terça-feira, março 18, 2014
Sonhado
Está muito escuro para estar tão quente, ou talvez muito quente para estar tão escuro. Um dos dois está fora do lugar.
Eu agacho na escuridão atrás de uma fraca proteção de um miserável arbusto e seu creosoto, suando toda a água contida em meu corpo. Foram quinze minutos desde que o carro deixou a garagem. Nenhuma luz se acendeu. A porta em formato grego estava aberta no tamanho de duas polegadas, deixando o frio do pântano fazer seu trabalho. Eu pude imaginar a sensação do ar úmido e fresco através da tela. Eu desejei que isto pudesse me alcançar aqui.
Meu estomago revirou, e eu apertei meus músculos abdominais para abafar o barulho. Estava quieto o bastante para que o murmúrio propagasse.
Eu estou com tanta fome!
Havia outra necessidade muito forte – outro estômago faminto que estava escondido em segurança muito longe dali, na escuridão, esperando sozinho na caverna áspera que era nosso refugio temporário. Um lugar apertado, entalhado como uma rocha vulcânica. O que ele fará se eu não voltar? Toda a pressão da maternidade sem nenhum de seu conhecimento ou experiência. Eu me sinto tão terrivelmente desamparada. Jamie está faminto.
Não há nenhuma casa perto desta. Eu tenho prestado atenção desde que o sol ainda estava branco de calor no céu, e eu não acho que exista algum cachorro por perto, também.
Eu abrando o meu agachamento, minha panturrilha gritando em protesto, mas eu continuo dobrada na altura da cintura, tentando ser menor do que o arbusto. A maneira mais simples é através da areia, um caminho claro sob as luzes das estrelas.
Não há barulho de carros na rodovia.
Eu sei que eles irão perceber quando eles retornarem, os monstros que aparentam ser um belo casal em seus cinquentas anos. Eles irão saber exatamente o que eu sou, e a procura começará imediatamente. Eu preciso ir para longe. Eu realmente espero que eles tenham ido esta noite para a cidade . Eu acho que é quinta feira.
Eles mantêm nossos costumes tão perfeitamente, é tão difícil de ver a diferença. Foi por isso que eles venceram, aliás.
A cerca ao redor do jardim é somente na altura da cintura. Eu passo por cima facilmente, silenciosamente. A área é de pedregulhos, por isso eu tenho que andar com muito cuidado para não virar nenhuma com o meu peso. Eu supero os obstáculos da laje do pátio.
As cortinas estão abertas. A luz das estrelas é o suficiente para ver que as salas estão vazias, sem movimento. Este casal tem um estilo meio espartano. Assim é mais difícil de alguém se esconder. Naturalmente, não deixa nenhum lugar para que eu possa me esconder, também, mas se chegar ao ponto em que eu tenha que me esconder seria muito tarde de qualquer forma.
Eu tranquilamente abro a tela da porta, e depois o vidro da porta. Ambos deslizam silenciosamente. Eu coloco meu pé cuidadosamente sobre a telha, mas isto é apenas a força do habito. Ninguém espera por mim aqui.
O ar fresco parece o paraíso.
A cozinha é a minha esquerda eu posso ver o brilho do balcão de granito. Eu puxo o saco de lona dos meus ombros e começo pelo refrigerador. Há um momento de ansiedade porque a luz vem quando a porta se abre mas eu encontro a tecla e a pressiono com meu dedo do pé. Meus olhos estão cegos. Eu não tenho tempo para deixar eles se ajustarem. Eu vou pela sensação.
Leite, fatias de queijo, sobras em uma tigela de plástico. Eu espero que seja o frango com arroz coisa que eu vi ele cozinhar para o jantar. Nós comeremos esta noite.
Suco, um saco de maçã. Cenourinhas. Estes permanecerão bons até de manhã.
Eu me apresso na dispensa. Eu preciso de coisas que se manterão por muito mais tempo.
Eu posso ver melhor enquanto eu recolho tudo que eu consigo carregar. Mmmm. bolinhos de chocolate. Eu estou morrendo para abrir agora o saco, mas eu ranjo os meus dentes e ignoro a torção que meu estomago vazio faz.
