terça-feira, março 18, 2014
Emboscada
As cavernas estavam silenciosas, o sol ainda não havia nascido. Na grande praça, os espelhos refletiam um pálido cinza, o prenúncio do amanhecer. Minhas poucas roupas ainda estavam no quarto de Jared e Jamie. Eu entrei lá na ponta dos pés, feliz por saber onde Jared estava.
Jamie estava profundamente adormecido, curvado em posição fetal bem apertado. Ele normalmente não dormia tão compactadamente, mas ele tinha boas razões no momento. Ian estava esparramado pelo resto do espaço, seus pés e mãos sobrando para fora do colchão, um membro para cada ponta do colchão. Por alguma razão isso me pareceu hilário. Eu tive que colocar a mão na boca para segurar a gargalhada enquanto eu rapidamente pegava minha velha camiseta e bermuda. Eu me apressei pelo corredor, ainda sacudindo com as risadas.
Você está rindo de boba, de tanto apanhar, Melanie me disse. Precisa dormir um pouco.
Eu dormirei mais tarde. Quando... Eu não consegui completar o pensamento, que me deixou deprimida, e tudo ficou silencioso novamente.
Eu estava correndo enquanto seguia para a sala de banho. Eu confiava em Doc, mas... Talvez ele mudasse de ideia. Talvez Jared argumentasse contra o que eu queria.
Eu pensei ter ouvido algo atrás de mim quando alcancei o entroncamento em forma de polvo de vários corredores. Eu olhei para trás, mas não pude ver ninguém na caverna mal iluminada. As pessoas estavam começando a acordar. Logo seria hora do café da manhã e de outro dia de trabalho. Se eles já tiverem terminado com a limpeza no milharal, os campos do leste precisariam ser lavrados. Talvez eu tivesse tempo para ajudar... mais tarde...
Eu segui pelo caminho familiar até os rios subterrâneos, minha mente em milhares de outros lugares. Eu não conseguia me concentrar em nada em particular. Toda vez que tentava focalizar um assunto – Walter, Jared, café da manhã, trabalho, banho – algum outro pensamento se metia no meio imediatamente.
Melanie estava certa: eu precisava dormir. Ela estava tão grogue quanto eu. Seus pensamentos todos giravam em torno de Jared, mas nada de coerente também.
Eu estava acostumada com a sala de banho. A escuridão total não me incomodava mais. Tantos lugares eram negros por aqui. Metade do meu dia era vivido no escuro. E eu tinha estado aqui muitas vezes. Nunca houve nada me espreitando na escuridão ou na água, esperando para me puxar. Eu sabia que não teria tempo de curtir a banheira, os outros logo acordariam e muitos gostavam de começar o dia limpos.
Eu comecei me lavando primeiro, depois passei para as roupas. Eu esfreguei a camisa com força, desejando poder lavar as memórias das duas últimas noites. Minhas mãos estavam ardendo quando terminei, as lesões secas nas juntas dos dedos ardiam mais que tudo. Coloquei as mãos na água, mas não fez diferença. Suspirei e saí da água para me vestir.
Eu tinha deixado minhas roupas secas nas rochas soltas no canto do fundo. Chutei uma pedra acidentalmente, forte o suficiente para machucar os pés descalços. A pedra rolou e caiu na piscina fazendo um barulho alto no cômodo silencioso. O som me fez dar um pulo. Eu estava terminando de calçar os tênis quando o meu tempo acabou.
— Toc, toc, toc — uma voz familiar chamou da entrada escura.
— Bom dia Ian — eu respondi. — Eu já terminei. Você dormiu bem?
— Ian ainda está dormindo. — A voz de Ian respondeu. — Mas eu tenho certeza que não vai ser por muito tempo, então é melhor sermos rápidos.
Minhas juntas congelaram no lugar. Eu não conseguia me mover. Não conseguia respirar.
Eu tinha notado isso antes, porém com a longa ausência de Kyle, eu havia esquecido: não só Ian e seu irmão se pareciam muito, mas quando Kyle falava em um tom normal, o que raramente acontecia, eles também tinham exatamente a mesma voz.
Não havia ar. Eu estava presa nesse buraco negro com Kyle na porta. Não tinha como escapar.
Fique quieta!, Melanie disse em minha cabeça.
Eu podia fazer isso. Não havia ar para que eu pudesse gritar.
Ouça, preste atenção!
Eu fiz o que ela mandou, tentando me concentrar apesar do medo que trespassava minha cabeça como milhões de pedaços de gelo.
Eu não conseguia ouvir nada. Kyle estaria esperando por uma resposta? Estaria ele andando pelo cômodo em silêncio? Eu ouvi ainda mais intensamente, mas o ruído do rio cobria todos os sons.
Rápido, pegue uma pedra!, Melanie ordenou.
Para quê?
