terça-feira, março 18, 2014

Confrontada


— Sim, Faces para o Sol? — eu perguntei, grata pela mão levantada ter interrompido meu discurso. Eu não me sentia confortável atrás do apoio de livro como eu usualmente ficava. Minha maior força, minha única e real credencial – já que minha hospedeira tivera pouco em matéria de educação formal, pois estava em fuga desde o começo da adolescência – era minha experiência pessoal que geralmente lecionava. Esta era a primeira história mundial que eu apresentava neste semestre sobre a qual eu não tinha memórias como referência. Eu estava certa de que meus alunos sentiam a diferença.
— Me desculpe por interromper, mas... — o homem de cabelo branco pausou, se esforçando para formular a sua pergunta. — Eu não tenho certeza se entendi .Os Provadores de Fogo realmente... ingerem a fumaça das Flores Andantes em chamas? Como comida?
Ele tentou reprimir o horror de sua voz. Não era atribuição de uma alma julgar outra. Mas, considerando a experiência dele no Planeta das Flores, não fiquei surpresa com sua reação forte em face do destino de uma forma de vida semelhante em outro mundo.
Era sempre uma surpresa para mim como algumas almas se consumiam nos assuntos do mundo que habitavam – fosse qual fosse – e simplesmente ignoravam o resto do universo. Mas, para ser justa, talvez Faces para o Sol estivesse em hibernação quando o Mundo do Fogo tornou-se famoso.
— Sim, eles recebem os nutrientes essenciais através da fumaça. E nisto encontra-se a fundamental controvérsia e o maior dilema do Mundo do Fogo... e a razão para que o planeta não esteja fechado, apesar de ter havido certamente tempo o bastante para o seu povoamento. Há também uma alta porcentagem de transferências.
“Quando o Mundo do Fogo foi descoberto, pensou-se inicialmente que a espécie dominante, os Provadores de Fogo, era a única forma de vida inteligente presente. Os Provadores de Fogo não consideravam as Flores Andantes como seus iguais – um preconceito cultural – então decorreu um tempo, mesmo depois da primeira onda de colonização, até as almas compreenderem que estavam matando criaturas inteligentes. Desde então, os cientistas do Mundo do Fogo tem se concentrado em encontrar um substituto para a dieta alimentar dos Provadores de Fogo. Aranhas estão sendo transportadas para lá para tentar ajudar, mas o planeta fica a centenas de anos-luz de distância. Quando este obstáculo for superado, e logo será, tenho certeza, há esperanças de que as Flores Andantes possam igualmente ser assimiladas. Nesse ínterim, muito da brutalidade foi removida desta equação. Isso, ah, de serem queimadas vivas, é claro, e outros aspectos também.
— Como eles podem... — a voz de Faces para o Sol morreu, ele foi incapaz de terminar.
Outra voz completou o pensamento de Faces para o Sol. — Parece um sistema ecológico muito cruel. Por que este planeta não foi abandonado?
— Isto foi debatido, naturalmente, Robert. Mas nós não abandonamos planetas levianamente. O Mundo do Fogo é lar de muitas almas. Elas não serão expulsas contra a sua vontade. — Eu olhei para as minhas notas, em uma tentativa de acabar com a discussão.
— Mas isto é uma barbaridade!
Robert era fisicamente mais jovem do que os outros estudantes – estava mais perto da minha idade que qualquer outro. E era verdadeiramente uma criança num sentido muito importante: a Terra era seu primeiro mundo – de fato, a Mãe havia sido uma habitante da Terra também, antes de se dividir – e ele não parecia ter tantas perspectivas quanto as almas mais velhas e mais viajadas. Imaginei como seria nascer no cerne das sensações e emoções esmagadoras destes hospedeiros sem ter uma experiência prévia como contrapeso. Seria difícil encontrar objetividade. Tentei manter isto em mente e ser especialmente paciente quando respondi a ele.
— Cada mundo é uma única experiência. A não ser quem já viveu naquele mundo é capaz de compreender...
— Mas você nunca viveu no Mundo do Fogo — ele me interrompeu. — Você deve se sentir do mesmo modo... A menos que você tenha tido alguma outra razão para saltar este planeta. Você foi quase em todos.
