terça-feira, março 18, 2014

Seguida


A luz finalmente estava morrendo do lado de fora das janelas. O dia, quente para o mês de março, tinha se prolongado ininterruptamente, como se relutante em acabar e deixar-me livre.
Funguei e retorci o lenço em outro nó.
— Kathy, você deve ter outras obrigações. Curt estará se perguntando onde você está.
— Ele vai entender.
— Eu não posso ficar aqui para sempre. E nós não estamos mais perto de uma resposta do que antes.
— Consertos rápidos não são a minha especialidade. Você está decidida a não aceitar um novo hospedeiro...
— Sim.
— Então lidar com isto vai levar algum tempo.
Eu cerrei meus dentes em frustração.
— E será mais rápido e fácil se você tiver alguma ajuda.
— Eu vou me sentir melhor marcando meus próprios encontros, prometo.
— Não é exatamente isso que pretendo, embora eu espere que os marque.
— Você quer dizer ajuda... de outra pessoa? — Eu me encolhi à ideia de ter que aliviar o sofrimento com um estranho. — Eu tenho certeza de que você é tão qualificada quanto qualquer Confortador... mais ainda.
— Eu não quis dizer outro Confortador. — Ela deslocou o seu peso na poltrona e se espreguiçou. — Quantos amigos você tem, Peregrina?
— Você quer dizer as pessoas do trabalho? Eu vejo outros professores quase todos os dias. Há vários alunos com quem falo nos corredores…
— E fora da escola?
Eu a olhei com a expressão vazia.
— Hospedeiros humanos precisam de interação. Você não está acostumada à solidão, querida. Você compartilhava os pensamentos de todo um planeta.
— Nós não saíamos muito. — Minha tentativa de humor caiu no vazio.
Ela sorriu levemente e passou adiante.
— Você está lutando tanto com seu problema, que é tudo em que consegue se concentrar. Talvez a resposta seja não se concentrar tanto. Você disse que Melanie ficava entediada durante o seu horário de trabalho… que ela é mais inativa. Talvez se você desenvolvesse relacionamentos com seus colegas, eles poderiam aborrecê-la também.
Eu contraí meus lábios pensando. Melanie, desgastada pelo longo dia de tentativas de conforto, pareceu pouco entusiasmada com a ideia.
Kathy continuou.
— Envolva-se com a vida, e não com ela.
— Isso faz sentido.
— E depois existem os interesses físicos que estes corpos têm. Eu nunca vi ou ouvi falar de algo igual a eles. Uma das maiores dificuldades que nós da primeira onda tivemos de superar foi o instinto sexual. Acredite em mim, os humanos percebem quando você não transa. — Ela sorri e revira seus olhos com uma recordação qualquer. Quando eu não reagi como ela esperava, ela suspirou e cruzou seus braços impaciente.
— Oh, vamos lá, Peregrina! Você deve ter notado.
— Bem, é claro — resmunguei. Melanie agitou-se inquieta. — Obviamente. Eu contei-lhe sobre os sonhos…
— Não, eu não quis dizer apenas memórias. Você ainda não encontrou alguém que seu corpo tenha respondido no presente... num nível estritamente químico?
Pensei em sua pergunta cuidadosamente.
— Acho que não. Não que tenha notado.
— Confie em mim — disse Kathy secamente. — Você notaria. — Ela balançou a cabeça. — Talvez você devesse abrir os olhos e olhar em volta para isto especificamente. Poderia fazer-lhe muito bem.
Meu corpo recuou com o pensamento. Eu registrei a repugnância de Melanie, refletida em mim mesma.
Kathy leu a minha expressão.
— Não permita que ela controle a forma como você interage com os seus, Peregrina. Não deixe que ela controle você.
Minhas narinas inflaram. Esperei um momento para responder, controlando a raiva com a qual eu nunca me acostumara completamente.
— Ela não me controla.
Kathy levantou uma sobrancelha.
A raiva apertou minha garganta.
— Você não pareceu muito distante de seu parceiro atual. Esta escolha foi controlada?
Ela ignorou a minha raiva e considerou a questão cuidadosamente.