Eu me via acertando a cabeça de Kyle com uma pedra.
Eu não consigo fazer isso!
Então nós vamos morrer!, ela gritou. Eu posso fazer! Deixe-me fazer!
Tem que ter outra forma, eu gemi, mas forcei meus joelhos a se dobrarem. Minhas mãos procuraram na escuridão e acharam uma pedra grande e pontuda e um punhado de pedrinhas.
Fugir ou lutar.
Desesperada, eu tentei soltar Melanie, deixá-la assumir. Eu não conseguia – minhas mãos ainda eram minhas, apertando inutilmente os objetos que eu nunca usaria como armas.
Um barulho. Somente a alguns metros de distância. Um pequeno ‘splash’ de algo entrando no rio que dava para a latrina.
Peregrina, me dá as minhas mãos!
Eu não sei como! Pegue-as!
Eu comecei a engatinhar, perto da parede, indo para a saída. Melanie lutava para encontrar uma saída da minha mente, mas ela não conseguia pelo lado dela também.
Outro barulho. Não no córrego distante. Uma respiração, perto da saída. Eu congelei onde
estava.
Onde ele está?
Eu não sei!
Novamente eu não conseguia ouvir nada além do rio. Kyle estava sozinho? Tinha alguém na porta para me pegar quando ele me cercasse? O quão perto Kyle estava agora?
Senti os pelos dos meus braços e pernas arrepiarem. Havia algum tipo de movimento no ar, como se eu sentisse ele se movendo. A porta. Eu dei meia-volta, recuando devagar na direção de onde eu tinha vindo, me afastando da respiração que escutei.
Ele não esperaria para sempre. Pelo que disse, ele estava com pressa. Alguém poderia aparecer a qualquer momento. As chances, no entanto, estavam do lado dele. Haviam poucos inclinados a impedi-lo, e muitos que achariam que assim era melhor. E dentre aqueles inclinados a pará-lo, poucos teriam chance de conseguir. Só Jeb e seu rifle fariam diferença. Jared era forte como Kyle, mas Kyle estava mais motivado. Jared provavelmente não lutaria com ele agora.
Outro barulho. Era um passo na entrada? Ou minha imaginação? Por quanto tempo durou esse silencioso impasse? Eu não saberia dizer quantos segundos ou minutos haviam se passado.
Prepare-se. Melanie sabia que esse estágio já estava terminando. Ela queria que eu segurasse a pedra com mais firmeza.
Mas eu tentaria fugir antes. Eu não seria uma lutadora eficiente, mesmo que eu me obrigasse a tentar. Kyle era duas vezes o meu peso e tinha um alcance muito maior.
Eu ergui minha mão com as pedrinhas e mirei na passagem para a latrina. Talvez eu pudesse fazê-lo pensar que eu me esconderia e esperaria ajuda. Eu joguei o punhado de pedrinhas e me afastei do som quando elas bateram na parede.
A respiração na porta de novo, o som de uma leve passada no chão. Eu me movi pela parede o mais quieta que conseguia.
E se houverem dois?
Eu não sei.
Eu estava quase na saída. Se eu chegasse no túnel, eu poderia vencê-lo. Eu era mais leve, mais rápida.
Ouvi um passo, muito claramente dessa vez, pisar na água. Eu engatinhei mais rapidamente.
Eu ‘splash’ gigantesco quebrou a tensão. Água pingou na minha pele, a surpresa me fez suspirar. Respingou por toda a parede.
Ele está vindo pela piscina! Corra!
Eu hesitei só por um segundo. Grandes dedos agarraram meu tornozelo. Fiz força contra o puxão, me movendo para frente. Tropecei, e o impulso que me jogou para frente fez seus dedos escorregarem. Ele agarrou meu tênis. Eu o tirei com o outro pé, me livrando da mão.
Eu estava caída, mas ele estava caído também. Me deu tempo de engatinhar para frente, arranhando meu joelho no chão grosso de rocha.
Kyle grunhiu e sua mão alcançou meu calcanhar nu. Não havia nada para segurar, então sua mão escorregou. Eu continuei me arrastando para frente, conseguindo me erguer, mas mantendo a cabeça baixa. A qualquer minuto poderia cair de novo, eu me movia quase paralela ao chão. Eu mantive o equilíbrio por pura força de vontade.
Não havia mais ninguém. Ninguém para me pegar na saída para o outro cômodo. Eu corri, esperança e adrenalina correndo em minhas veias. Eu entrei na sala dos rios a toda a velocidade, meu único pensamento era alcançar o túnel. Eu podia ouvir a respiração pesada de Kyle atrás de mim, mas não perto o suficiente. A cada passo eu me afastava mais dele.
Uma dor passou pela minha perna, fazendo-a falhar.
