domingo, março 16, 2014

Impedida


— Ela não vai reconhecer o novo nome — o Curandeiro murmurou.
Uma nova sensação me distraiu. Algo agradável, uma mudança no ar quando a Buscadora se postou ao meu lado. Um cheiro, eu percebi. Algo diferente do que aquele quarto estéril, inodoro. Perfume, minha nova mente me disse. Floral, delicioso...
— Você pode me ouvir? — a Buscadora perguntou, interrompendo minha análise. — Você está consciente?
— Não tenha pressa — o Curandeiro insistiu em uma voz mais macia do que ele tinha usado antes.
Eu não abri meus olhos. Eu não quis ser distraída. Minha mente me deu as palavras que eu precisava, e o tom de voz que transmitiria o que eu queria dizer sem usar muitas palavras.
— Eu fui colocada em uma hospedeira danificada para obter a informação que você precisa, Buscadora?
Havia um arquejo – surpresa e afronta misturadas – e algo quente tocou minha pele, cobrindo minha mão.
— Claro que não, Peregrina — o homem disse de maneira tranquilizadora. — Nem mesmo uma Buscadora permitiria uma coisa dessas.
A Buscadora arquejou novamente. Sibilou, corrigiu minha mente.
— Então porque esta mente não funciona corretamente?
Houve uma pausa.
— Os exames eram perfeitos — a Buscadora disse. Suas palavras não eram tranquilizadoras, mas argumentativas. Ela queria discutir comigo? — O corpo foi curado inteiramente.
— Uma tentativa de suicídio que foi quase concluída com sucesso. — Meu tom era rude, ainda nervoso. Eu não estava acostumada com a raiva. Era difícil contê-la.
— Tudo estava em perfeita ordem...
O Curandeiro a interrompeu.
— O que está faltando? — ele perguntou. — Claramente, você acessou a fala.
— Memória. Eu estava tentando encontrar o que a Buscadora queria.
Embora não houvesse nenhum som, havia uma mudança. A atmosfera, que havia ficado tensa com as minhas acusações, relaxou. Eu me perguntei como eu sabia disso. Eu tive uma estranha sensação de que de algum modo eu estava recebendo mais do que os meus cinco sentidos me davam – quase a percepção de que havia um sentido adicional, qualquer coisa, não completamente aproveitada. Intuição? Aquela era quase a palavra certa. Como se alguma criatura necessitasse de mais do que cinco sentidos.
A Buscadora limpou sua garganta, mas foi o Curandeiro que respondeu.
— Ah — ele disse. — Não fique ansiosa sobre alguma dificuldade parcial em sua memória... Isto é, bem, não que seja esperado, precisamente, mas não é nenhuma surpresa considerando todos os aspectos.
— Eu não entendo o seu pensamento.
— Este hospedeiro era parte da resistência humana. — Havia uma alusão de excitação na voz da Buscadora agora. — Aqueles seres humanos que estavam cientes de nós antes da inserção são mais difíceis de dominar. Este ainda resiste.
Houve um momento de silêncio enquanto eles esperavam minha resposta.
Resistindo? O hospedeiro estava bloqueando o meu acesso? De novo, o calor da minha fúria me surpreendeu.
— Eu ligada corretamente? — Eu perguntei, minha voz distorcida porque veio através de meus dentes.
— Sim — o Curandeiro disse. — Todos os 827 pontos estão presos com segurança nas posições exatas.
Esta mente usava mais das minhas faculdades do que o hospedeiro anterior, deixando-me somente com 181 conexões de reserva. Talvez o número de ligações fosse a razão de as emoções serem tão intensas.
Decidi abrir meus olhos. Eu senti que precisava checar novamente as promessas do Curandeiro e ter certeza do resto de mim funcionava.
Luz. Brilhante, dolorosa. Eu fechei meus olhos de novo. A última luz que eu tinha visto, tinha sido filtrada através da profundidade de cem oceanos. Mas estes olhos tinham visto coisas mais brilhantes e poderia aguentar. Eu os abri devagarinho, mantendo meus cílios encobrindo a pequena fenda.
