terça-feira, março 18, 2014

Indecisas


Eu tateei meu caminho de volta até o buraco onde eu estivera presa.
Fazia semanas desde a última vez que eu estivera nesse corredor em particular, eu não havia estado aqui desde a manhã depois de Jared ter partido e Jeb ter me libertado. Parecia-me que enquanto eu vivesse e Jared estivesse nas cavernas, aqui era o meu lugar.
Não havia luzinha fraca para me receber. Eu tinha quase certeza de que estava na última parte – as curvas e voltas ainda eram vagamente familiares. Eu deixei minhas mãos descerem pelas paredes o mais baixo que eu alcançava, procurando a entrada da caverna. Eu não estava decidida a entrar dentro do buraco, mas pelo menos ele me daria um ponto de referência, permitindo-me saber que eu estava mesmo no lugar que deveria estar.
Mas acontece que eu não tinha a opção de entrar na minha cela.
No momento em que meus dedos sentiram a entrada rústica da caverna, meu pé acertou um obstáculo e eu tropecei, caindo de joelhos. Eu pus as mãos na frente para evitar a queda, e elas pousaram em algo com um barulho diferente, partindo algo que não era rocha e que não devia estar aqui.
O som me sobressaltou, o objeto inesperado me assustou. Talvez eu tenha feito uma curva errada e não estava nem perto do meu buraco. Talvez eu estivesse no quarto de alguém. Eu refiz meu caminho mentalmente, me perguntando como eu podia ter errado tão feio. Enquanto isso eu escutava com atenção, buscando por alguma reação à minha queda, ficando absolutamente parada na escuridão.
Não havia nada – nenhuma reação, nenhum som. Só havia escuridão e umidade, como sempre, e tão quieto que eu sabia que devia estar sozinha.
Cuidadosamente, tentando fazer o mínimo de barulho, eu comecei a apalpar a minha volta.
Minhas mãos estavam presas em alguma coisa. Eu as puxei, traçando o contorno do que parecia uma caixa de papelão – uma caixa com uma folha barulhenta de plástico por cima que as minhas mãos furaram. Eu senti o que havia dentro da caixa e havia mais plástico – retângulos pequenos que faziam muito barulho quando eu os peguei. Eu afastei a mão rapidamente, temendo chamar atenção.
Eu me lembrava de ter tido a impressão de que havia encontrado a entrada do buraco. Eu procurei à minha esquerda e encontrei mais pilhas de caixas de papelão naquele lado. Tentei encontrar o topo da pilha e tive que me erguer – era mais alta que minha cabeça. Procurei até achar a parede, e então o buraco, exatamente onde eu achava que estava. Eu tentei entrar nele para me certificar que era o mesmo local – um segundo naquele piso curvado e eu saberia com certeza – mas eu não pude passar pela entrada. Estava, também, lotado de caixas.
Eu explorei com as mãos, voltando pelo corredor. Descobri que podia ir ainda mais fundo na galeria, estava coberta com caixas misteriosas.
Enquanto eu explorava o piso, tentando entender, eu encontrei algo diferente das caixas de papelão. Era um tecido grosso, uma saca cheia de algo pesado que fazia um barulho bem distinto quando eu a cutuquei. Eu ergui a saca, o barulho não era alto, então não me alarmei, esse barulho não avisaria ninguém da minha presença.
De repente, tudo se esclareceu. Foi o cheiro que me fez entender. Enquanto eu brincava com o material arenoso, senti um cheio familiar. Me levou de volta à minha cozinha em San Diego, até o armário ao lado esquerdo da pia. Em minha cabeça eu podia ver claramente o saco de arroz cru, o copo plástico que eu usava para medição, a comida atrás dele...
Uma vez que percebi o que eu tinha nas mãos, tudo ficou claro. Euestava no lugar certo afinal. Jeb não havia dito que eles usavam aquele local como despensa? E Jared não havia acabado de retornar de uma longa incursão? Ora, tudo o que os incursionistas haviam roubado nas semanas em que estavam ausentes tinha sido descarregado aqui até serem utilizados.
