terça-feira, março 18, 2014
Entediada
Eu passei todo o resto do dia, com uma breve exceção, em silêncio.
Essa exceção ocorreu quando Jeb trouxe comida para Jared e para mim várias horas depois. Quando ele pôs a bandeja na entrada da minha minúscula caverna, ele sorriu para mim como quem se desculpa.
— Obrigada — sussurrei.
— De nada. — Ele me disse.
Eu ouvi Jared resmungar, irritado pela nossa pequena troca de palavras.
Esse foi o único som que ele fez o dia inteiro. Eu tinha certeza de que ele estava lá fora, mas nem uma respiração audível vinha para confirmar essa convicção. Foi um dia muito longo – cheio de cãibras e muito chato. Eu tentei todas as posições imagináveis, mas não conseguia me esticar confortavelmente de forma nenhuma. A base da minha coluna começou a latejar constantemente.
Melanie e eu pensávamos muito em Jamie. Na maioria das vezes nos preocupávamos se havíamos o machucado vindo para cá. O que significava manter uma promessa comparado a isso?
O tempo perdeu o significado. Podia ser dia, podia ser noite – eu não tinha referências presa aqui embaixo da terra. Melanie e eu esgotamos os temas de conversa. Nós passávamos por nossas memórias apaticamente, como se estivéssemos mudando de canal sem parar para assistir nada em particular. Eu escorreguei uma vez, mas claro que não caí, a cela era desconfortável demais até para isso.
Quando Jeb finalmente voltou, eu podia tê-lo beijado. Ele se inclinou em minha cela com um sorriso de esticar a face.
— Hora de dar outra volta? — ele me perguntou.
Eu assenti com firmeza.
— Eu a levo. — Jared grunhiu. — Me dê a arma.
Eu hesitei, agachada na entrada da minha caverna, até que Jeb assentiu com a cabeça para mim.
— Vá em frente. — Ele me disse.
Eu saí, rija e sem equilíbrio, e peguei a mão que Jeb oferecia para me ajudar. Jared fez um som de repulsão e virou o rosto para o outro lado. Ele apertava a arma com força, suas juntas esbranquiçadas sobre o punho da arma. Eu não gostava de vê-la nas mãos dele. Incomodava mais do que ver nas mãos de Jeb.
Jared não foi condescendente comigo como Jeb havia sido. Ele saiu andando pelo túnel escuro sem esperar que eu o alcançasse. Era difícil – ele não fazia muito barulho e não me guiava, então tive que andar com uma mão esticada para frente e outra na parede, tentando não bater nas rochas. Eu caí duas vezes no chão irregular. Embora não tenha ajudado, ele esperou até ouvir que eu estava novamente de pé para continuar. Uma vez, andando rápido em uma parte reta do túnel, cheguei perto demais dele e minha mão estendida tocou nas costas dele, tateando a extensão de seus ombros antes de eu perceber que não havia tocado a parede. Ele deu um salto para frente, se afastando de meus dedos com um sibilo irritado.
— Desculpe-me — sussurrei, sentindo minhas faces esquentarem.
Ele não respondeu, mas acelerou o passo de tal modo que ficou ainda mais difícil seguir. Eu fiquei confusa quando, finalmente, alguma luz apareceu a minha frente. Nós pegamos um caminho diferente? Não era o brilho branco da caverna maior. Era menos intenso, pálido e prateado. Mas a fissura estreita parecia a mesma... Só quando entrei no espaço gigantesco e ecoante, é que eu vi o que causava a diferença.
Era noite. A luz que brilhava fracamente acima de nós imitava a luz da lua e não a do sol. Eu aproveitei a luz menos ofuscante para examinar o teto, tentando decifrar seu segredo. Alto, muito alto acima de mim, milhares de pequenas luas emitiam sua luz difusa até o chão distante. As luazinhas estava distribuídas sem um padrão, algumas mais distantes do que outras. Eu sacudi a cabeça. Mesmo olhando diretamente para a luz agora, eu ainda não conseguia entender.
— Vamos. — Jared ordenou irritado, vários passos distante de mim.
Hesitei e acelerei para acompanhá-lo. Lamentei ter deixado minha atenção vagar. Eu podia ver o quanto o irritava ter que falar comigo.