— Você gostaria que eu diminuísse a luz?
— Não, Curandeiro. Meus olhos irão se ajustar.
— Muito bom — ele disse, e eu compreendi que aquela aprovação significava a sua aceitação pelo meu casual uso do possessivo “meus”.
Ambos esperavam calmamente enquanto meus olhos abriam devagar.
Minha mente reconheceu este como um quarto médio em uma instalação médica. Um hospital. As telhas do teto eram brancas com salpicos mais escuros. As luzes eram retangulares e do mesmo tamanho que as telhas, substituindo-as em intervalos regulares. As paredes eram de um verde claro – uma cor calma, mas igualmente cor da doença. Uma pobre escolha, em minha opinião rapidamente formada.
As pessoas eram mais interessantes do que o quarto. A palavra doutor soou em minha mente tão logo meus olhos se prenderam sobre o Curandeiro. Ele usava uma larga roupa de tom azul e verde, que deixavam seus braços descobertos. Roupas de cirurgião. Tinha pelos sobre seu rosto, uma cor diferente que minha memória chamou de ruivo.
Ruivo! Haviam sido três mundos desde que eu tivesse visto essa cor ou qualquer de suas nuances. Até mesmo este ruivo dourado me encheu de nostalgia. Sua face era genericamente humana para mim, mas o conhecimento em minha memória aplicou a palavra gentil.
Uma respiração impaciente chamou minha atenção para a Buscadora. Ela era muito pequena. Se ela tivesse ficado parada, eu teria demorado mais tempo para percebê-la ao lado do Curandeiro. Ela não tirava os olhos de mim, uma mancha escura em um quarto brilhante. Ela usava preto do queixo aos pulsos – um terno conservador com uma blusa de seda com uma grande gola por debaixo. Seus cabelos eram pretos, também. Ele era na altura de seu queixo e estava colocado atrás de suas orelhas. Sua pele era mais escura do que a do Curandeiro. Em um tom de azeitona.
As pequenas mudanças de expressões dos seres humanos eram tão minimalistas, mas eram tão difíceis de ler. Minha memória poderia dar nome ao olhar para o rosto dessa mulher. As sobrancelhas negras, tendões levemente salientes nos olhos criando um desenho familiar. Não exatamente raiva. Intensidade. Irritação.
— Com qual frequência isso acontece? — eu perguntei, olhando para o Curandeiro novamente.
— Não frequentemente — o Curandeiro admitiu. — Nós temos tão poucos hospedeiros maduros disponíveis agora. Os hospedeiros imaturos são inteiramente flexíveis. Mas você indicou que preferia começar como um adulto...
— Sim
— A maioria dos pedidos são o oposto. O período de vida humana é muito mais curto do que você está acostumada.
— Eu estou certa que versei sobre todos os fatos, Curandeiro. Você tratou com esta... resistência antes, você mesmo?
— Eu mesmo só uma vez.
— Conte-me os fatos do caso — eu pausei. — Por favor — acrescentei, sentindo uma falta de cortesia do meu comando.
O Curandeiro suspirou.
A Buscadora começou a bater seus dedos contra seu braço. Um sinal de impaciência. Não se importou em esperar por aquilo que desejava.
— Isto ocorreu a quatro anos atrás. — O Curandeiro começou — A alma envolvida tinha pedido um hospedeiro macho adulto. O primeiro a estar disponível era um humano que estivava vivendo no centro da resistência desde os primeiros anos da ocupação. O humano... sabia o que lhe aconteceria quando foi pego.
— Igual ao meu hospedeiro.
— Hã, sim. — Ele limpou sua garganta. — Esta era somente a segunda vida da alma. Ele veio do Mundo Cego.
— Mundo Cego? — eu perguntei, levantando minha cabeça para o lado reflexivamente.
— Oh, desculpe, você não conhece os nossos apelidos. Este era um dos seus, não era? — Ele retirou um dispositivo do seu bolso, um computador, e examinou rapidamente. — Sim, seu sétimo planeta. No setor 81.