— Escolher o planeta é uma decisão privada e muito pessoal, Robert, como você experimentará algum dia. — Meu tom encerrava definitivamente o assunto.
Por que você não conta a eles? Você acha mesmo que é bárbaro – e cruel e errado. O que é bastante irônico, se quer saber a minha opinião – não que você já tenha desejado. Qual é o problema? Está envergonhada por concordar com Robert? Porque ele é mais humano que os outros?
Tendo encontrado sua voz, Melanie havia se tornando insuportável. Como eu poderia me concentrar no trabalho com as opiniões dela em minha cabeça o tempo todo?
Na cadeira atrás de Robert, uma sobra escura se moveu.
A Buscadora, vestida de preto como de costume, se inclinou para frente, atenta pela primeira vez ao tema da discussão.
Eu resisti ao impulso de olhar zangada para ela. Eu não queria que Robert, já parecia constrangido, pensasse que a minha expressão era para ele. Melanie resmungou. Ela bem que gostaria que eu não resistisse. Ter a Buscadora acompanhando cada passo nosso foi muito educativo para Melanie, ela costumava pensar que não seria capaz de odiar ninguém mais que a mim.
— Nosso tempo acabou — eu anunciei com alivio. — Tenho o prazer de informar a vocês que nós teremos um palestrante convidado na próxima terça-feira que será capaz de compensar a minha ignorância neste aspecto. Guardador das Chamas, uma recente adição ao nosso planeta, estará aqui para nos dar toda a sua opinião pessoal sobre o Mundo do Fogo. Eu sei que vocês lhe darão toda a atenção que vocês me dão, e serão respeitosos com a pouca idade de seu hospedeiro. Obrigada por seu tempo.
A classe esvaziou lentamente, muitos estudantes conversavam um com outro enquanto recolhiam seus materiais.O que Kathy tinha dito sobre amizade correu em minha cabeça, mas eu não senti desejo de me juntar a eles. Eles eram estranhos.
Era assim que eu me sentia? Ou era Melanie que se sentia assim? Difícil de dizer. Talvez eu fosse naturalmente antissocial. Minha historia sustentava essa teoria, eu supunha. Eu nunca formei um vínculo forte o bastante para me manter em um planeta por mais de uma vida.
Observei Robert e Faces para o Sol na porta da sala de aula, em uma discussão que parecia intensa. E eu podia adivinhar qual era o assunto.
— As historias sobre o Mundo do Fogo exaltam as pessoas.
Eu me assustei ligeiramente.
A Buscadora esta próxima ao meu cotovelo. A mulher que geralmente anunciava sua aproximação com som do seu salto alto. Eu olhei para baixo, e percebi que ela estava calçando tênis desta vez – pretos, é claro. Ela ficava ainda menor sem aqueles centímetros extras.
— Não é o meu assusto favorito — eu disse em uma voz branda. — Prefiro ter experiências em primeira mão para poder compartilhá-las.
— Fortes reações na classe.
— Sim.
Ela olhou para mim esperançosa, esperando algo mais. Eu reuni minhas notas e virei-me para guardá-las em minha bolsa.
— Você parece ter reagido muito bem.
Coloquei meus papeis cuidadosamente na bolsa, sem me virar.
— Fico imaginando por que não respondeu a pergunta.
Houve uma pausa enquanto ela esperava a minha resposta. Eu não respondi.
— Então... por que você não respondeu a pergunta?
Eu me virei, sem esconder a impaciência em meu rosto. — Porque não era pertinente a lição, porque Robert precisa aprender algumas maneiras, e porque isso não é da conta de ninguém.
Eu coloquei a minha bolsa sobre meu ombro e me dirigi à porta. Ela permaneceu ao meu lado, correndo para acompanhar as minhas longas pernas. Nós andamos pelo corredor em silêncio. Isto até que estivéssemos do lado de fora, onde o sol da tarde iluminava os montes de poeira no ar salgado, então ela falou novamente.
— Você acha que nunca irá fixar residência, Peregrina? Neste planeta, talvez? Você parece ter alguma afinidade com... os sentimentos deles.
Eu senti o insulto implícito em seu tom de voz. Eu não sabia como ela pretendia me insultar, mas estava claro que ela tinha feito. Melanie se agitou, ofendida.