Eu não esperava a ajuda de uma lanterna quando nós chegamos no cômodo com os rios – e de fato não recebi. Lá também estava fracamente iluminado, como a câmara maior, mas só com umas vinte mini-luas. Jared contraiu a mandíbula e encarou o teto enquanto eu entrava hesitantemente no cômodo com a piscina escura. Imaginei que se eu tropeçasse e caísse na ameaçadora nascente ardente subterrânea e desaparecesse, Jared veria isso como uma gloriosa intervenção do destino.
Eu acho que ele ficaria triste, Melanie discordou, enquanto eu tentava achar meu caminho apalpando a parede. Se nós caíssemos.
Duvido. Ele pode se lembrar da dor de perder você pela primeira vez, mas ficaria feliz se eu desaparecesse.
Só porque ele não conhece você, sussurrou Melanie, e então desapareceu, como se de repente estivesse exausta.
Eu fiquei paralisada. Surpresa. Eu não tinha certeza, mas parecia que Melanie tinha acabado de me fazer um elogio.
— Anda logo — vociferou Jared do outro cômodo.
Eu fui o mais rápido que a escuridão e o meu medo permitiram.
Quando voltamos, Jeb estava esperando próximo a lâmpada azul, aos seus pés estavam dois cilindros empelotados e dois retângulos irregulares. Eu não os havia notado antes. Talvez ele os tivesse buscado enquanto estávamos fora.
— Você vai dormir aqui hoje ou vou eu? — Jeb perguntou a Jared em um tom casual.
— Eu vou — respondeu ele bruscamente. — E eu só preciso de um colchonete.
Jeb ergueu uma grossa sobrancelha.
— Ela não é uma de nós Jeb. Você me encarregou disso, então, não se meta.
— Ela também não é um animal, garoto. E você não trataria um cachorro assim.
Jared não respondeu. Seus dentes trincados.
— Eu nunca o tomei por um homem cruel — Jeb disse suavemente. Mas recolheu um dos cilindros, enfiou o braço na alça e jogou sobre o ombro; em seguida, pegou um dos retângulos... um travesseiro... e colocou debaixo do braço. — Desculpe querida. — Ele disse ao passar por mim, pondo a mão no meu ombro de modo confortador.
— Pare com isso! — Jared resmungou.
Jeb deu de ombros e foi-se. Antes que ele sumisse no corredor, eu me apressei em desaparecer dentro da minha cela, escondendo-me no canto mais escuro, encolhendo-me em uma bolinha apertada que esperei que fosse pequena demais para que ninguém visse.
Ao invés de se posicionar silenciosa e invisivelmente do lado de fora do túnel, Jared colocou o colchonete diretamente na frente da boca da minha cela. Ele apalpou o travesseiro algumas vezes, possivelmente tentando esfregar na minha cara que ele tinha um. Ele se deitou na esteira e cruzou os braços sobre o peito. Essa era a parte dele que eu podia ver pelo buraco – só os braços cruzados e metade da barriga.
Sua pele estava com o mesmo bronzeado dourado que povoava meus sonhos nos últimos seis meses. Era estranho ter essa parte do meu sonho materializada a menos de um metro e meio de mim. Surreal.
— Você não vai conseguir passar por mim furtivamente. — Ele avisou. Sua voz mais suave que antes – sonolenta. — Se você tentar — ele bocejou — eu mato você.
Eu não respondi, o aviso me atingiu como um insulto. Por que eu tentaria passar por ele? Para onde eu iria? Para as mãos dos bárbaros esperando por mim lá fora, todos esperando eu fazer algo idiota assim? Ou, se de algum modo euconseguisse passar por eles, voltaria para o deserto que quase me matou? Eu me perguntei o que ele achava que eu era capaz de fazer. Que plano ele achava que eu tinha para destruir seu mundo? Eu parecia assim tão poderosa? Não era óbvio o quão pateticamente indefesa eu era?
Eu podia dizer que ele estava dormindo porque ele começou a se mexer da forma que Melanie se lembrava de vê-lo. Ele só dormia assim agitado quando algo o estava incomodado. Eu observei seus dedos se apertarem e relaxarem, e me perguntava se ele estava sonhando que seus dedos estavam em volta do meu pescoço.
Os dias que se seguiram – talvez uma semana, era impossível ter certeza – foram muito quietos. Jared era como uma parece silenciosa entre mim e qualquer outra coisa do mundo, boa ou ruim.
Não havia som a não ser o da minha respiração e de meus próprios movimentos; não havia outra visão a não ser a caverna negra em volta de mim, o círculo de luz baça, a bandeja familiar com as mesmas rações, as breves e ocasionais visões de Jared; nenhum toque a não ser o das pedras na minha pele; nenhum sabor a não ser a amarga água, o duro pão, a sopa rala e a raiz amadeirada.
