terça-feira, março 18, 2014

Curada


— Peg...
— Nós não temos tempo. Eu faria eu mesma, mas eu não vou conseguir pegar o ângulo certo. Não tem outro jeito.
— Eu não sei se eu... consigo.
— Nem por Jamie? — Eu pressionei o bom lado do meu rosto o mais forte possível contra o apoio de cabeça do banco de passageiros e fechei meus olhos.
Jared segurava a pedra irregular de tamanho de um punho que eu havia achado. Ela já estava em suas mãos por cinco minutos.
— Você só tem que arrancar as primeiras camadas pele. Só esconder a cicatriz, só isso. Vamos Jared, nós temos que nos apressar. Jamie...
Fale para ele que estou dizendo para fazer agora. E fazer uma vez só, direito.
— Mel disse para você fazer. E ter certeza que vai fazer direito. Fazer o que é preciso da primeira vez.
Silêncio.
— Vai, Jared!
Ele respirou fundo, eu senti o ar se mover e apertei os olhos com mais força.
Houve uma chicotada e um baque – essas foras as primeiras coisas que percebi – e então o choque do golpe passou e eu senti.
— Aaaai — gemi. Eu não tive a intenção de fazer nenhum som. Eu sabia que isso pioraria as coisas para ele. Mas era involuntário com esse corpo. Lágrimas desceram pelos meus olhos e eu tossi para esconder um soluço. Minha cabeça ressoava, vibrava após o primeiro abalo.
— Peg? Mel? Desculpa!
Seus braços nos puxaram para seu peito.
— Tá tudo bem — choraminguei. — Nós estamos bem. Você pegou tudo?
Sua mão tocou o meu queixo, virando meu rosto.
— Ahh. — Ele gemeu. — Arranquei metade do seu rosto. Desculpe.
— Não, isso é bom. É bom. Vamos.
— Ok. — Sua voz ainda estava fraca, mas ele se inclinou de volta no banco dele, me acomodando com cuidado e então o carro tremeu sob nós.
Ar frio acertou o meu rosto, que parecia receber choques, minha bochecha crua pinicava. Eu havia esquecido como era sentir o ar condicionado.
Eu abri os olhos. Nós estávamos passando por um leito seco e liso – mais liso do que deveria ser, cuidadosamente alterado para ser assim. Ele serpenteava à nossa frente, enroscando-me no mato. Eu não pude ver muito longe.
Eu puxei quebra-sol e olhei no espelhinho. Sob a luz do luar, meu rosto estava branco e preto. Preto por todo o lado direito, escorrendo pela minha bochecha, pingando no pescoço, indo parar na gola da minha camiseta nova, limpinha.
Meu estômago se contorceu.
— Bom trabalho — murmurei.
— Dói muito?
— Não muito — menti. — Mas enfim, não vai durar muito. Estamos muito longe de Tucson?
Bem aí, nós alcançamos a pista. Engraçado como a visão do pavimento fez meu coração se acelerar em pânico.
Jared parou, mantendo o carro escondido nos arbustos. Ele desceu e removeu as correntes e trapos, os colocando no porta-malas. Ele voltou e foi em frente com o carro, checando cuidadosamente para garantir que a estrada estava vazia. Ele esticou a mão para acender os faróis.
— Espere — sussurrei. Eu não conseguia falar mais alto. Eu me sentia tão exposta aqui. — Me deixe dirigir.
Ele me olhou.
— Não vai dar para dizer que eu andei até o hospital. Muitas perguntas. Eu tenho que dirigir. Você se esconde no banco traseiro e me diga o caminho. Tem alguma coisa para você se esconder embaixo?
— Certo — ele disse lentamente. Ele deu ré no carro e o escondeu nos arbustos. — Okay. Mas se você nos levar a algum outro lugar eu...
Ah! Melanie estava impaciente com suas dúvidas, assim como eu.
Minha voz estava inexpressiva.
— Atire em mim.
Ele não respondeu. Saiu, deixando o carro ligado. Eu deslizei para o banco do motorista. Ouvi o porta-malas bater. Jared sentou no banco traseiro, um grosso cobertor xadrez nos braços.