— Eu não estou certa disso.
— Me diga algo, Peregrina. Você tem pena deles?
— De quem? — eu perguntei vagamente. — Das Flores Andantes?
— Não, dos humanos.
Eu parei de andar, e ela deu um escorregão para parar ao meu lado. Nós estávamos apenas a algumas quadras do meu apartamento, e eu me apressei com esperança de ficar o mais longe possível dela, embora provavelmente ela fosse se convidar para entrar. Mas sua pergunta me pegou desprevinida.
— Dos humanos?
— Sim. Você tem pena deles?
— Você não tem?
— Não. Eles eram uma raça completamente brutal. Tiveram sorte de sobreviver um ao outro por tanto tempo.
— Nem todos eram maus.
— Era uma predisposição de sua genética. Brutalidade era parte de sua espécie. Mas parece que você sente pena deles.
— É muito que perder, você não acha? — eu gesticulei em torno de nos. Nós estávamos em um pequeno parque entre dois dormitórios cobertos de hera. O verde profundo da hera era agradável aos olhos, especialmente no contraste com os velhos e desgastados tijolos vermelhos. O ar era dourado e macio, e o cheiro salgado do oceano se modificou para uma fragrância doce como o mel das flores nos arbustos. A brisa acariciava a pele nua do meu braço.
—Em suas outras vidas, você não pode ter sentido nada tão vívido. Você não teria pena de quem isso fosse tirado? — A expressão dela permaneceu rígida, impassível. Fiz uma tentativa de atraí-la, fazê-la considerar outro ponto de vista.— Em quais outros mundos você viveu?
Ela hesitou, e ajeitou os ombros.
— Nenhum. Eu só vivi na Terra.
Aquilo me surpreendeu. Ela era tão criança quanto Robert.
— Somente um planeta? E você escolheu ser uma Buscadora em sua primeira vida?
Ela concordou uma vez, com seu queixo rijo.
— Bem, bem, isso não me diz respeito. — Eu comecei a andar novamente. Talvez se eu respeitasse sua privacidade, ela me retornaria o favor.
— Eu falei com a sua Confortadora.
E talvez não, pensou Melanie amargamente.
— O quê? — eu ofeguei.
— Deduzi que você tem tido mais problemas que simplesmente acessar as informações que preciso. Você considerou a hipótese de tentar outro hospedeiro, alguém mais suscetível? Ela sugeriu isso, não foi?
— Kathy não lhe diria nada!
O rosto da Buscadora estava presunçoso.
— Ela não precisou responder. Eu sou muito boa em ler expressões faciais humanas. Posso dizer quando as minhas perguntas magoam.
— Como ousa? O relacionamento entre uma alma e sua Confortadora...
— É inviolável, sim, eu conheço a teoria. Mas os meios aceitáveis de investigação parecem não funcionar no seu caso. Eu precisei ser criativa.
— Você acha que eu estou escondendo alguma coisa de você? — eu perguntei, muito irritada para controlar a aversão de minha voz. — Você acha que o confidenciei a minha Confortadora?
Meu ódio não a perturbou. Possivelmente, dada a sua estranha personalidade, ela estivesse habituada a reações desse tipo.
— Não. Acho que você esta dizendo o que você sabe... Mas acho que você não está olhando tão profundamente quanto poderia. Eu já vi isto antes. Você está criando simpatia por sua hospedeira. Você está deixando as memórias inconscientes dela direcionar os seus próprios desejos. E provavelmente já é muito tarde para isto. Eu penso que você ficará muito mais confortável mudando-se e talvez outra pessoa tenha melhor sorte com ela.
— Há! — eu gritei. — Melanie as comeria vivas!
A expressão dela congelou.
Ela não fazia ideia, independentemente do que pensasse ter discernido de Kathy. Ela achava que a influência de Melanie era apenas de memórias, que era inconsciente.
— Acho muito interessante você não falar dela no passado.
Eu ignorei aquilo, tentando fingir que eu tinha me confundido.
— Se você pensa que outra pessoa teria mais sorte em desvendar os segredos dela, você está errada.
— Só há uma maneira de descobrir.