O saco esta começando a ficar pesado muito rápido. E isto irá durar somente uma semana, mesmo se nós tomarmos cuidado. E eu não sei como ser cuidadosa. Eu quero me fartar. Eu empurro barras de cereal em meus bolsos. Mais uma coisa. Eu me apresso para a pia e encho o meu cantil. Então eu ponho minha cabeça sob o jato e engulo a água direto da torneira.
A água faz ruídos estranhos quando bate no meu estômago vazio. E eu começo a sentir pânico agora que meu trabalho esta feito. Eu quero estar longe daqui. A civilização está morta.
Eu presto atenção no assoalho e na minha maneira de sair, me preocupo em tropeçar com minha pesada bagagem, razão pela qual eu não distingui a silhueta preta no pátio até que minhas mãos estavam na porta.
Eu escuto ele murmurar algo ao mesmo tempo em que um rangido de medo escapa da minha boca, eu giro para correr para a porta da frente, esperando que não esteja trancada, ou pelo menos que não seja difícil de destrancá-la.
Eu não dou nem dois passos, e uma mão dura agarra meus ombros e me puxa de volta contra seu corpo. Muito grande, muito forte para ser uma mulher. A voz baixa prova que tenho razão.
“Um som e você morre” ele ameaça grosseiramente. Eu estou chocada ao sentir uma fina, afiada bainha entrando na minha pele através do meu queixo.
Eu não compreendo. Eu deveria ter escolha. Quem era esse monstro? Eu nunca escutei que nenhum tenha quebrado as regras. Eu respondo do único jeito que posso.
“Faça”, eu cuspo através de meus dentes. ”Apenas faça. Eu não quero ser um parasita sujo!”
Eu espero pela faca e meu coração esta doendo. Cada batida tem um nome. Jamie, Jamie, Jamie. O que acontecerá com você agora?
“Inteligente” o homem murmura, e não soa como se ele estivesse falando comigo. ”Poderia ser uma Buscadora. E isso significa uma armadilha. Como souberam?” O aço desaparece da minha garganta simplesmente para ser substituído por uma mão dura como ferro.
Eu mal conseguia respirar devido ao seu aperto.
“Onde estão o resto deles?" Ele perguntou espremendo.
”Sou somente eu!” respondi secamente, eu não poderia levá-lo até o Jamie. O que Jamie faria quando eu não voltasse? Jamie está faminto!
Eu arremesso meu cotovelo em seu estômago – e isto realmente me machuca. Seus músculos do seu abdome são como ferro, tão duros quanto sua mão.
O que é muito estranho. Músculos como este, são produtos de uma vida difícil ou obsessão, e os parasitas não tem nenhum.
Ele nem ao menos perdeu o ar com o meu golpe. Desesperada, mando meu calcanhar no pé dele. Isto o tira de guarda e ele balança. Eu puxo, me afastando, mas ele agarra a minha sacola, me empurrando de volta para o seu corpo.
Sua mão aperta novamente minha garganta.
“Mal humorada para um corpo pacifista, não é?”
Estas palavras eram sem sentindo. Eu pensei que aliens eram todos iguais, eu supus que eles tinha trabalhos difíceis , também, depois de tudo.
Eu torço e agarro, tentando quebrar o seu abraço. Minhas unhas travam em seu braço, mas isto só faz ele apertar mais forte minha garganta.
“Eu vou te matar, sua ladra de corpos miserável. Eu não estou blefando.”
“Faça, então!”
De repente ele ofega, e eu imagino se algum dos meus membros fizeram contato. Eu não sinto nenhum machucado novo.
Ele solta meu braço e agarra meu cabelo. Era a hora. Ele está indo cortar a minha garganta. Eu me estico para a lâmina da faca.
Mas a mãos sobre a minha garganta ficam leves, e então seus dedos hesitam sobre meu pescoço, áspero e morno sobre a minha pele.
“Impossível”, ele sussurra.
Alguma coisa cai no chão com um barulho seco. Ele deixou cair a faca? Eu tento pensar em um jeito de pegá-la. Talvez se eu caísse. A mão sobre meu pescoço não é forte o bastante para me manter ou me deixar livre. Eu imagino se eu escutei onde a lâmina enterrou.