— Talvez — ela disse finalmente. — É difícil saber. Mas numa coisa você tem razão. — Ela retirou uma linha da bainha de sua camisa e, em seguida, como se percebendo que ela estava evitando o meu olhar, juntou as mãos resolutamente e alinhou os ombros. — Quem sabe o quanto vem de cada hospedeiro em particular em cada planeta específico? Como eu disse antes, penso que o tempo é provavelmente a sua resposta. Se ela for ficando gradualmente mais apática e silenciosa, isso permitirá que você faça outra escolha além deste Jared, ou… bem, os Buscadores são muito bons. Eles já estão procurando por ele, e talvez você lembre de algo que ajude.
Eu não me mexi enquanto o significado do que ela dissera entrava em minha mente. Ela não me pareceu perceber que eu estava paralisada.
— Talvez eles encontrem o amor de Melanie e, em seguida, vocês podem ficar juntos. Se os sentimentos dele forem tão ardentes como os dela, a nova alma sentirá a mesma coisa.
— Não! — Eu não estava certa de quem tinha gritado. Poderia ter sido eu. Eu estava cheia de horror também.
Eu me levantei, tremendo. As lágrimas que vinham tão facilmente, pela primeira vez não vieram, e minhas mãos tremeram nos punhos apertados.
— Peregrina?
Mas eu virei e corri para a porta, lutando contra as palavras que não podiam sair da minha boca. Palavras que não podiam ser minhas palavras. Palavras que não faziam sentido a menos que fossem dela, mas que eu sentia como minhas. Elas não podiam ser minhas. Elas não podiam ser ditas.
Isso é matá-lo! Isso é fazer com ele deixe de existir! Eu não quero outra pessoa. Eu quero Jared, e não um estranho em seu corpo! O corpo não significa nada sem ele.
Ouvi Kathy chamando meu nome atrás de mim enquanto eu corria para a rua.
Eu não vivia longe do escritório da Confortadora, mas a escuridão da rua me desorientou. Eu andei por dois quarteirões antes de perceber que estava andando na direção errada.
As pessoas estavam olhando para mim. Eu não estava vestida para fazer exercícios, e eu não estava fazendo jogging, eu estava fugindo. Mas ninguém ligava para mim, elas educadamente desviavam o olhar. Intuíam que eu era nova nessa hospedeira. Agindo como uma criança.
Diminuí a passada, virando para o norte para fazer a volta sem passar pelo consultório de Kathy novamente.
Minha caminhada era ligeiramente mais lenta que uma corrida. Escutei meus pés atingindo a calçada rápido demais, como se eles estivessem tentando acompanhar o ritmo de uma música dançante. Slap, slap, slap contra o concreto. Não, era como a batida de uma bateria: eu estava enraivecida. Como violência.Slap, slap, slap. Alguém batendo em outra pessoa. Estremeci, expulsando a horrível imagem.
Eu podia ver a lâmpada sobre a porta do meu apartamento. Não tinha levado muito tempo para percorrer a distância. Mas não atravessei rua.
Sentia-me enojada. Eu me lembrei de como era a sensação de vomitar, apesar de nunca ter vomitado. Uma umidade frio molhou a minha testa, um som oco ressoou nos meus ouvidos. Eu estava bastante certa de que eu mesma iria passar por aquela experiência.
Havia um espaço gramado ao lado da calçada. Ao redor de um poste de rua havia uma cerca viva bem aparada. Eu não tinha tempo para procurar por um lugar melhor. Tropecei até o poste de luz e me segurei para me manter de pé. A náusea estava me deixando tonta.
Sim, eu definitivamente iria passar pela experiência de vomitar.
— Peregrina, é você? Peregrina, você está doente?
Era impossível se concentrar na voz vagamente familiar. Mas aquilo piorava as coisas, saber que eu tinha uma plateia à medida que eu inclinava meu rosto para perto do arbusto e violentamente colocava para fora minha refeição mais recente.
— Quem é o seu Curandeiro aqui? — a voz perguntou. Soava distante através zunido nos meus ouvidos. Uma mão tocou as minhas costas arqueadas. — Você precisa de uma ambulância?
Eu tossi duas vezes e balancei minha cabeça. Eu tinha certeza de que tinha terminado, meu estômago estava vazio.