— Você tem alguém em mente? —perguntei, a voz gélida de aversão.
Ela abriu um sorriso.
— Eu tive permissão para tentar. Não levaria muito tempo. Eles vão guardar minha hospedeira para mim.
Precisei respirar fundo. Eu estava tremendo, e Melanie estava tão cheia de ódio que estava sem palavras. A ideia de ter a Buscadora dentro de mim, mesmo que eu não estivesse aqui, era tão repugnante que eu senti o retorno da náusea da semana passada.
— Então é muito ruim para sua investigação que eu não seja uma saltadora.
Os olhos da Buscadora se estreitaram.
— Bem, isso certamente vai fazer essa missão atrasar. História nunca foi muito interessante para mim, mas acho que estarei matriculada para o curso completo agora.
— Você disse que era provavelmente muito tarde para obter mais alguma memória dela. — lembrei-a, esforçando para deixar minha voz calma. — Porque você não volta para seja lá qual for seu lugar?
Ela desdenhou e sorriu forçado.
— Eu estou certa que é muito tarde... para uma informação voluntária. Mas se você não cooperar, ela ainda poderá me levar até eles.
— Levar você?
— Quando ela assume o controle... e você não é em nada melhor do que aquele fracote sem caráter outrora Canção Corredora, agora Kevin. Se lembra dele?Aquele que atacou o Curandeiro?
Eu olhei fixamente para ela, olhos esbugalhados, narinas infladas.
— Sim, é provavelmente apenas uma questão de tempo. Sua Confortadora não lhe disse sobre as estáticas, disse? Bem, mesmo que tenha dito, ela não poderia ter lhe dado as últimas informações a que nós temos acesso. A taxa de sucesso a longo prazo para situação como a sua... uma vez que o hospedeiro humano começa a resistir... é abaixo de vinte por cento. Você tinha alguma ideia de que a coisa fosse tão feia? Eles estão mudando as informações dadas aos colonizadores potencias. Não vão mais oferecer hospedeiros adultos. Os riscos são grandes demais. Nós estamos perdendo almas. Não irá demorar muito para ela falar com você, falar através de você, controlar suas decisões.
Eu não tinha movido uma polegada nem tinha relaxado nenhum músculo. A Buscadora se inclinou, esticando seus dedos dos pés para que pudesse colocar seu rosto perto do meu.
Sua voz tornou-se baixa e macia na tentativa de soar persuasiva.
— É isto que você quer, Peregrina? Perder? Desvanecer, ser apagada por outra consciência? Não ser melhor que um corpo de hospedeiro?
Eu não consegui respirar.
— Isto só vai piorar. Você não será mais você mesma. Ela vai derrotá-la e você desaparecerá. Talvez alguém intervenha... Talvez eles movam você assim como fizeram com Kevin. E você se tornará alguma criança chamada Melanie que gosta de consertar carros, em vez de compor músicas. Ou seja lá o que ela faz.
— A taxa de sucesso está abaixo de vinte por cento? — eu sussurrei.
Ela concordou, tentando reprimir um sorriso.
— Você está perdendo a si mesma, Peregrina. Todas as experiências que você teve, todas os mundos que conheceu... eles não serviram de nada. Eu vi na sua ficha que você tem potencial para Maternidade. Se você se propusesse a ser Mãe, pelo menos isso tudo não seria inteiramente perdido.Por que se jogar fora? Você já considerou a Maternidade?
Eu me afastei dela num tranco, minha face ruborizando.
— Desculpe-me — ela murmurou, sua face estava sombria. — Isso foi grosseiro. Esqueça o que eu disse.
— Estou indo para casa. Não me siga.
— Eu tenho que te seguir, Peregrina. É o meu trabalho.
— Por que você se importa tanto com os humanos restantes? Por quê? Como justifica o seu trabalho hoje em dia? Nós vencemos! É hora de você se juntar a sociedade e fazer algo produtivo!
Minhas perguntas, minhas implícitas acusações, não a perturbaram.
— Há morte onde quer que as franjas do mundo deles toquem o nosso — ela falou as palavras pacientemente, e por um momento vislumbrei uma pessoa diferente em seu rosto. Isto me surpreendeu e me fez imaginar que ela acreditava profundamente naquilo que ela dizia. Parte de mim supôs que ela só escolheu ser uma Buscadora porque ela ansiava ilicitamente por violência.