Era uma combinação estranha: terror constante, desconforto físico persistente e monotonia excruciante. Dos três, o tédio era o mais difícil de suportar. Minha prisão era uma câmara de privação sensorial.
Juntas, Melanie e eu nos preocupamos de estarmos ficando loucas.
Nós duas ouvimos vozes em nossas cabeças, ela apontou. Isso nunca é um bom sinal.
Nós vamos esquecer como falar, eu me preocupei. Quanto tempo faz desde que alguém falou conosco?
Quatro dias atrás você agradeceu Jeb pela comida, e ele disse de nada. Bem, eu acho que foram há quatro dias. Quatro longas dormidas atrás, pelo menos.Ela pareceu suspirar. Pare de roer unhas – eu levei anos para deixar esse hábito.
Mas as unhas compridas, que arranhavam, me incomodavam. Eu não acho que nós precisamos nos incomodar com os maus hábitos.
Jared não deixou mais Jeb trazer a comida, ao invés disso, alguém trazia a comida e a deixava no final do túnel, e Jared a pegava. Eu recebia a mesma comida – pão, sopa e vegetais – duas vezes ao dia. Às vezes havia coisas extras para Jared, comidas embaladas cujas marcas eu reconhecia – Red Vines, Snickers, Pop-Tarts. Tentei imaginar como os humanos conseguiam tais delicias.
Eu não esperava que ele fosse compartilhar, é claro. Mas me perguntava se ele não estaria esperando que eu achasse isso. Uma das minhas poucas diversões era ouvi-lo comer suas refeições, porque ele sempre o fazia com ostentação, talvez com alguma malícia, como ele fez com o travesseiro na primeira noite.
Uma vez, Jared lentamente abriu um pacote de Cheetos – exibido como sempre – e o cheiro forte do queijo artificial em pó se espalhou pela caverna... delicioso, irresistível. Ele comeu um lentamente, me deixando ouvir cada mordida crocante.
Meu estômago roncou alto, e eu ri para mim mesma. Eu não ria havia tanto tempo. Tentei me lembrar de quando havia sido a última vez e não consegui – só daquela estranha crise de histeria no deserto, e isso não contava como risada. Mesmo antes de eu vir aqui, não havia muita coisa que eu achasse engraçado. Mas aquilo me pareceu hilário por alguma razão – meus estômago roncando por um pequeno Cheeto – e eu ri novamente. Um sinal de loucura, com certeza.
Eu não sei como minha reação o ofendeu, mas ele se levantou e desapareceu. Após um longo tempo eu o ouvi comendo Cheetos outra vez, mas à distância. Eu espiei pelo buraco e o vi nas sombras no final do corredor, de costas para mim. Enfiei a cabeça rapidamente para dentro com medo que ele virasse e me visse.
Dessa ocasião em diante ele passou a ficar no final do corredor a maior parte do tempo. Só a noite que ele vinha se deitar na frente da minha prisão.
Duas vezes ao dia – ou melhor, duas vezes por noite, pois ele nunca me pegava quando os outros estavam por perto – eu ia até o cômodo com os rios; era o ponto alto do dia, já que era a única hora em que eu podia me esticar e sair da incômoda posição que a minha pequena caverna me impunha. Cada vez que eu tinha que voltar para dentro era mais difícil do que da última.
Três vezes naquela semana, sempre nas horas de sono, alguém veio nos checar.
Da primeira vez foi Kyle.
O pulo repentino de Jared levantando-se me acordou.
— Saia daqui — avisou ele, segurando a arma firme.
— Só conferindo — Kyle disse. Sua voz estava longe, mas alta e grossa o suficiente para eu saber que não era o irmão. — Algum dia desses você pode não estar aqui. Algum dia você pode estar dormindo muito profundamente.
A única resposta de Jared foi carregar a espingarda.
Eu ouvi a risada de Kyle diminuir pouco a pouco enquanto ele ia embora.
As outras duas vezes eu não soube quem era. Kyle novamente, ou talvez Ian, ou alguém cujo nome eu não sabia. Tudo o que eu sabia é que duas outras vezes fui acordada com Jared se erguendo com a arma apontada na direção ao invasor. Palavras não foram mais trocadas. Seja quem for, só estava conferindo. Quando eles iam, Jared rapidamente voltava a dormir. Eu levava mais tempo para acalmar meu coração.