— Vire à direita na estrada — disse ele.
O carro era automático, mas já havia tanto tempo que eu não dirigia, que eu estava insegura. Fui em frente com cuidado, satisfeita de ainda lembrar como dirigir. A estrada ainda estava vazia.
Eu virei a esquerda, meu coração reagindo ao espaço aberto novamente.
— Faróis — Jared disse. Sua voz veio de baixo.
Eu procurei até encontrar o botão. As luzes me pareceram terrivelmente brilhantes.
Nós não estávamos longe de Tucson – eu podia ver um brilho amarelado contra o céu. As luzes da cidade a frente.
— Você podia dirigir um pouco mais rápido.
— Estou bem no limite. — Eu protestei.
Ele pausou por um minuto.
— Almas não correm?
Eu ri. O som ligeiramente histérico.
— Nós obedecemos todas as leis, incluindo as de trânsito.
As luzes tornaram-se mais que um brilho – viraram pontos individuais de luz. Placas verdes informavam as opções de saída.
— Pegue a Ina Road.
Eu segui suas instruções. Ele manteve a voz baixa apesar de que, da forma que estávamos isolados, ambos podíamos estar gritando.
Era difícil estar na cidade desconhecida. Ver casas, apartamentos e lojas com placas acesas. Saber que eu estava cercada, em menor número. Imaginei como devia ser a sensação para Jared. Sua voz estava absolutamente calma. Mas ele havia feito isso antes, muitas vezes.
Outros carros estavam na pista agora. Quando seus faróis iluminaram o meu para-brisa, estremeci com terror.
Não entre em pânico Peg. Você tem que ser forte para Jamie. Isso não vai funcionar se você não conseguir se controlar.
Eu posso. Eu consigo.
Eu me concentrei em Jamie, e minhas mãos ficaram mais firmes no volante.
Jared me guiou pela cidade, quase toda adormecida. A instalação de Cura era bem pequena. Devia ter sido um centro médico – com consultórios, e não um hospital de verdade. As luzes estavam acesas na maioria das janelas da fachada de vidro. Eu podia ver uma mulher atrás de uma mesa de recepção. Ela não olhou para as luzes do meu carro.
Eu dirigi até o canto mais escuro do estacionamento. Deslizei os braços pelas alças da mochila. Não era nova, mas estava em bom estado. Perfeita. Só havia mais uma coisa a fazer.
— Rápido, me dá a faca.
— Peg... Eu sei que você realmente ama o Jamie, mas você não é uma lutadora.
— Não é para eles, Jared. Eu preciso de um ferimento.
Ele quase engasgou.
— Você tem um ferimento. É o suficiente.
— Eu preciso de um como o de Jamie. Não sei nada sobre Cura. Preciso ver exatamente o que eles irão fazer. Eu já teria feito um, mas não tinha certeza se conseguiria dirigir.
— Não. De novo não.
— Jared, me dê a faca de uma vez. Alguém vai notar se eu não entrar logo.
Jared pensou sobre isso rapidamente. Ele era o melhor, como Jeb havia dito, porque ele conseguia ver o que devia ser feito e fazia rápido. Eu ouvi o som da faca saindo da bainha.
— Seja cuidadosa. Não muito profundo.
— Você quer fazer?
Ele puxou o ar com força.
— Não.
— Okay.
Eu peguei a feia faca. O cabo era pesado e a ponta muito afiada, ligeiramente encurvada. Não me permiti pensar direito sobre aquilo. Não podia me dar a chance de ser covarde. O braço, não a perna. Foi tudo que parei para pensar. Meus joelhos tinham cicatrizes. Eu não queria ter que esconder isso também.
Ergui o braço direito, minha mão estava tremendo. Eu a apoiei na porta e virei o rosto para morder o encosto de cabeça. Segurei o punho da faca meio desajeitada, mas com firmeza. Pressionei a ponta contra a pele do antebraço para não perder o ponto. Então fechei os olhos.
Jared estava respirando com intensidade demais. Eu tinha que ser rápida, ou ele iria me impedir.
É só fingir que é uma pá furando a terra. Eu disse a mim mesma.
Eu enfiei a faca no meu braço.