— Eu não estou doente — disse, enquanto me levantava usando o poste de luz como apoio. Eu olhei para ver quem estava observando meu momento de vexame.
A Buscadora de Chicago estava com seu celular na mão, tentando decidir para qual autoridade ligar. Eu dei uma boa olhada nela e me curvei novamente sobre o gramado. De estômago vazio ou não, ela era a última pessoa que eu precisava ver agora.
Mas, enquanto meu estômago oscilava em vão, eu percebi que havia uma razão para a presença dela.
Ah não! Ah, não não não não não não!
— Por quê? — eu disse ofegante, pânico e enjoo roubando a intensidade da minha voz. — Por que você está aqui? O que aconteceu?
As palavras muito inquietantes da Confortadora golpearam minha cabeça.
Eu encarei as mãos que agarravam o colarinho do conjunto preto da Buscadora por alguns segundos antes de perceber que elas eram as minhas.
— Pare! — ela disse, e havia ultraje em seu rosto. Sua voz se agitou.
Minhas mãos se abriram e pousaram contra o meu rosto.
— Me perdoe! — bufei. — Sinto muito. Eu não sei o que estava fazendo.
A Buscadora olhou de cara feia para mim e alisou a parte da frente de sua roupa.
— Você não está bem, e eu suponho que eu tenha te assustado.
— Eu não estava esperando ver você — sussurrei. — Por que você está aqui?
— Vamos a uma instalação de Cura antes de falarmos. Se você estiver com gripe, é melhor tratá-la. Não há razão para deixar que ela desgaste o seu corpo.
— Eu não estou com gripe. Eu não estou doente.
— Você comeu comida estragada? Você deve informar aonde a comprou.
A intromissão dela era muito irritante.
— Eu não comi comida estragada, também. Eu estou saudável.
— Por que você não faz um exame com um Curandeiro? Uma varredura rápida... você não deveria negligenciar a sua hospedeira. Isso é irresponsabilidade. Especialmente quando a assistência médica é tão acessível e eficiente.
Respirei fundo e resisti à vontade de chacoalhá-la novamente. Ela era uma cabeça menor do que eu. Era uma luta que eu ganharia.
Uma luta? Eu dei as costas para ela e andei rapidamente em direção à minha casa. Eu estava perigosamente emotiva. Eu precisava me acalmar antes que eu fizesse alguma coisa imperdoável.
— Peregrina? Espere! O Curandeiro...
— Eu não preciso de Curandeiro nenhum — eu disse sem me virar. — Isso foi apenas... um desequilíbrio emocional. Estou bem agora.
A Buscadora não respondeu. Eu me perguntei o que ela concluiu da minha resposta. Eu podia ouvir seus sapatos – saltos altos – batendo atrás de mim, então eu deixei a porta aberta, sabendo que ela iria me seguir. Fui até a pia e enchi um copo com água. Ela esperou pacientemente enquanto eu limpava minha boca e cuspia. Quando eu terminei, eu me inclinei contra a bancada, encarando a pia.
Ela logo ficou entediada.
— Então, Peregrina... bem, você ainda atende por esse nome? Eu não quero ser rude chamando-a assim.
Eu não olhei para ela.
— Eu ainda me chamo Peregrina.
— Interessante. Eu a tomava por alguém que escolheria o próprio nome.
— Eu escolhi. Escolhi Peregrina.
Há muito estava claro para mim que a moderada discussão que eu escutei no primeiro dia em que acordei na instalação do Curandeiro era culpa da Buscadora. Ela era a alma mais antagonista que eu encontrei em nove vidas. Meu primeiro Curandeiro, Fords Águas Profundas, era calmo, bondoso, e sábio, mesmo para os padrões de uma alma. Ainda assim ele não fora capaz de não reagir a ela. Isso fez eu me sentir melhor quanto à minha própria resposta.
Eu me virei para encará-la. Ela estava no meu sofá pequeno, aconchegada confortavelmente como se fosse ficar para uma longa visita. Sua expressão era de satisfação consigo mesma, os olhos salientes divertindo-se. Eu controlei o desejo de fazer uma carranca.
— Por que você está aqui? — eu perguntei novamente. Minha voz era monótona. Contida. Eu não iria perder o controle novamente na frente dessa mulher.