Ele me gira de repente. Há um clique e a luz cega o meu olho esquerdo. Eu ofego e tento automaticamente ficar longe dele. Sua mão se aperta em meu cabelo. A luz cintila em meu olho direito.
“Eu não posso acreditar” ele sussurra ”você ainda é humana”
Suas mãos seguram meu rosto com ambas as mãos, e antes que eu pudesse sair, seus lábios pressionam duramente sobre os meus.
Eu congelei por meio segundo. Eu nunca tinha beijado na minha vida. Não um beijo verdadeiro. Somente meus pais davam beijos apressados na minha bochecha ou testa, há muitos anos atrás. Isto é algo que eu nunca pensei que sentiria. Eu não tenho certeza do que eu exatamente deveria sentir. Há muito pânico, muito terror, muita adrenalina.
Com um impulso, dou-lhe uma joelhada.
Ele gemido um gemido e eu estou livre. Em vez de correr para a frente da casa novamente como ele esperava. Eu me protejo sobre seus braços e corro através da porta aberta. Eu penso, eu posso correr mais do que ele, mesmo com a minha carga.
Eu começo a avançar e ele ainda esta fazendo barulhos de dor. Eu sei pra onde estou indo – eu não irei pegar um atalho que ele poderia ver na escuridão. Eu não deixei cair o alimento, e isso era bom. Eu pensei que a barra de granola seria uma grande perda.
“Espere” ele grita.
Cala a boca! Eu penso, mas não grito de volta.
Ele esta correndo atrás de mim. E eu posso ouvir sua voz chegando perto.
“Eu não sou um deles!”
Certo. Eu mantenho meus olhos sobre a areia e corro a toda velocidade. Meu pai costumava dizer que eu corria como um leopardo. Eu era a mais rápida em minha equipe de trilha, campeã do estado, antes do fim do mundo.
“Me escute!” Ele ainda estava gritando alto.”Olhe! Eu irei provar. Somente para e olhe pra mim!”
Não é apropriado, eu giro através da água e corro levemente através dos pequenos espinhais.
“Eu não pensei que tivesse restado mais alguém! Por favor, eu preciso falar com você”
Sua voz me surpreendeu – era tão próxima.
“Me desculpe por ter lhe beijado! Aquilo foi algo estúpido! E que eu tenho vivido sozinho durante muito tempo!”
“Cale a boca!” Eu não sei dizer se falei alto, mas ele escutou. Ele estava chegando cada vez mais perto. Nunca ninguém tinha chegado tão perto. Eu forcei minhas pernas.
Há um baixo grunhido para ele respirar e ele acelera mais.
Alguma coisa atinge minhas costas e eu caí. Eu provo o gosto da sujeira em minha boca e eu estou pressa por algo tão pesado que mal posso respirar.
“Espera. Um. Minuto” ele grita mal humorado.
Ele controla seu peso e rola sobre mim. Ele abre meus braços, prendendo-os sobre suas pernas. Ele joga a minha comida. E eu tento me libertar dele.
“Olhe, olhe, olhe!” ele diz. Ele tira um pequeno cilindro de seu bolso de trás e torce a parte superior. Um feixe de luz dispara de uma das extremidades. Ele coloca a lanterna sobre seu rosto.
A luz faz com que sua pele fique amarela. E ele mostra seu osso molar através de um longo e fino nariz e de um queixo quadrado. Seus lábios estão esticados, sorrindo forçadamente, mas eu posso ver que eles são fartos, para um homem. Suas sobrancelhas e cílios são clareados pelo sol.
Mas não era isso que ele estava me mostrando.
Seus olhos, pareciam um líquido claro de um tom marrom avermelhado vistos pela iluminação da lanterna, brilhante mais do que uma reflexão humana. Ele passa a luz pelo seu rosto.
“Tá vendo? Tá vendo? Eu sou como você.”
“Deixe-me ver seu pescoço.” A suspeita é alta em minha voz. Eu não me permito acreditar que isso não passa de um truque. Eu não entendo o ponto da charada, mas eu tenho certeza que há uma. Não há mais esperança.
Seus lábios se retorcem.
“Bem… Isto não irá ajudar em nada. Os olhos não são o bastante? Você sabe que eu não sou um deles”.
“Por que você não me mostra sua pescoço?”
“Porque eu tenho uma cicatriz lá”, ele admite.