O apoio abafou o grito, mas mesmo assim foi alto o bastante. A faca caiu da minha mão – escorregando doentiamente pelo músculo – e caiu no chão.
— Peg! — Jared rilhou.
Eu ainda não podia responder. Tentei engolir os outros gritos que eu sentia vindo. Estava certa ao pensar que eu não conseguiria dirigir depois disso.
— Deixa eu ver!
— Fique aqui — gemi. — Não se mova.
Eu ouvi o cobertor se mexer apesar do meu aviso. Eu ergui o braço esquerdo e abri a porta. A mão de Jared chegou a encostar nas minhas costas enquanto eu saía do carro. Não me segurando, mas confortando.
— Eu já volto — disse baixo e chutei a porta para fechar.
Fui tropeçando em meus próprios pés pelo estacionamento, lutando contra a náusea e o pânico. Eles pareciam se equilibrar – um impedindo o outro de tomar conta. A dor não era tão forte – ou talvez eu não a sentisse mais como antes. Estava entrando em choque. Muitos tipos diferentes de dor, muito próximas. Líquido quente escorria pelos meus dedos, pingando no chão. Eu me perguntava se seria capaz de mover aqueles dedos novamente. Estava com medo de tentar.
A mulher atrás da mesa da recepção – de meia-idade, pele cor de chocolate escuro e alguns fios brancos no cabelo negro – levantou-se num salto quando me viu passando pela porta automática.
— Oh, querida. Minha nossa! — Ela agarrou um microfone, e as próximas palavras dela ecoaram pelo teto. — Curadora Urdidora! Eu preciso de você na recepção! É uma emergência!
— Não! — tentei falar calmamente, mas hesitei. — Eu estou bem. Só um acidente.
Ela colocou o microfone na mesa e se apressou até onde eu estava me balançando. Seu braço foi para minha cintura.
— Querida, o que aconteceu com você?
— Tão descuidada — murmurei. — Eu estava andando... caí nas rochas com uma faca na mão. Eu estava... tirando a mesa do jantar... limpando, uma faca na mão...
Minha hesitação pareceu parte do choque para ela. Ele não me olhou com suspeita ou com humor, como Ian às vezes fazia quando eu mentia, só com preocupação.
— Pobrezinha! Qual o seu nome?
— Espirais de Vidro. — Eu disse, usando um nome genérico para alguém que viveu com os Ursos.
— Okay, Espirais de Vidro. A Curandeira já vem. Você ficará bem em um minuto.
Eu não me sentia mais em pânico. A mulher gentil acariciava minhas costas, me confortando. Tão gentil, tão cuidadosa. Ela nunca me machucaria.
A Curandeira era uma mulher jovem. Sua pele, cabelos e olhos eram todos de tons parecidos de castanho. Isso lhe dava uma aparência incomum – monocromática. Ela usava um uniforme marrom-claro, o que só aumentava essa impressão.
— Uau — ela disse. — Eu sou a Curadora Urdidora do Fogo. Vou restaurá-la imediatamente. O que aconteceu?
Eu contei minha história novamente enquanto as duas mulheres me guiavam pelo corredor e entraram logo na primeira porta. Elas me deitaram em uma cama com forro.
O quarto era familiar. Eu só havia estado uma vez em um lugar desses, mas a infância de Melanie era cheia de memórias assim. As paredes brancas, o armário, a pia onde a Curandeira lavava as mãos...
— Primeiro o que vem primeiro — Urdidora do Fogo disse animada. Ela abriu o armário. Eu tentei me focar, sabia que isso era importante. O armário estava cheio de fileiras e mais fileiras de cilindros brancos empilhados. Ela pegou um, alcançando-o sem ter que procurar. Ela sabia o que queria. O cilindro pequeno tinha um rótulo, mas eu não conseguia ler. — Um pouco de Corta Dor deve ajudar, não acha?
Eu vi o rótulo de novo quando ela abriu a tampa. Duas palavras curtas. Corta Dor? Era isso que estava escrito?
— Abra a boca, Espirais de Vidro.