— Já faz um tempo desde que eu ouvi notícias suas, então eu pensei em checar pessoalmente. Nós ainda não fizemos progresso no seu caso.
Minhas mãos agarraram a margem da bancada atrás de mim, mas eu mantive o alívio selvagem longe da minha voz.
— Isso parece... zeloso demais. Além do mais, eu lhe mandei uma mensagem noite passada.
Suas sobrancelhas juntaram-se daquele jeito que ela tinha, um jeito que a fazia parecer furiosa e irritada ao mesmo tempo, como se você, não ela, fosse responsável pela fúria dela. Ela puxou seu computador de bolso e tocou a tela algumas vezes.
— Oh — disse, constrangida. — Eu não chequei meus e-mails hoje.
Ela ficou quieta enquanto lia o que eu havia escrito.
— Eu mandei isso de manhã bem cedo — eu disse. — Estava meio dormindo na hora. Não tenho certeza se o que escrevi é memória ou sonho... ou sonambulismo, talvez.
Eu acompanhei as palavras – as palavras de Melanie – a medida que elas escorriam facilmente da minha boca; até mesmo acrescentei minha própria risada despreocupada no final. Era desonesto da minha parte. Comportamento vergonhoso. Mas eu não iria deixar a Buscadora saber que eu era mais fraca que a minha hospedeira.
Dessa vez, Melanie não ficou presunçosa por ter me derrotado. Ela estava aliviada demais, agradecida demais por eu não ter, pelas minhas próprias razões insignificantes, entregado ela.
— Interessante — a Buscadora murmurou. — Mais um a solta. — Ela balançou sua cabeça. — A paz continua a nos iludir. — Ela não pareceu consternada pela ideia de uma paz frágil – de certa forma, isso pareceu agradá-la.
Eu mordi meu lábio com força. Melanie queria tanto fazer outra negação, alegar que o garoto era só parte de um sonho. Não seja estúpida, eu disse à ela. Seria óbvio demais. Dizia muito sobre a natureza repulsiva da Buscadora o fato de ela poder colocar eu e Melanie do mesmo lado de uma disputa.
Eu a odeio. O sussurro de Melanie foi penetrante, doloroso como um corte.
Eu sei, eu sei. Eu desejei poder negar que eu me sentia... de maneira semelhante.
Ódio era uma emoção imperdoável. Mas a Buscadora era... muito difícil de se gostar. Impossível.
A Buscadora interrompeu a minha conversa interna.
— Então, tirando a nova localização para examinar, você não pode me ajudar mais nos mapas rodoviários?
Eu senti meu corpo reagir à seu tom crítico.
— Eu nunca disse que eram linhas num mapa rodoviário. Isso é suposição sua. E não, eu não tenho mais nada.
Ela estalou rapidamente sua língua três vezes.
— Mas você disse que eram indicações.
— Isso é o que eu acho que são. Eu não estou mais conseguindo nada.
— Por que não? Você ainda não dominou a humana? — Ela riu alto. Riu de mim.
Dei-lhe as costas e concentrei em me acalmar. Tentei fingir que ela não estava lá. Que eu estava totalmente sozinha em minha austera cozinha, encarando pela janela o pedacinho de céu noturno, as três estrelas brilhantes que eu podia ver por ela.
Bem, tão sozinha quanto eu sempre estava.
Enquanto eu encarava os pequeninos pontos de luz na escuridão, as linhas que eu tinha visto repetidamente – nos meus sonhos e nas minhas memórias quebradas, surgindo em momentos estranhas e desvinculados – relampejarem na minha cabeça.
A primeira: uma curva lenta, difícil, depois uma virada fechada para o norte, outra curva fechada voltando na direção oposta, guinando de volta para o norte a uma distância maior, e então o declive abrupto para o sul, que se nivelava em outra curva aberta.
A segunda: um zigue-zague desigual, quatro zigue-zagues fechados e íngremes, o quinto ponto estranhamente brusco, como se estivesse quebrado...
A terceira: uma onda suave, interrompida por um pico repentino que apontava um fino e longo dedo para o norte e depois de volta.