— Se uma alma for perdida para o seu Jared ou o seu Jamie, aquela será uma alma a mais. Até que haja paz total nesse planeta, meu trabalho estará justificado. Enquanto houver sobreviventes como Jared, eu preciso proteger a nossa espécie. Enquanto houver Melanies comandando almas embaixo do meu nariz...
Eu me virei dando as costas para ela e me dirigi ao meu apartamento, com passos largos que a forçariam a correr para me acompanhar.
— Não se perca, Peregrina! — ela gritou atrás de mim. — O tempo está correndo contra você! — ela pausou, então gritou mais alto. — Me informe quando eu devo começar a te chamar de Melanie!
Sua voz se perdeu enquanto a distância entre nós aumentou. Eu sabia que ela seguiria no seu próprio ritmo. Esta última e desconfortável semana – vendo seu rosto no fundo de cada sala de aula, ouvindo seus passos atrás de mim em cada passeio diário – não era nada comparado ao que estava por vir, ela ia fazer da minha vida um inferno.
Eu senti como se Melanie estivesse saltando violentamente contra as paredes internas de meu crânio.
Vamos acabar com ela. Dizer a seus superiores que ela fez algo inaceitável. Nos atacou. É a nossa palavra contra a dela...
Só no mundo humano, lembrei-a, quase triste por não ter acesso a este recurso. Não existem superiores, neste sentido. Todos trabalham juntos como iguais. Há a quem muitos prestem contas, a fim de manter a informação organizada, e conselhos que tomam decisões a respeito das informações, mas eles não vão retirá-la de uma posição que ela queira. Você entende, funciona como...
Quem se importa em como funciona se isso não nos ajuda? Já sei: vamos matá-la!
Uma imagem indesejada de minhas mãos apertando o pescoço da Buscadora preencheu minha mente.
É exatamente por esse tipo de coisa que é melhor a minha espécie estar encarregada deste lugar.
Desça de seu pedestal. Você apreciará tanto quanto eu. A imagem retornou, o rosto da Buscadora ficando azul em nossa imaginação, mas desta vez foi acompanhada de uma onda forte de prazer.
Esta é você, não eu. Minha afirmação era verdadeira, a imagem me deixou enjoada. Mas era igualmente arriscado ficar perto – e eu apreciaria muito nunca mais ter que ver a Buscadora novamente.
O que nós faremos agora? Eu não vou desistir. Você não vai desistir. E essa desprezível Buscadora não irá desistir!
Eu não respondi. Eu não tinha uma resposta pronta.
A minha cabeça estava quieta por um instante. Aquilo era muito bom. Eu desejei que o silêncio pudesse durar. Mas havia só um jeito de comprar a minha paz. Eu estava disposta a pagar o preço?Eu ainda tinha escolha?
Melanie se acalmou lentamente. Por um tempo eu estava de frente à porta, olhando para trás, examinando que eu nunca tinha voltado antes – artifícios humanos que não existiam em um mundo de paz – seu pensamento estava contemplativo.
Eu nunca tinha pensado sobre como vocês levavam adiante a sua espécie. Eu nunca pensei que era assim.
Nós levamos isto muito a sério, como você pode imaginar. Obrigada por seu interesse. Ela não estava incomodada pela ironia em meu pensamento.
Ela ainda estava meditando sobre esta descoberta enquanto eu liguei o computador e comecei a procurar por viagens. Isso foi um minuto antes de ela tomar consciência do que eu estava fazendo.
Aonde estamos indo? O pensamento trazia uma centelha de pânico. Eu senti sua consciência começar a vasculhar a minha cabeça, seu toque era como uma escova macia de penas, procurando por qualquer coisa que eu estivesse escondendo dela.
Eu decidi poupá-la de seu trabalho. Eu estou indo para Chicago.
O pânico era maior agora. Por quê?
Vou visitar o Curandeiro. Não confio nela. Eu quero falar com ele antes de tomar uma decisão.
Houve um breve silêncio antes de ela falar novamente.
A decisão seria me matar?
Sim, isso.

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