Por cima do borbulhar do rio, ouvi o som de duas pedras caírem no chão e rolar – a que eu segurava e a que ele jogou para me acertar. Minha perna se torceu sob o meu peso, me lançando ao chão, e no mesmo segundo ele estava em cima de mim.
Seu peso fez minha cabeça bater na rocha com um som seco e me prendeu no chão. Nenhum ponto de apoio.
Grite!
O ar saiu de mim como um som de sirene que surpreendeu todos nós. Meu grito sem palavras foi mais do que eu esperava – certamente alguém ouviria. Por favor que seja Jeb. Por favor que ele esteja com a arma.
— Urgh! — Kyle protestou. Sua mão era grande o bastante para cobrir a maior parte do meu rosto. Sua palma esmagou minha boca, interrompendo meu grito.
Ele, então, rolou, e o movimento me pegou tão de surpresa que eu não tive tempo de achar alguma vantagem. Ele girava me levando com ele. Eu estava tonta e confusa, minha cabeça ainda rodando, mas eu entendi assim que meu rosto tocou a água.
Suas mãos se firmaram na minha nuca, forçando meu rosto no riacho raso de água mais fresca que ia dar na sala de banho. Era muito tarde para eu segurar o fôlego. Eu já havia inalado uma porção de água.
Meu corpo entrou em pânico quando a água chegou nos pulmões. O desespero do corpo era maior do que ele esperava. Meus membros se torciam e debatiam em todas as direções, e a mão no meu pescoço escorregou. Ele tentou segurar melhor e algum instinto me fez jogar o corpo contra o dele ao invés de para frente como ele esperava. Eu só me arrastei alguns centímetros, mas meu queixo e minha boca saíram do córrego tempo suficiente para eu cuspir um pouco da água e respirar.
Ele lutou para me empurrar de volta na corrente, mas eu me encolhi contra ele, de modo que seu próprio peso passou a trabalhar contra ele. Eu ainda estava reagindo à água nos meus pulmões, tossindo e cuspindo.
— Chega! — Kyle rugiu.
Ele se levantou e eu tentei me afastar.
— Ah, não, você não vai fugir! — ele disse, quase cuspindo as palavras.
Era o fim, e eu sabia.
Havia algo de errado com minha perna machucada. Estava dormente e eu não conseguia fazer com que ela me obedecesse. Eu só podia me arrastar pelo chão com meus braços e uma perna. Eu estava tossindo forte demais até para fazer isso direito. Forte demais para gritar de novo.
Kyle agarrou meu pulso e me ergueu do chão. O peso do meu corpo fez minha perna falhar, e eu caí em cima dele.
Ele pegou ambos os pulsos com uma mão e com o outro braço me segurou pela cintura. Ele me ergueu do chão, como um saco de farinha. Eu me contorcia, e minha perna boa chutava o ar.
— Vamos acabar com isso.
Ele pulou o riacho e me carregou para o buraco no chão mais próximo. O vapor de água quente banhou meu rosto.
Ele ia me jogar no buraco escuro e quente, e deixar a água fervente me arrastar enquanto me queimava.
— Não, não! — gritei, minha voz muito grossa e baixa para alguém ouvir.
Eu me contorci freneticamente. Meu joelho bateu em uma coluna de pedra e eu enganchei meu pé tentando me soltar dele. Ele deu um puxão e meu pé soltou. Pelo menos isso afrouxou sua mão o suficiente para eu conseguir fazer um movimento.
Funcionou antes, então tentei novamente. Ao invés de tentar me libertar, eu girei o corpo de frente para ele e passei as pernas na sua cintura, prendendo o tornozelo bom no ruim, tentando ignorar a dor para ficar bem firme.
— Me solta, sua... — Ele lutou para se soltar, e eu livrei um dos pulsos. Coloquei o braço em volta do seu pescoço e agarrei seu cabelo grosso. Se eu fosse parar no rio escuro e quente, ele também iria.
Kyle sibilou e parou de forçar minha perna tempo suficiente para dar um soco nas minhas costelas.
Eu fiquei sem ar, cheia de dor, mas consegui agarrar seu cabelo com a outra mão.
Ele pôs os dois braços em torno de mim, como se estivéssemos nos abraçando ao invés de agarrados em uma luta mortal. Então agarrou minha cintura pelos dois lados e empurrou com toda a sua força.
Seu cabelo começou a sair da minha mão, mas ele só grunhia e empurrava com mais força.
Eu podia ouvir o fluxo de água próximo, bem abaixo de mim. O rio borbulhou e uma nuvem densa se ergueu, e por um momento eu não pude ver nada além do rosto de Kyle contorcido de raiva e algo ainda mais bestial e impiedoso.
Eu senti minha perna ruim cedendo. Eu tentava me puxar para perto dele de novo, mas sua força bruta estava vencendo sobre o meu desespero. Ele me livraria em um minuto e eu cairia no rio e desapareceria.