Eu obedeci. Ela pegou um quadrado pequeno e fino – parecido com papel de seda – e pôs na minha boca. Se dissolveu imediatamente. Não tinha gosto algum. Eu engoli automaticamente.
— Melhor? — A Curandeira perguntou.
— Sim.
E estava. Já. Minha cabeça estava clara – eu conseguia me concentrar sem dificuldade. A dor havia sumido junto com o quadradinho. Desapareceu completamente.
Eu pisquei, chocada.
— Sim.
— Eu sei que você se sente ótima agora, mas, por favor, não se mova. Seus ferimentos não foram tratados ainda.
— Sem problemas.
— Cerúlea, você poderia nos arrumar um pouco de água? A boca dela parece estar seca.
— Agora mesmo, Curandeira Urdidora.
A mulher mais velha deixou o quarto.
A Curandeira virou de costas, se voltando para o armário, abrindo outra porta dessa vez, também cheia de cilindros brancos.
— Aqui. — Ela pegou um no topo de uma pilha, e outro do lado oposto.
Quase como se ela estivesse me ajudando a cumprir minha missão, ela dizia os nomes em voz alta conforme os pegava.
— Limpar, por dentro e por fora... Curar... Fechar... E onde está... ah, aqui, Suavizar. Não queremos uma cicatriz nesse belo rosto não é verdade?
— Hmm... Não.
— Não se preocupe. Você ficará perfeita novamente.
— Obrigada.
— O prazer é meu.
Ela se inclinou sobre mim com outro cilindro branco. A tampa abriu com um pop, e havia uma válvula aerossol por baixo. Ela aplicou o spray no meu antebraço primeiro, cobrindo o ferimento com uma névoa clara e inodora.
— Curar deve ser um Chamado muito satisfatório — minha voz soava perfeita. Interessada, mas não muito forçada. — Eu não estive em uma instalação de Cura desde a inserção. É muito interessante.
— Sim, eu gosto muito. — Ela começou a aplicar o spray no meu rosto.
— O que você está fazendo agora?
Ela sorriu. Imaginei que eu não era a primeira alma curiosa.
— Isso é o Limpar. Vai garantir que nada estranho fique no ferimento, mata qualquer tipo de micróbio que possa infectar o ferimento.
— Limpar — repeti para mim mesma.
— E o Limpar por Dentro, só para o caso de algo ter entrado no seu sistema. Inale isso, por favor.
Ela tinha outro cilindro na mão, uma garrafinha mais fina com uma bomba, em vez de aerossol. Ela apertou e uma nuvem de vapor apareceu em minha frente. Eu respirei fundo. A nuvem tinha gosto de hortelã.
— E esse é o Curar. — Ela continuou, abrindo a tampa de outro cilindro, revelando um pequeno bico. — Ele estimula os seus tecidos a se refazerem, a crescer da forma que deviam.
Ela pôs uma pequena gota do líquido claro no corte do meu braço, então empurrou as beiradas do meu ferimento, juntando-as. Eu podia sentir o toque dela, mas nenhuma dor.
— Vou fechar isso aqui antes de continuar. — Ela abriu outro frasco, este, um tubo dobrável, e espremeu uma linha de uma substância gelatinosa clara e espessa em seu dedo. — É como cola. — Ela me disse. — Segura tudo no lugar, e deixa o Curar fazer o seu trabalho. — Ela passou o gel no meu braço. — Okay, você pode mover o braço agora. Ele está bom.
Eu o levantei para ver. Uma linha tênue cor-de-rosa era visível por baixo do gel. O sangue ainda estava úmido no meu braço, mas não havia sangramento. Enquanto eu olhava, a Curandeira limpou minha pele com um pano umedecido.
— Vire seu rosto para esse lado, por favor. Hmmm, você deve ter caído de jeito sobre aquelas rochas. Que sujeira!
— É, foi uma queda feia.
— Bem, ainda bem que você foi capaz de dirigir até aqui.
Ela estava pingando Curar no meu rosto levemente, espalhando com as pontas dos dedos.
— Ah... adoro assistir ele funcionar. Já está muito melhor. Okay... em torno das bordas. — Ela sorriu para si mesma. — Talvez um pouco mais. Eu quero apagar isso aqui. — Ela trabalhou por mais um minuto. — Muito bom.