Incompreensível, aparentemente sem sentido. Mas eu sabia que isso era importante para Melanie. Desde o começo eu sabia disso. Ela protegia esse segredo com mais força do que qualquer outro, quase quanto o garoto, seu irmão. Eu não tinha ideia de sua existência antes do sonho de ontem à noite. Eu me perguntei o que a teria subjugado. Talvez, conforme ela ganhava volume em minha cabeça, ela me revelasse mais segredos.
Talvez ela deixasse escapar, e eu veria o que essas linhas estranhas significavam. Eu sabia que elas significavam algo. Que elas levavam a algum lugar. E naquele momento, com o eco da risada da Buscadora ainda suspenso no ar, eu de repente percebi por que elas eram tão importantes.
Elas levavam de volta ao Jared, é claro. De volta a ambos, Jared e Jamie. Onde mais? Qual outra localização poderia possivelmente ter algum significado para ela? Somente agora eu via que não era de volta, porque nenhum deles jamais seguiu essas linhas antes. Linhas que tinham sido um mistério tanto para ela quanto para mim, até...
O paredão foi lento em me bloquear. Ela estava distraída, prestando mais atenção à Buscadora do que eu. Com um ruído atrás de mim, ela se agitou na minha mente, e assim eu percebi a aproximação da Buscadora.
A Buscadora suspirou.
— Eu esperava mais de você. Seu histórico parecia tão promissor.
— É uma pena que você mesma não estivesse livre para a tarefa. Estou certa de que se você tivesse que lidar com uma hospedeira resistente, teria sido brincadeira de criança. — Eu não me virei para falar com ela. Minha voz permaneceu equilibrada.
Ela fungou.
— As primeiras ondas eram desafiadoras o bastante, mesmo sem hospedeiros resistentes.
— Sim. Eu mesma já passei por algumas dificuldades.
A Buscadora bufou.
— As Algas Visionárias eram difíceis de domesticar? Elas fugiam?
Eu mantive minha voz calma.
— Nós não tivemos problema no Polo Sul. No Norte, é claro, foi outra coisa. Foi mal administrado. Nós perdemos uma floresta inteira. — A tristeza daquele tempo ecoou atrás das minhas palavras. Milhares de seres sensíveis fechando os olhos para sempre, em vez de nos aceitar. Eles enrolaram suas folhas para não expô-las aos sóis, e então morreram de fome.
Bom para eles, Melanie sussurrou. Nenhuma malignidade ligada ao pensamento, somente aprovação ao saudar a tragédia na minha memória.
Que enorme desperdício. Eu deixei a agonia do conhecimento, a sensação dos pensamentos morrendo que nos haviam torturado com a dor da nossa floresta irmã, levar minha cabeça.
Era morte de qualquer jeito.
A Buscadora falou, e eu tentei me concentrar em uma só conversa.
— Sim. — Sua voz estava desconfortável. — Foi mal executado.
— Na hora de delegar o poder, todo cuidado é pouco. Alguns não são tão cuidadosos quanto deveriam ser.
Ela não respondeu, e eu escutei ela recuar. Todos sabiam que o passo em falso por trás do suicídio em massa pertencia aos Buscadores, que, como as Algas Visionárias não podiam fugir, tinham subestimado a habilidade delas de escapar. Eles tinham prosseguido de forma imprudente, iniciando a primeira colonização antes que nós tivéssemos números adequados à disposição no local para uma assimilação em massa. Quando perceberam o que as Algas Visionárias eram capazes de fazer, o que elas estavam dispostas a fazer, era tarde demais. O desembarque seguinte de almas em hibernação estava longe demais, e antes que elas chegassem a floresta do norte foi perdida.
Eu encarei a Buscadora agora, curiosa para julgar o impacto das minhas palavras. Ela estava indiferente, encarando o nada branco da parede nua do outro lado da sala.
— Sinto muito não podê-la ajudar mais. — Eu disse as palavras firmemente, tentando deixar a despedida clara. Eu estava pronta para ter a minha casa para mim novamente. Para nós, corrigiu Melanie maliciosamente. Eu suspirei. Ela estava tão cheia de si mesma agora. — Você não deveria ter se incomodado de vir de tão longe.
— É o trabalho — a Buscadora disse, encolhendo os ombros. — Você é minha única missão. Até que eu ache o resto deles, eu posso muito bem grudar em você e esperar ter sorte.

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