Na quarta vez aconteceu algo diferente.
Eu não estava completamente adormecida quando Jared acordou, rolou e ficou de joelhos em um movimento rápido. Ele se levantou com a arma nas mãos e um xingamento nos lábios.
— Calma — uma voz murmurou distante. — Eu vim em paz.
— O que quer que você esteja vendendo, eu não estou interessado — Jared grunhiu.
— Eu só quero conversar. — A voz chegou mais perto. — Você tá enterrado aqui, perdendo todas as discussões importantes... Nós sentimos falta das suas opiniões.
— Com certeza — Jared disse sarcasticamente.
— Oh, abaixe essa arma. Se eu estivesse planejando te atacar, eu teria trazido quatro caras a mais comigo.
Houve um curto silêncio, e quando Jared falou novamente havia uma ponta de humor negro em sua voz.
— Como vai o seu irmão ultimamente? — ele perguntou. Jared pareceu se divertir com a pergunta, provocar o visitante o relaxou. Ele sentou e se apoiou na parede que defrontava parcialmente minha prisão, à vontade, mas com a arma ainda pronta.
Meu pescoço doeu, parecendo compreender que as mãos que o haviam apertado e machucado estavam muito próximas.
— Ele ainda está irritado por causa do nariz — Ian disse. — Ah, bem, não é a primeira vez que é quebrado, eu o direi que você lamenta.
— Eu não lamento.
— Eu sei, ninguém nunca lamenta bater em Kyle.
Eles riram juntos, havia uma atmosfera de camaradagem que parecia incrivelmente deslocada com a arma apontada por Jared. Contudo, laços formados naquele lugar desesperado eram muito fortes. Mais fortes que sangue.
Ian sentou-se no colchonete, próximo a Jared. Eu podia ver seu perfil, uma sombra negra contra a luz azul. Eu notei que seu nariz era perfeito – reto, aquilino, o tipo de nariz que eu tinha visto em fotos de esculturas famosas. Isso significava que os outros o achavam mais suportável que seu irmão que tinha o nariz freqüentemente quebrado? Ou que ele se esquivava melhor?
— Então, Ian, o que você quer? Não só um pedido de desculpas para Kyle, imagino.
— O Jeb lhe contou?
— Eu não sei sobre o que você está falando.
— Eles desistiram das buscas. Até mesmo os Buscadores.
Jared não comentou, mas eu consegui sentir a aura de tensão ao seu redor.
— Nós mantivemos a vigilância próxima, mas eles nunca pareceram muito ansiosos. As buscas nunca se afastaram muito de onde nós abandonamos o carro, e nos últimos dias eles estavam claramente procurando por um corpo e não uma sobrevivente. Então, duas noites atrás nós tivemos sorte – a equipe de busca deixou lixo ao ar livre, e um bando de coiotes atacou seu acampamento-base. Um deles estava chegando atrasado e surpreendeu os animais. Os coiotes atacaram e arrastaram o Buscador por centenas de metros antes de os outros ouvirem os gritos e chegarem para o resgatar. Os outros Buscadores estavam armados, é claro. Eles assustaram os coiotes facilmente, e a vítima não estava seriamente machucada, mas o incidente parece ter respondido a todas as perguntas sobre o que pode ter acontecido com a nossa hóspede aqui.
Eu me perguntei como eles foram capazes de espiar os Buscadores – de ver tanto. Eu me senti estranhamente exposta a essa ideia. Eu não gostei da imagem em minha mente: humanos invisíveis, observando as almas que eles odiavam. A ideia fez os pelos na minha nuca se arrepiarem.
— Então eles fizeram as malas e se foram. Os Buscadores desistiram de procurar. Todos os voluntários foram para casa. Ninguém mais está procurando por ela. — Seu perfil se virou para mim, e eu me espremi contra a parede, esperando que estivesse escuro demais para me verem aqui dentro, que, assim como o rosto dele, eu fosse somente uma sombra escura. — Eu acho que ela deve ter sido oficialmente declarada como morta, se é que eles registram as coisas como nós fazemos. Jeb está dizendo “eu não falei” para todo qualquer um que fique perto dele o suficiente para ouvir.
Jared resmungou algo incoerente, eu só consegui entender o nome Jeb. Então ele inspirou profundamente, e disse:
— Tudo bem então. Acho que acabou, certo?