Muitos pensamentos correram por minha cabeça ao mesmo tempo.
Primeiro, eu percebi que estava cercada de comida. Não o pão tosco e sopa rala de cebola, mas comida. Em algum lugar ali poderia haver manteiga de amendoim. Biscoitos com gotas de chocolate. Batatas fritas. Cheetos.
Assim que eu me imaginei encontrando essas coisas, as saboreando, ficando satisfeita pela primeira vez desde que deixei a civilização, eu me senti culpada. Jared não havia arriscado a vida e passado semanas se escondendo e roubando para me alimentar. Essa comida era para os outros.
E se essas caixas não fossem tudo? E se eles ainda fossem trazer mais? Seria Jared e Kyle quem as trariam? Eu não precisava de muita imaginação para visualizar a cena que se desenrolaria caso eles me encontrassem.
Mas não era por isso que eu estava aqui? Não era exatamente sobre isso que eu precisava pensar sozinha? Eu deslizei pela parede. A saca de arroz fazia um bom travesseiro. Eu fechei os olhos – algo desnecessário na escuridão total – e me ajeitei para uma consulta.
Certo, Mel. E agora?
Eu fiquei feliz de encontrá-la ainda acordada e alerta. Confrontos traziam a sua força. Só quando as coisas estavam indo bem é que ele se afastava.
Prioridades, ela decidiu. O que é mais importante para nós? Ficarmos vivas? Ou Jamie?
Ela sabia a resposta. Jamie, eu afirmei, suspirando alto. O som da minha respiração ecoou pelas paredes.
De acordo. Nós provavelmente duraríamos mais tempo se deixássemos Jeb e Ian nos proteger. Isso o ajudaria?
Talvez. Ele ficaria mais magoado se nós simplesmente desistíssemos? Ou se nós deixássemos essa situação se arrastar e vê-la acabar mal, o que me parece inevitável?
Ela não gostou disso. Eu podia senti-la dando voltas, buscando alternativas.
Tentar fugir?, eu sugeri.
Improvável, ela decidiu. Além disso, o que nós faríamos lá fora? O que diríamos a eles?
Nós imaginamos juntas – como eu explicaria meus meses de ausência? Eu poderia mentir, inventar uma história, ou dizer que não lembrava de nada. Eu imaginei a expressão cética da Buscadora. Seus olhos protuberantes cheios de suspeita, e sabia que minha tentativa de mentir e enganar falharia.
Eles pensariam que eu assumi o controle, Melanie concordou. Então eles tirariam você e colocariam ela.
Eu me mexi incomodada, como se mudar de posição fosse afastar a ideia. Então eu segui a linha de raciocínio dela. Ela contaria a eles sobre esse lugar e os Buscadores viriam.
O horror da ideia passou por nós duas.
Certo. Então fugir está fora de cogitação.
Certo, ela murmurou, as emoções tornando seus pensamentos instáveis.
Então a decisão é... rápido ou lento? O que o magoaria menos?
Pareceu que enquanto eu me focasse em ser prática, eu conseguiria manter o tom de negócios. Melanie tentou imitar meus esforços.
Não tenho certeza. Por um lado, logicamente, quanto mais tempo passarmos juntos, pior vai ser nossa... separação para ele. Só que, se nós não lutarmos e apenas desistirmos... ele não gostaria. Se sentiria traído.
Eu olhei para os dois lados que ela apresentou, tentando ser racional.
Então... rápido, mas temos que fazer o nosso melhor para não morrer?
É, cair lutando, afirmou ela inflexivelmente.
Lutando. Fabuloso. Eu tentei imaginar – responder à violência com violência. Erguer minha mão para atacar alguém. Eu fui até capaz de formar as palavras, mas ver a imagem mental era impossível.
Você consegue, ela me encorajou. Eu vou te ajudar.
Obrigada, mas não, obrigada. Tem que ter outra forma.