— Mundo Cego? — Eu disse novamente, minha voz agora era desaprovadora.
— Sim, bem, alguns que viveram lá preferem chamá-lo de o Mundo Cantor.
Eu acenei com a cabeça devagar. Eu gostei mais desse.
— E alguns que nunca viveram lá o chamam de o Planeta dos Morcegos — a Buscadora murmurou.
Eu virei meus olhos em direção a ela, sentindo-os estreitos enquanto minha mente se apropriava da imagem inadequada dos feios roedores voadores as quais ela se referiu.
— Suponho que você nunca tenha vivido lá, Buscadora — o Curandeiro disse calmamente. — Nós chamávamos aquela alma de Canção Corredora – esta era uma tradução fraca do seu nome... no Mundo Cantor. Mas ele preferiu tomar o nome do seu hospedeiro, Kevin. Apesar de ele estar encaminhado para uma Carreira do Espetáculo Musical, ele disse se sentir mais confortável continuando com a linha de trabalho de seu hospedeiro, que era mecânico.
“Estes sinais eram um tanto quanto inquietantes para o Confortador que havia sido designado para ele, mas eles estavam dentro dos limites normais.
“Então Kevin começou a se queixar que ele estava perdendo alguns períodos de tempo, que algo estava escurecendo. Eles trouxeram-no de volta para mim e nós fizemos um extensivo teste para ter certeza que não havia nenhuma falha no cérebro do hospedeiro. Durante o teste, diversos Curandeiros anotaram diferenças em seu comportamento e personalidade. Quando nós o questionamos sobre isto, ele disse não ter nenhuma memória de determinados comportamentos e ações. Nós continuamos a observá-lo, junto com seu Confortador, e descobrimos que eventualmente o hospedeiro tomava controle do corpo de Kevin.
— Tomava o controle? — Meus olhos abriram largamente. — Sem a alma saber? O hospedeiro pegava o corpo de volta?
— Triste, mas Kevin não era forte o bastante para suprimir o hospedeiro. Não era forte o bastante.
Pensariam eles que eu era fraca também? Seria eu fraca, que eu não poderia forçar esta mente a responder minhas perguntas? Mais fraca ainda, porque seus pensamentos estavam vivos em minha cabeça onde só devia haver memórias? Eu sempre havia pensado em mim mesmo como forte. Mas esta ideia de fraqueza me fez vacilar. Fez-me sentir vergonha.
O Curandeiro continuou.
— Certas coisas aconteceram, e foi decidido...
— Que coisas?
O Curandeiro olhou para baixo sem responder.
— Que coisas? — Exigi. — Eu acredito que tenho o direito de saber.
O Curandeiro assentiu.
— Você tem mesmo. Kevin atacou fisicamente uma Curandeira quando ele... não era ele mesmo. — Ele estremeceu. — Ele deixou o Curandeiro ainda inconsciente com um golpe de seu punho e então encontrou um bisturi. Nós o encontramos inconsciente. O hospedeiro tentou retirar a alma de seu corpo.
Eu levei um tempo para que pudesse falar. Mesmo assim, minha voz era só um sussurro.
— O que aconteceu com eles?
— Felizmente, o hospedeiro não foi capaz de permanecer consciente por muito tempo para causar um dano real. Kevin foi recolocado em um hospedeiro imaturo dessa vez. O hospedeiro problemático passou por um pequeno reparo e decidiu-se que não havia meios de salvá-lo.
— Agora Kevin é um humano de 7 anos e perfeitamente normal... com exceção do fato de que ele manteve seu nome Kevin. Seus guardiões estão se empenhando muito em expô-lo intensamente à musica, e tudo está indo muito bem... — As últimas palavras soaram como se fosse uma boa noticia – notícia que poderia de algum modo cancelar todo o resto.
— Por quê? — Eu limpei minha garganta então minha voz pôde ter novamente algum volume. — Por que estes riscos não foram compartilhados, por que não me avisaram?