Jared! Jamie! O pensamento, a agonia, pertenciam a mim e a Melanie. Eles nunca saberiam o que aconteceu. Ian, Jeb, Doc, Walter. Nenhuma despedida.
Kyle abruptamente pulou no ar e caiu no chão com um baque. O impacto de quando ele bateu no chão teve o efeito desejado: minha pernas se soltaram. Mas antes que ele pudesse tirar alguma vantagem, o pulo teve outro resultado.
O som de algo rachando foi ensurdecedor. Eu achei que toda a caverna estava caindo. O chão tremeu abaixo de nós.
Kyle se assustou e deu um pulo para trás, me levando com ele – minhas mãos ainda em seu cabelo. A rocha sobre seus pés começou a rachar, com mais crepitações e rangidos.
Nosso peso combinado quebrou o piso cheio de buracos. Conforme Kyle se afastava, as rachaduras o acompanhavam. Eram mais rápidas do que ele.
Um pedaço do chão desapareceu bem embaixo do seu calcanhar, e ele caiu com um som surdo. Meu peso o empurrou para trás com força, e sua cabeça bateu contra a coluna de pedra. Seus braços me soltaram, caindo flácidos para o lado.
Os estalos no chão transformaram-se num gemido constante. Eu podia sentir a vibração sob o corpo de Kyle. Eu estava em seu peito. Nossas pernas balançavam no espaço vazio, o vapor formando gotas em nossa pele.
— Kyle?
Não houve resposta.
Eu estava com medo de me mover.
Você tem que sair de cima dele. Vocês juntos são muito pesados. Cuidadosamente, use a pilastra. Se afaste do buraco.
Choramingando de medo, muito aterrorizada para pensar por mim mesma, eu fiz o que Melanie disse. Eu soltei os cabelos de Kyle e me arrastei sobre sua forma inconsciente, usando a pilastra como âncora me puxando para frente. Parecia que o piso estava estável agora, mas ele ainda gemia.
Eu passei da coluna e alcancei o chão depois dela. Esse chão parecia firme sob minhas mãos e joelhos, mas mesmo assim me afastei em direção ao túnel de saída.
Houve outro estalido e eu olhei para trás. Uma das pernas de Kyle caiu ainda mais quando a rocha embaixo dela caiu. Eu ouvi o splash dessa vez quando o pedaço de rocha acertou a água. O piso tremia sob o peso dele.
Ele vai cair, percebi.
Bom. Melanie grunhiu.
Mas...
Se ele cair, não poderá mais nos matar, Peg. Se ele não cair, ele vai.
Eu não posso simplesmente...
Pode sim. Vá embora. Você quer viver?
Eu queria. Eu queria viver.
Kyle podia desaparecer. E se ele desaparecesse, havia uma boa chance de que ninguém me machucaria novamente. Pelo menos não as pessoas daqui. Ainda havia a Buscadora, mas ela talvez desistisse algum dia e então eu poderia viver indefinidamente com os humanos que eu amava...
Minha pena latejava, a dor se sobressaindo. Algo morno pingou dos meus lábios e eu provei sem pensar, sentindo o gosto do meu sangue.
Vá Peregrina. Eu quero viver. Eu quero escolher, também.
Eu podia sentir os tremores de onde eu estava. Outro pedaço de rocha caiu no rio. O peso de Kyle se deslocou e ele escorregou alguns centímetros em direção ao buraco.
Deixe-o!
Melanie sabia mais do que eu sobre o que ela estava falando. Esse era o mundo dela. As regras dela. Eu encarei as feições do homem que estava prestes a morrer – o homem que me queria morta. Estando inconsciente, o rosto de Kyle não era mais o rosto de um animal feroz. Estava relaxado, quase pacifico.
A semelhança com seu irmão ainda mais aparente.
Não!, Melanie protestou.
Eu engatinhei de volta, lentamente, sentindo o chão com cuidado antes de me mover. Eu estava com muito medo de ir além da pilastra, então eu a envolvi com o meu pé bom, uma âncora de novo, e me inclinei para segurar os braços de Kyle.
Eu puxei com tanta força, que senti como se meus braços soltassem dos ombros, mas ele não se moveu. Eu ouvia um som como areia escorrendo numa ampulheta conforme o chão se dissolvia em pedacinhos.
Eu o puxei novamente, mas o único resultado foi que o som de areia escorrendo acelerou. Mexer o corpo dele estava quebrando o chão mais rápido.
Assim que eu pensei nisso, um pedaço grande de rocha caiu no rio e o precário equilíbrio de Kyle se perdeu. Ele começou a cair.
— Não! — gritei, a sirene saindo da minha garganta novamente. Eu apertei a perna em volta da coluna e consegui agarrá-lo, segurando-o pelo peito. Meus braços doíam.
— Socorro! — gritei. — Alguém! Ajuda!
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