Eu não te entendo Peg. Você abriu mão de sua espécie completamente, está disposta a morrer pelo meu irmão, ama o homem que eu amo e que irá nos matar, e mesmo assim não deixa esses hábitos que não tem nada de prático aqui.
Eu sou quem sou, Mel. Eu não poso mudar isso, mesmo que tudo o mais mude. Você se manteve íntegra, deixe-me fazer o mesmo.
Mas se nós vamos...
Ela teria continuado a discutir, mas nós fomos interrompidas. O som de passos contra as rochas ecoaram de algum ponto no corredor.
Eu congelei – todas as funções corporais interrompidas, exceto o coração, e mesmo assim ele hesitou, entrecortado – e prestei atenção. As esperanças de que eu houvesse imaginado o som desapareceu rápido. Em segundos, eu pude ouvir mais passos silenciosos vindos do mesmo lugar.
Melanie manteve a calma, enquanto eu me perdi em pânico.
Levante, ela mandou.
Por quê?
Você não quer lutar, mas pode correr. Você tem que tentar alguma coisa – por Jamie.
Eu voltei a respirar, mantendo a respiração calma e superficial. Lentamente, virei-me até estar sobre meus calcanhares, pronta para me levantar e correr. Adrenalina correu pelos meus músculos, fazendo-os flexíveis, eu seria mais rápida que a maioria dos que tentassem me pegar, mas para onde eu correria?
— Peg? — alguém sussurrou baixinho. — Peg? Você está aqui? Sou eu.
— Jamie! — eu disse estridentemente — O que você está fazendo? Eu disse a você que precisava ficar sozinha.
O alivio era óbvio em sua voz quando ele falou, agora não mais sussurrando tão baixo.
— Todo mundo está procurando por você. Bem, você sabe, Trudy e Lily e Wes... sabe, esse todo mundo. Só que não podemos deixar ninguém perceber o que estamos fazendo. Ninguém pode nem imaginar que você estava sumida. Jeb está andando armado de novo. Ian está com Doc. Quando Doc estiver livre, ele vai falar com Jared e Kyle. Todo mundo escuta Doc. Então você não precisa se esconder. Todo mundo está ocupado, e você deve estar cansada...
Enquanto ele falava, continuou caminhando para mim até que seus dedos tocaram meu braço, e ele pegou a minha mão.
— Eu não estou me escondendo Jamie. Eu disse que precisava pensar.
— Você não podia pensar com Jeb por perto?
— Para onde você quer que eu vá? Para o quarto de Jared? É aqui que eu devo ficar.
— Não é mais. — A familiar teimosia estava voltando.
— Por que todo mundo está tão ocupado? — eu perguntei tentando distraí-lo. — O que Doc está fazendo?
Minha tentativa não deu certo; ele não respondeu. Após um minuto de silêncio, eu toquei sua bochecha.
— Olha, você devia estar com Jeb. Diga aos outros para pararem de me procurar. Eu vou ficar aqui por um tempo.
— Você não pode dormir aqui.
— Eu já dormi aqui antes.
Eu senti sua cabeça balançar em minhas mãos.
— Eu vou pegar colchonetes e travesseiros, pelo menos.
— Eu não preciso de mais de um.
— Eu não vou ficar com Jared enquanto ele estiver sendo tão idiota.
Eu gemi internamente.
— Então fique com Jeb e seus roncos. Você devia estar com eles, não comigo.
— Eu fico onde eu quiser.
A ameaça de Kyle me encontrando aqui pesava em minha mente. Mas argumentar com isso só faria Jamie ficar ainda mais firme no propósito de ficar e me proteger.
— Certo, mas você tem que pedir permissão para Jeb.
— Mais tarde. Eu não vou atrapalhar Jeb hoje.
— O que Jeb está fazendo?
Jamie não respondeu. Só agora é que eu percebi que ele deliberadamente não tinha respondido a minha primeira pergunta. Havia algo que ele não queria me contar. Talvez os outros estivessem ocupados tentando me encontrar também. Talvez a volta de Jared os tivesse feito voltar à sua opinião original sobre mim. Fora isso que parecera na cozinha quando eles me olharam cheios de culpa.