— Na verdade — interrompeu a Buscadora — declara-se com muita clareza em toda propaganda de recrutamento que assimilar hospedeiros humanos adultos é muito mais desafiador do que assimilar uma criança.
— A palavra desafiador não abrange exatamente a história de Kevin — eu sussurrei.
— Sim, bem, você preferiu ignorar as recomendações. — Ela sustentou suas mãos em um gesto pacificador, quando meu corpo enrijeceu fazendo com que a tela dura da cama estreitasse produzindo um estalido baixo. — Eu não estou te culpando. A infância é extraordinariamente tediosa. E você claramente não é uma alma mediana. Eu tenho plena convicção que lidar com isso está dentro de sua capacidade. Este é apenas outro hospedeiro. Tenho certeza de que você terá pleno acesso e em breve estará no controle.
Baseada em minhas observações sobre a Buscadora, eu estava surpresa de que ela tinha tido paciência para esperar por qualquer atraso, ou mesmo o meu período de adaptação. Eu senti o seu desapontamento com a minha falta de informação, e isso trouxe de volta o desconhecido sentimento de raiva.
— Não lhe ocorreu que você poderia obter as respostas que procura sendo você mesma inserida neste corpo? — perguntei.
Ela enrijeceu.
— Eu não sou uma saltadora.
Minhas sobrancelhas levantaram automaticamente.
— Outro apelido — o Curandeiro explicou. — Para aqueles que não permanecem em seus hospedeiros por toda uma vida.
Eu assenti em sinal de compreensão. Nós tínhamos o nome para isto nos meus outros mundos. Em nenhum mundo era alegre. Então eu parei de interrogar a Buscadora e dei a ela o que eu poderia.
— Seu nome era Melanie Stryder. Ela nasceu em Albuquerque, Novo México. Estava em Los Angeles quando a ocupação se tornou conhecida, ela se escondeu em uma região selvagem por alguns anos antes de encontrar... Hmmm. Desculpa. Eu tentarei novamente mais tarde. O corpo tinha vinte anos. Ela viajou para Chicago de... — eu mexi minha cabeça. — Houve diversas etapas, não todas sozinha. O veiculo era roubado. Ela estava procurando por uma prima chamada Sharon, que por alguma razão ela esperava que ainda fosse humana. Ela tampouco encontrou nenhum contato antes de ela ser pega. Mas... — Eu me esforcei, lutando contra outro paredão cego. — Eu acho... Eu não tenho certeza... Eu acho que ela deixou um bilhete... em algum lugar.
— Então ela esperava que alguém a procurasse? — a Buscadora perguntou ansiosamente.
— Sim. Ela estava... perdida. Se ela não se encontrar com... — eu rangi meus dentes, verdadeiramente lutando agora. O paredão era negro, e eu não poderia dizer quão denso era. Eu golpeei de encontro a ela, o suor escorria por minha testa. A Buscadora e o Curandeiro estavam muito quietos, permitindo que eu me concentrasse.
Eu tentei pensar em alguma coisa – o barulho, o estranho ruído que o motor do carro tinha feito, o nervosismo e a rápida adrenalina que surgia cada vez que as luzes de outro veículo se aproximavam na estrada. Eu deixei a memória me carregar para longe, deixei-a saltar sobre a caminhada fria através da cidade, sob a proteção da escuridão da noite, deixei-a de sua maneira ir até o edifício onde eles tinham me encontrado.
Não, onde eles a encontraram. Meu corpo estremeceu.
— Não force além dos seus limites... — o Curandeiro começou.
A Buscadora o silenciou com um shhh.
Eu deixei minha mente estender-se sobre o horror da descoberta, a queimação do ódio contra os Buscadores que subjugava quase tudo. O ódio era prejudicial, era a dor. Eu quase não suportava sentir. Mas eu deixei seguir o seu curso, esperando distrair a resistência, enfraquecendo as defesas.
Eu assisti cuidadosamente ela tentar se esconder e até ela perceber que não poderia. O bilhete fora rabiscado sobre os escombros com um lápis quebrado. Enfiado às pressas por debaixo da porta. Mas não qualquer porta.