Eu tento me contorcer embaixo dele novamente, e sua mão imobiliza o meu ombro.
“Eu mesmo fiz”, ele explica. “Eu acho que eu fiz um bom trabalho, embora tenha doído muito. Eu não tenho todo esse cabelo bonito para cobrir meu pescoço. A cicatriz me ajuda a se misturar”.
“Saia de cima de mim”
Ele hesita, então ele levanta seu pé em um movimento fácil, sem precisar usar as mãos para isto. Então estende uma delas, a palma virada, para mim.
“Por favor não fuja. E, hum, eu agradeceria se você não me chutasse novamente, também”.
“Quem é você?”, pergunto num sussurro.
Ele abre um sorriso.
“Meu nome é Jared Howe. Eu não tenho falado com outro humano há mais de dois anos, então eu tenho certeza que eu devo parecer... um louco pra você. Por favor, me perdoe por isto e me diga qual o seu nome.”
“Melanie”, eu sussurrei.
“Melanie”, ele repetiu. ”Eu não posso explicar a você como estou encantado em te conhecer”.
Eu seguro minha bolsa fortemente, mantendo meus olhos sobre ele. Ele oferece sua mão para mim calmamente.
E eu a pego.
Só no momento em que eu vejo minha mão se enrolar voluntariamente na dele, percebo que acredito nele.
Ele me ajuda a ficar de pé e não solta a minha mão até que esteja completamente levantada.
“E agora?” pergunto cautelosamente.
“Bem, nos não podemos ficar aqui por muito tempo. Você poderia voltar comigo até a casa? Eu deixei as minhas coisas. Você chegou primeiro à geladeira.”
Eu balanço a cabeça.
Ele parece perceber o quão fragilizada estou, como estava perto da fuga.
“Você irá me esperar aqui, então?” ele pergunta em uma voz gentil. “Eu voltarei bem rápido. Deixe-me pegar mais comida para nós.”
“Nós?”
“Você realmente acha que eu vou deixar você desaparecer? Eu irei te seguir mesmo que você diga não.”
Eu não queria ficar longe dele.
“Eu...”Como eu não poderia dizer a verdade para outro humano? Nós somos uma família – duas partes de uma extinta irmandade. “Eu não tenho tempo. Eu tenho que ir para muito longe... Jamie está esperando.”
“Você não está sozinha”, compreende ele. Sua expressão mostra incerteza pela primeira vez.
“Meu irmão. Ele tem apenas nove anos, e fica tão amedrontado quando eu estou longe. E me levará metade da noite para chegar até lá. Ele não irá saber se fui pega. Ele está tão faminto”.
Como se fosse para confirmar a minha história o meu estômago roncou alto. O sorriso de Jared voltou, mais brilhante do que antes.
“Irá ajudar se eu der uma carona?”
“Uma carona?” eu repeti.
“Vamos fazer um acordo. Você espera aqui enquanto eu busco mais comida, e eu levarei você aonde você quiser ir com o meu jipe. É mais rápido do que correr – até mais rápido do que você correndo.”
“Você tem um carro?”
“Naturalmente. Acha que vim andando até aqui?”
Eu pensei nas seis horas que eu levei andando até aqui, e minha testa enrugou.
“Nos iremos voltar para o seu irmão num instantinho” ele prometeu. “Não saia daqui, ok?”
Eu concordei.
“E coma alguma coisa, por favor. Não quero que seu estômago nos denuncie.”
Ele sorriu largamente, e seus olhos enrugaram-se nos cantos. Meu coração bate forte, e eu sabia que iria esperar aqui mesmo que leve a noite toda.
Ele continuava segurando a minha mão. Ele a solta devagar, seus olhos não deixando os meus. Dá um passo para trás, e então para.
“Por favor não me chute”, ele pede, se inclinado para frente e agarrando meu queixo.
Ele me beijou de novo, e nessa vez seus lábios eram mais suaves do que suas mãos, e quente, como uma noite quente no deserto. Uma revoada de borboletas promove um tumulto em meu estômago e me rouba o fôlego. Minhas mãos o procuram instintivamente. Toco a pele tépida de sua face, os pelos ásperos em seu pescoço. Meus dedos deslizaram levemente sobre uma linha de pele enrugada, uma aresta em relevo sob a linha do couro cabeludo.