— O que está acontecendo Jamie? — eu pressionei.
— Eu não posso te contar — ele murmurou. — E não vou contar. — Seus braços me abraçaram pela cintura e sua cabeça deitou em meu ombro. — Tudo vai ficar bem — ele me prometeu, sua voz rouca.
Eu passei a mão por suas costas e acariciei seu cabelo.
— Ok — eu disse, aceitando o silêncio dele. Afinal de contas, eu tinha meus segredos não tinha? — Não fique chateado Jamie. Seja lá o que esteja acontecendo, tudo vai se resolver para o melhor. Você vai ficar bem. — Enquanto eu dizia as palavras eu desejava que fosse verdade.
— Eu não sei o que esperar. — Ele suspirou.
Enquanto eu encarava a escuridão, não vendo nada em particular, tentando entender o que ele não me dizia, uma luz fraca chamou minha atenção no final do corredor – fraca, mas bem real no fim do corredor.
— Shhh — eu sussurrei. — Alguém está vindo. Rápido, se esconda atrás das caixas.
A cabeça de Jamie se ergueu rapidamente, olhando para a luz que estava ficando mais forte a cada segundo. Prestei atenção aos passos que a acompanhavam, mas não ouvi nada.
— Eu não vou me esconder. — Ele disse. — Fique atrás de mim Peg.
— Não!
— Jamie! — Jared gritou. — Eu sei que você está aí atrás.
Minhas pernas amoleceram. Tinha que ser Jared? Teria sido tão mais fácil para Jamie se fosse Kyle que me matasse.
— Vai embora! — Jamie gritou em resposta.
A luz amarela se apressou e se tornou um círculo na parede oposta.
Jared virou a última curva, a lanterna em sua mão revistando o chão. Ele estava limpo, usando uma camiseta vermelha que eu reconhecia – estava pendurada no quarto onde eu vivi por semanas e era uma visão familiar. Seu rosto também era familiar – continha a mesma expressão desde que eu havia chegado aqui.
O feixe de luz acertou meu rosto e me cegou, eu percebi que a luz refletiu brilhantemente o prateado no fundo dos meus olhos, pois senti Jamie dar um pequeno pulo, mas então ele se posicionou mais firmemente do que antes.
— Afaste-se desse troço! — Jared rugiu.
— Cale a boca! — Jamie gritou de volta. — Você não a conhece! Deixe-a em paz!
Ele se agarrava em mim enquanto eu tentava afastar suas mãos. Jared avançou como um touro. Ele agarrou a parte de trás da camisa de Jamie e o afastou de mim. Ele o segurou pelo tecido, sacudindo-o enquanto gritava.
— Você está sendo um idiota! Não consegue ver como está sendo usado?
Instintivamente, eu me meti entre os dois. Como eu imaginei, meu avanço fez ele soltar Jamie. Eu não precisava e nem queria as outras coisas que aconteceram depois disso – a forma como o cheiro familiar dele assaltou os meus sentidos, a forma como senti o contorno do seu peito em minhas minhas mãos.
— Deixe Jamie em paz — eu disse, desejando ser mais como a Melanie queria que eu fosse – que minhas mãos fossem firmes, que minha voz soasse forte.
Ele agarrou meus pulsos com uma mão e me jogou contra a parede. O impacto me pegou de surpresa, tirou o meu ar. Ricocheteei da parede para o chão, aterrissando nas caixas, fazendo um tremendo barulho por causa dos plásticos.
A pulsação latejava alto em minha cabeça enquanto eu caia sem jeito sobre as caixas, e por um momento eu vi estranhas luzes passarem em frente aos meus olhos.
— Covarde! — Jamie gritou para Jared. — Ela não machucaria você para salvar a própria vida! Por que você não a deixa em paz?
Eu ouvi as caixas se moverem e senti as mãos de Jamie em mim.
— Peg? Você está bem Peg?