— O padrão é a quinta porta do quinto corredor no quinto andar. Sua comunicação está lá.
A Buscadora tinha um pequeno telefone em sua mão, ela murmurou rapidamente nele.
— O edifício era considerado seguro — eu continuei — eles sabiam que estava condenado. Ela não sabe como foi descoberta. Eles encontraram Sharon?
Um arrepio de horror percorreu meus braços.
A pergunta não foi minha.
A pergunta não foi minha, mas passou naturalmente através de meus lábios como se fosse. A Buscadora não percebeu nada de errado.
— A prima? Não, eles não encontraram nenhum outro humano — ela respondeu, e meu corpo relaxou em resposta. — Esta hospedeira foi vista quando entrava no prédio. Como o edifício estava condenado, o cidadão que a viu entrando ficou preocupado. Ele nos chamou, e nós observamos o prédio para ver se nos poderíamos capturar mais do que um e então pareceu improvável. Você poderia descobrir o ponto de encontro?
Eu tentei.
Muitas memórias, todas tão coloridas e afiadas. Eu vi milhares de lugares que eu nunca estive, ouvi o nome deles pela primeira vez. Uma casa em Los Angeles, alinhada com altas arvores fronteiriças. Uma clareira na floresta, com uma barraca e uma fogueira, fora de Winslow, Arizona. Uma praia rochosa no México. Uma caverna, uma entrada guardada por uma cortina de água, em algum lugar em Oregon. Barracas, cabanas, abrigos rudes. Com o tempo, os nomes foram ficando cada vez menos específicos. Ela não sabia onde ela estava, não que ela se importasse.
Meu nome era agora Peregrina, contudo suas memórias confundiam-se com as
minhas. Exceto que esta viagem era de minha escolha. Estes flashes de memória eram sempre tingidos com o medo da caçada. Não viajando, mas correndo.
Eu tentei não sentir pena. Em vez disso, eu trabalhei para focar nas memórias. Eu não precisava ver onde ela estava, somente para onde ela estava indo. Eu me foquei nas imagens que traziam a palavra Chicago, mas nenhum pareceu ser nada além do que imagens aleatórias. Eu aumentei minha rede de busca. O que havia fora de Chicago?
Frio, eu pensei, estava frio, e havia uma certa preocupação sobre isto.
Onde? Insisti, e a parede voltou.
Expirei com raiva.
— Fora da cidade... no deserto... um parque estadual, longe de qualquer habitação. Não é um lugar em que ela já tivesse ido antes, mas ela sabia como chegar até lá.
— Quanto tempo? — A Buscadora perguntou.
— Logo. — A resposta veio automaticamente. — Há quanto tempo estou aqui?
— A recuperação da hospedeira levou nove dias, para termos absoluta certeza de que ela estava curada — o Curandeiro me disse. — A inserção foi hoje, no décimo dia.
— Dez dias. — Meu corpo sentiu uma onda de surpresa. — Muito tarde — eu disse — tanto para o encontro como para o bilhete.
Eu pude sentir a reação da hospedeira. Pude senti-la com muita intensidade. Ela estava... presunçosa. Eu captei as palavras que ela pensou em dizer, então eu deixei passar por mim e as disse, para aprender com elas:
— Ele não estará lá.
— Ele? — A Buscadora ponderou o pronome. — Quem?
O paredão negro fechou novamente, caindo com mais força que antes. Ela estava uma fração de segundos atrasada.
De novo, um rosto encheu minha mente. Um lindo rosto com uma pele dourada e olhos brilhantes. O rosto de um estranho que fez com que um enorme prazer surgisse dentro de mim quando eu o vi tão claramente em minha mente.
Embora a parede empurrasse para dentro do lugar junto com a sensação de rancor malévolo que acompanhava, não foi rápido o bastante.
— Jared — eu respondi. Como se rapidamente estivesse vindo de mim, o pensamento que não era meu pôs seu nome por entre meus lábios. — Jared está seguro.

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