— É o que parece — Ian hesitou por um instante e disse. — Exceto... Bem, provavelmente não é nada.
Jared ficou tenso novamente. Ele não gostava que as informações fossem editadas.
— Continue.
— Ninguém além de Kyle se incomodou muito, e você sabe como Kyle é.
Jared grunhiu sua aprovação.
— Você é que tem o melhor instinto para essas coisas, e eu queria a sua opinião. É por isso que vim aqui e me infiltrei na área restrita. — Ian disse suavemente, mas então sua voz assumiu um tom sério novamente. — Veja bem, havia uma outra... uma Buscadora, sem nenhuma dúvida, que carregava uma Glock.
Eu levei um segundo para entender a palavra usada. Não era uma palavra do vocabulário conhecido de Melanie. Quando eu entendi que ele falava de uma arma, o tom invejoso em sua voz me deixou enjoada.
— Kyle foi o primeiro a notar como essa que estou falando se destacava. Ela não parecia importante para os outros – certamente não participava no processo de tomar decisões. Oh, ela tinha muitas sugestões, pelo que pudemos ver, mas ninguém parecia ouvir. Queria que pudéssemos ter ouvido o que dizia...
Minha pele formigou novamente.
— De qualquer maneira — Ian continuou — quando eles cancelaram as buscas, ela não ficou muito satisfeita. Você sabe a forma como esses parasitas são sempre... agradáveis? Pois foi estranho – foi o mais próximo que eu já vi de eles chegarem a uma discussão. Não uma discussão de verdade, porque nenhum dos outros respondeu, mas a que ficou irritada parecia estar discutindo com eles. O grupo principal dos Buscadores desconsiderou... todos foram embora.
— E a tal que ficou irritada? — Jared perguntou.
— Entrou no carro e dirigiu até metade do caminho para Phoenix. Então voltou para Tucson. E então dirigiu para o oeste novamente.
— Ainda procurando.
— Ou muito confusa. Ela parou na loja de conveniência perto do pico. Falou com o parasita que trabalha lá, apesar de ele já ter sido interrogado.
— Hum — Jared frunhiu. Ele parecia interessado agora, se concentrando no quebra-cabeça.
— Então ela fez uma caminhada, escalou o pico... ô coisinha idiota. Devia estar estar queimando viva, vestida de preto da cabeça aos pés.
Um espasmo correu pelo meu corpo, eu me vi agachada e não mais sentada no chão, encolhida contra a parede. Minhas mãos instintivamente subiram para proteger meu rosto. Ouvi um grito agudo ecoar no pequeno espaço, e só depois que ele desapareceu é que percebi que havia sido eu.
— O que foi isso? — Ian perguntou, surpresa em sua voz.
Eu espiei pelos meus dedos e vi ambas as faces inclinadas no buraco me olhando. Ian era só uma sombra, mas parte da luz iluminava as feições duras de Jared. Eu queria ficar parada, invisível, mas os tremores que eu não podia controlar me sacudiam violentamente.
Jared se afastou e voltou com a lâmpada nas mãos.
— Veja os olhos dela — Ian murmurou. — Estão assustados.
Eu podia ver ambos os rostos agora, mas era no de Jared que eu me foquei. Seu olhar estava firmemente concentrado em mim, calculando. Imaginei que ele estivesse pensando sobre o que Ian tinha dito, procurando o que causara meu comportamento.
Meu corpo não parava de tremer.
Ela nunca vai desistir, Melanie gemeu.
Eu sei, eu sei, murmurei de volta.
Quando nossa aversão virou medo? Meu estômago se revirava e contorcia. Por que ela não podia me deixar morrer como os outros haviam deixado? Quando eu estiver morta, ela continuará a me procurar?
— Quem é a Buscadora de preto? — Jared subitamente berrou para mim.
Meus lábios tremeram, mas eu não respondi. O silêncio era mais seguro.
— Eu sei que você pode falar — Jared rosnou. — Você falou com Jeb e Jamie. E agora vai falar comigo.
Ele subiu na entrada da caverna, reclamando surpreso de quanto tivera de se apertar para conseguir. O teto baixo o obrigou a ajoelhar-se, o que não o agradou. Ele com certeza preferia ficar em pé sobre mim.
Não havia para onde fugir. Eu já estava enfiada no canto mais distante, a caverna mal tinha espaço suficiente para nós dois. Eu podia sentir sua respiração sob minha pele.
— Conte-nos o que você sabe. — Ele ordenou.
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