou contra ele com ritmo enquanto ele gemia e ofegava e sussurrava para eu não parar. E eu não queria parar. Eu não queria parar nunca. Meu corpo estava queimando, assim como o dele. Só que minha dor era doce, quente, deliciosa. Eu sabia que Heath estava certo. Erik era como eu e eu me importava com ele. Loren era um homem real e poderoso e incrivelmente misterioso. Mas nenhum deles podia fazer isso por mim. Nenhum deles me fazia sentir assim... querer desse jeito... desejo de pegar assim...
— Yeah, vadia! Cavalga nele! Faça ele se machucar tão booooommm!
— Esse pequeno garoto branco não tem nada para você. Vamos te dar algo que você vai sentir de verdade!
O aperto de Heath no meu quadril mudou e ele estava tentando afastar meu corpo das vozes para que ele pudesse me proteger, mas a raiva que surgiu em mim estava aumentando. Minha fúria era impossível de ignorar e minha resposta foi imediata. Eu levantei meu rosto do pescoço dele. Dois caras negros estavam a apenas alguns metros de distância e estavam se aproximando de nós. Eles estavam usando aquelas calças de cintura bem baixa ridículas, casacos enormes e quando eu cerrei os dentes para ele e assoviei, a expressão deles mudou de desdém para descrença.
— Se afastem de nós ou eu mato vocês. — Eu resmunguei para eles com uma voz tão poderosa que eu nem reconheci como minha.
— Ela é uma fudida de uma sugadora de sangue vadia! — O mais baixo dos dois falou.
O outro cara bufou. — Nah, a vaca não tem tatuagem. Mas se ela quer algo para sugar, eu vou dar a ela.
— Yeah, primeiro você e depois eu. O namoradinho dela pode assistir e ver como se faz. — Com uma risada maldosa, eles começaram a andar em direção a nós.
Ainda sentada de pernas abertas em cima de Heath, eu levantei meu braço por cima da minha cabeça. Com a outra eu esfreguei as costas da minha mão pela minha testa e pelo meu rosto, limpando a maquiagem que escondia minha identidade. Eles tropeçaram e pararam. E então ambos os meus braços estavam por cima da minha cabeça. Foi fácil me concentrar. Cheia com o sangue fresco de Heath, eu me senti poderosa e forte e muito, muito irritada.
— Vento, venha até mim — eu comandei. Meu cabelo começou a se erguer com a brisa que passava agitada ao meu redor. — Assopre esses diabos para fora daqui! — Eu atirei minhas mãos em direção aos dois homens, deixando minha raiva explodir com minhas palavras. O vento obedeceu instantaneamente, acertando eles com tanta força que eles foram varridos, gritando e xingando, e empurrados para longe de mim. Eu assisti com um tipo de fascinação deslocada enquanto o vento derrubou os dois homens no chão no meio da rua 27.
Eu nem recuei quando uma caminhonete atingiu eles.
— Zoey, o que você fez!
Eu olhei para Heath. O pescoço dele ainda estava sangrando e o rosto dele pálido, os olhos bem apertados em choque.
— Eles iam machucar você. — Agora que eu tirei a raiva de mim estava me sentindo estranha, meio atordoada e confusa.
— Você matou eles? — A voz dele soava toda errada, assustada e acusadora.
Eu franzi para ele. — Não. Tudo o que fiz foi mandar eles para longe de nós. A caminhonete fez o resto. E de qualquer forma, eles podem não estar mortos. — Eu olhei para a rua, a caminhonete parou de forma barulhenta. Outros carros também pararam, e eu podia ouvir pessoas gritando. — E o hospital Saint John é a menos de um quilometro daqui. — Sirenes começaram a tocar não muito longe. — Vê, a ambulância já está vindo. Eles provavelmente vão ficar bem.
Heath me tirou do colo dele e me afastou dele, pressionando a manga do suéter contra o corte do pescoço. — Você tem que ir embora. Vai haver policias aqui logo. Eles não podem te encontrar aqui.
— Heath? — Eu levei minha mão em direção a ele, mas a derrubei quando ele se esquivou de mim. O atordoamento estava sumindo e eu comecei a tremer. Meu Deus, o que eu tinha acabado de fazer? — Você está com medo de mim?
Devagar, ele se aproximou, pegando minha mão e me puxando para mais perto dele para poder me abraçar. — Eu não estou com medo de você. Estou com medo por você. Se as pessoas descobrirem as coisas que você pode fazer, eu – eu não sei o que pode acontecer. — Ele se afastou um pouco, sem tirar os braços do meu redor, mas me olhando nos olhos. — Você está mudando, Zoey. E eu não tenho certeza do que você está se tornando.
Meus olhos se encheram de lágrimas. — Estou me tornando uma vampira, Heath. É nisso que estou Mudando.
Ele tocou minha bochecha, e então usou seu polegar para limpar o resto da maquiagem para que minha Marca ficasse completamente visível. Heath se curvou para beijar a lua crescente no meio da minha testa. — Estou bem sobre você se tornar uma vampira, Zo. Mas eu quero que você lembre que ainda é a Zoey. Minha Zoey. E minha Zoey não é maldosa.
— Eu não podia deixar eles machucarem você — eu sussurrei, tremendo de verdade agora e percebendo o quão fria e horrível eu tinha acabado de ser. Eu posso ter acabado de causar a morte de dois homens.
— Hey, olhe para mim Zo. — Heath pôs seu queixo em minha mão e me forçou a olhar ele nos olhos. — Eu sou enorme. Um ótimo quarterback numa escola top. E estão me oferecendo uma bolsa para a faculdade. Você pode por favor lembrar que eu posso me cuidar? — Ele soltou meu queixo e tocou minha bochecha de novo. A voz dele era tão séria e adulta que ele de repente me lembrou estranhamente do pai dele. — Quando eu estava longe com meus pais, eu li um pouco sobre a deusa vampira Nyx. Zo, tem muitas coisas escritas sobre vampiros, mas não encontrei nada que dizia que sua deusa é maldosa. Eu acho que você deveria manter isso em mente. Nyx te deu vários poderes, e eu não acho que ela gostaria que você os usasse da forma errada. — Os olhos dele olharam por cima dos meus ombros para a distante rua e a horrivel cena que estava acontecendo ali. — Você não deve ser má, Zo. Não importa o que acontecer.
— Quando você cresceu tanto?
Ele sorriu. — Dois meses atrás. — Heath beijou meus lábios suavemente, e então levantou, me erguendo. — Você tem que sair daqui. Eu vou voltar por onde viemos. Você provavelmente deveria cortar caminho pelo jardim de rosas e voltar para a escola. Se aqueles caras não estão mortos eles vão falar, e isso não vai ser bom para a House of Night.
Eu acenei. — Ok, yeah. Eu vou voltar para a escola. — Então eu suspirei. — Eu deveria terminar com você.
O sorriso dele virou uma risada. — Não vai acontecer, Zo. É você e eu baby! — Ele me beijou bem e com força, e me deu um pequeno empurrão na direção do Jardim de Rosas de Tulsa, que fazia fronteira com o Parque Woodward. — Me liga e vamos nos encontrar semana que vem. Ok?
— Ok — eu murmurei.
Ele começou a voltar para poder me ver partir. Eu me virei e me dirigi ao jardim de rosas. Eu chamei a névoa e a noite, mágica e escuridão me cobriram.
— Wow! Legal, Zo! — Eu ouvi ele atrás de mim. — Eu te amo, baby!
— Eu também te amo, Heath. — Eu não virei, mas sussurrei para o vento e deixei ele carregar minha voz até ele.

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