— Estou — eu consegui dizer, ignorando o latejar em minha cabeça. Eu podia ver seu rosto ansioso sobre mim levemente iluminado pela lanterna, que Jared devia ter derrubado. — Você tem que ir agora Jamie — eu sussurrei. — Corra.
Jamie sacudiu a cabeça firmemente.
— Fique longe disso! — Jared gritou e agarrou Jamie pelos ombros e o afastou novamente de mim. As caixas caíram em cima de mim como uma avalanche. Eu me virei de costas cobrindo a cabeça com os braços, mas uma mais pesada me pegou bem entre os ombros, e eu gritei de dor.
— Pare de machucá-la! — Jamie gritou.
Houve um barulho surdo e alguém gemeu de surpresa.
Eu lutei para me libertar das caixas pesadas, me erguendo apoiada nos cotovelos, atordoada.
Jared tinha uma mão no nariz, e algo escuro escorria pelos lábios. Seus olhos estavam arregalados de surpresa. Jamie estava à sua frente com ambas as mãos fechadas em punhos, uma expressão furiosa em seu rosto.
A expressão de Jamie mudava enquanto ele olhava para Jared em choque. Mágoa tomou o lugar da raiva – mágoa e uma traição tão forte que rivalizava com a expressão de Jared na cozinha.
— Você não é o homem que eu pensei que fosse — Jamie disse baixo. Ele olhou para Jared como se ele estivesse muito distante, como se houvesse uma parede entre eles, e Jamie estivesse isolado em seu lado.
Os olhos de Jamie se encheram de lágrimas e ele virou a cabeça para o lado, envergonhado de mostrar fraqueza em frente a Jared. Ele se afastou com movimentos rápidos e bruscos.
Nós tentamos, Melanie pensou tristemente. O coração dela doía pelo garoto, mesmo que ela quisesse que eu voltasse meus olhos para o homem. Eu dei a ela o que queria.
Jared não estava olhando para mim. Ele encarava a escuridão pela qual Jamie havia desaparecido, sua mão ainda cobrindo o nariz.
— Ah, maldição! — Ele gritou de repente. — Jamie! Volte aqui.
Não houve resposta. Jared lançou um rápido olhar em minha direção – eu me encolhi, apesar de sua fúria parecesse ter desvanecido – então pegou a lanterna e foi atrás de Jamie, chutando uma caixa que estava em seu caminho.
— Me desculpe, ok? Não chore garoto! — Ele gritava mais pedidos de desculpas enquanto fazia a curva e me deixava caída na escuridão.
Por um longo momento, tudo o que pude fazer foi respirar. Eu me concentrei no ar que entrava, e saía, e entrava. Depois de sentir que eu estava respirando de novo, eu tentei me levantar. Levou alguns minutos para lembrar de como mover as pernas, e mesmo quando eu lembrei, elas estavam trêmulas e ameaçavam me derrubar, então eu sentei contra a parede novamente, escorregando até encontrar o saco de arroz. Eu fiquei ali e avaliei minhas condições.
Nada estava quebrado – exceto talvez o nariz de Jared. Eu balancei a cabeça lentamente. Jamie e Jared não deviam estar brigando. Eu estava lhes causando tanta confusão e infelicidade. Eu suspirei e voltei à minha avaliação. Havia uma grande área dolorida nas minhas costas, e o lado do meu rosto parecia ralado e úmido onde tinha batido na parede. Doeu quando eu toquei e senti umidade morna em meus dedos, mas esse era o pior. Os outros ferimentos eram arranhões e machucados leves.
Ao compreender isso, fiquei inesperadamente aliviada.
Eu estava viva. Jared teve sua chance de me matar e não a usara, ao invés disso preferiu ir atrás de Jamie, para acertar as coisas. Então qualquer que fosse o dano que eu estivesse causando ao relacionamento deles, não era irreparável.
Tinha sido um dia longo – o dia já havia sido longo mesmo antes de Jared e os outros aparecerem, e isso parecia ter acontecido anos atrás. Eu fechei os olhos onde estava e dormi sobre o saco de arroz.

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