Eu grito.
Eu acordei coberta de suor. Mesmo antes de estar completamente acordada, meus dedos estão sobre o meu pescoço, traçando a pequena linha deixada pela inserção. Eu mal podia detectar a marca rosa claro com as pontas de meus dedos. Os remédios que o Curandeiro tinha usado funcionaram.
A pobre e mal curada cicatriz de Jared nunca tinha sido um bom disfarce. Eu olhei rapidamente para a luz ao lado da minha cama, esperando minha respiração se acalmar, as veias cheias de adrenalina de um sonho real.
Um novo sonho, mas em essência muito parecido com muitos outros que me haviam afligido nos últimos meses.
Não, não um sonho. Certamente uma memória.
Eu pude sentir o calor dos lábios de Jared sobre os meus. Minhas mãos se estenderam sem a minha permissão, procurando através do lençol, procurando por algo que eles não tinham encontrado. Meu coração doeu quando eles desistiram caindo na cama vazia.
Eu pisquei afastando a umidade indesejada de meus olhos. Eu não sabia o quanto mais disso eu poderia resistir. Como alguém pôde sobreviver a este mundo, com esses corpos cheios de memórias que não ficaram no passado como deveria? Com estas emoções que são tão estranhas que eu não poderia dizer o que havia sentido?
Eu estaria exausta amanhã, mas eu me sentia tão longe do sono que eu sabia que teria algumas horas antes que eu pudesse relaxar. Pelo menos eu cumpriria o meu dever e poria um fim nisso. Talvez isto pudesse me ajudar a tirar da minha mente as coisas que eu preferiria não pensar.
Eu rolei para fora da cama e cambaleei até o computador sobre a mesa vazia. Levou alguns segundos para a tela brilhar em sinal de vida, e alguns outros segundos para abrir o meu programa de e-mail. Não seria difícil encontrar o endereço da Buscadora; eu só tinha quatro contatos: a Buscadora, o Curandeiro, meu novo chefe, e sua esposa, minha Confortadora.
Havia outro humano com minha hospedeira, Melanie Stryder.
Eu digitei, sem me incomodar com uma saudação.
O nome dele é Jamie Stryder, ele é irmão dela.
Por um momento de pânico, me perguntei sobre o controle dela. Por todo este tempo, eu nunca descobri sobre a existência desse garoto – não que ele não fosse importante para ela, mas porque ela protegeu ele mais ferozmente do que seus outros segredos. Será que ela tinha outros segredos tão grandes como este? Tão sagrado que os escondeu até dos meus sonhos? Ela era tão forte assim? Meus dedos tremeram enquanto eu coloquei o resto da informação.
Ele deve ser um adolescente agora.Talvez tenha treze anos. Eles viveram em um acampamento provisório, e eu acredito que seja ao norte da cidade de Cave Creek, no Arizona. Mas isso foi há muitos anos. Ainda assim, você poderia comparar o mapa com as linhas que eu lembrei antes. Como sempre, eu direi se obtiver algo a mais.
Enviei a mensagem. Assim que partiu, o terror me possuiu.
Jamie não!
Sua voz em minha cabeça era tão clara como se fosse a minha própria voz. Eu estremeci de horror.
No momento em que eu lutava contra o medo do que estava acontecendo, fui tomada pelo desejo de mandar outro e-mail para a Buscadora, me desculpando por importuná-la com meus sonhos loucos. Para dizer a ela que eu estava parcialmente adormecida para prestar atenção na tola mensagem que eu havia mandado.
O desejo não era meu.
Eu desliguei o computador.
Eu odeio você, rosnou a voz em minha cabeça.
“Então talvez devesse ir embora”, disse eu rispidamente e em voz alta, o que me fez tremer outra vez.
Ela não tinha falado comigo desde os primeiros momentos em que eu havia estado aqui. Não havia duvida que ela estava ficando mais forte. Como os sonhos.
E isso estava fora de questão, eu iria visitar a minha Confortadora amanhã. Lágrimas de desapontamento e humilhação jorraram em meus olhos por causa desse pensamento.
Eu voltei para a cama, coloquei o travesseiro sobre o meu rosto e tentei não pensar.
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