— Aqui, um pouco de água. — A mulher mais velha disse ao entrar.
— Obrigada.
— Me avise se precisar de mais alguma coisa. Eu estarei lá na frente.
— Obrigada.
Cerúlea partiu. Eu me perguntava se ela era do Planeta das Flores. Flores azuis eram raras – pode-se escolher um nome por causa disso.
— Você pode se sentar agora. Como se sente?
Eu me ergui.
— Perfeita.
E era verdade. Eu não me sentia tão saudável há muito tempo. A mudança brusca da dor para a tranquilidade fazia a sensação ainda mais poderosa.
— Exatamente como tinha que ficar. Certo, vamos passar um pouco de Suavizar.
Ela abriu o último cilindro e derramou um pouco de pó na mão. Ela passou na minha bochecha e então outro punhado no meu braço.
— Você vai ficar com uma pequena linha no seu braço para sempre. — Ela disse. — Como em seu pescoço. Um ferimento profundo... — Ela deu de ombros. Distraída, ela afastou o cabelo do meu pescoço e examinou a cicatriz. — Isso foi bem feito. Quem foi seu Curandeiro?
— Hum... Faces para o Sol — eu disse, usando o nome de um dos meus ex-alunos. — Eu estava em Eureka, Montana. Não gostei do frio. Mudei para o Sul.
Tantas mentiras. Senti um nó de ansiedade no estômago.
— Eu comecei no Maine. — Ela disse, não notando nada em minha voz. Enquanto ela falava, limpava o sangue do meu pescoço. — Era muito frio para mim também. Qual o seu Chamado?
— Hum... Eu sirvo comida. Em um restaurante mexicano em... Phoenix. Eu gosto de comida picante.
— Eu também. — Ela não me olhava estranho. Ela limpava minha bochecha agora. — Muito bom. Nada com o que se preocupar, Espirais de Vidro. Seu rosto está ótimo.
— Obrigada Curandeira.
— Não por isso. Você gostaria de um pouco mais de água?
— Sim, obrigada. — Eu tinha que me controlar. Não me ajudaria beber de um gole só, do jeito que eu queria. Eu não consegui, no entanto, evitar virar de uma vez. O gosto era tão bom.
— Quer mais?
— Eu... sim, seria bom. Obrigada.
— Já volto.
No segundo que ela partiu, eu saí do colchão. O papel fez barulho, mas ela não voltou. Eu só tinha alguns segundos. Cerúlea levou alguns minutos para pegar a água. Talvez a Curandeira levasse esse tempo também. Talvez.
Eu tirei a mochila do ombro e abri depressa os cordões. Comecei com a segunda porta. Havia uma coluna de Curar. Empurrei a coluna inteira para dentro da mochila.
O que eu diria se eles me pegassem? Que mentira eu poderia dizer?
Em seguida, peguei os dois tipos de Limpar na primeira porta. Havia uma segunda pilha atrás da que eu peguei, e eu peguei a metade dela também. Então o Corta Dor, as duas colunas desses. Eu estava prestes a pegar o Fechar, quando a etiqueta da pilha seguinte me chamou a atenção.
Refrescar. Para febre? Não havia instruções, só a etiqueta. Eu peguei a fileira. Nada aqui machucaria um humano, disso eu tinha certeza.
Eu peguei todo o Fechar, e duas latas de Suavizar. Eu não podia forçar mais a minha sorte. Fechei o armário e coloquei a mochila nas costas. Me apoiei no colchão, fazendo mais barulho. Tentei parecer relaxada.
Ela não voltou.
Olhei o relógio. Havia passado um minuto. A que distância estava a água?
Dois minutos.
Três minutos.
As minhas mentiras teriam sido tão óbvias para ela como foram para mim?
Suor começou a brotar na minha testa. Eu limpei rapidamente.
E se ela trouxesse de volta uma Buscadora?
Eu pensei na pequena pílula no meu bolso, e minhas mãos tremeram. Eu podia fazer, claro. Por Jamie.
Eu ouvi passos baixos, duas pessoas, vindo pelo corredor.

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