terça-feira, março 18, 2014
Preocupada
Perfeito, resmunguei para mim mesma. Simplesmente perfeito.
Ian estava se aproximando para almoçar comigo, um grande sorriso grudado no rosto. Tentando de animar... de novo.
Acho que você está exagerando no sarcasmo ultimamente, Melanie me disse.
Eu vou me lembrar disso.
Eu não tinha a ouvido muito nessa última semana. Nenhuma de nós era boa companhia, era melhor que nós evitássemos interação social, mesmo com nós mesmas.
— Oi Peg — Ian me cumprimentou, sentando na bancada ao meu lado. Ele tinha uma vasilha de sopa de tomate em uma das mãos, ainda fumegante. A minha vasilha estava de lado, fria e cheia pela metade. Eu estava brincando com um pedaço de pão, partindo-o em pedacinhos.
Eu não respondi.
— Ai ai, Peg. — Ele pôs a mão no meu joelho. A reação de raiva de Mel estava letárgica. Ela já estava acostumada com esse tipo de coisa para se incomodar. — Eles vão voltar hoje. Antes do sol se pôr, sem dúvida.
— Você disse isso três dias atrás, e dois dias atrás, e de novo ontem — lembrei-lhe.
— Estou com um bom pressentimento quanto ao dia de hoje. Não faça beicinho... é tão humano. — Ele brincou.
— Não estou fazendo beicinho. — E não estava. Eu só estava tão preocupada que mal conseguia pensar direito. Não sobrava energia para fazer qualquer outra coisa.
— Essa não é a primeira incursão de Jamie.
— Isso me faz sentir muito melhor. — Sarcasmo de novo. Melanie estava certa, eu realmente estava exagerando no uso.
— Ele está com Jared, Geoffrey e Trudy. E Kyle está aqui — Ian riu. — Então não tem jeito de eles se meterem com confusão.
— Eu não quero falar sobre isso.
— Tudo bem.
Ele voltou sua atenção para a comida e me deixou ficar remoendo. Ian era sempre bom assim – sempre tentando me dar o que eu queria mesmo quando o que eu queria não era muito claro. Exceto as suas tentativas insistentes de me alegrar na presente situação. Eu sabia que não queria isso. Eu queria me preocupar, era a única coisa que eu podia fazer.
Já havia um mês que eu tinha me mudado de volta para o quarto de Jamie e Jared. Por três semanas nós quatro vivemos juntos. Jared dormia em um colchão apertado acima da cabeceira da cama onde Jamie e eu dormíamos.
Eu havia me acostumado àquilo – pelo menos a parte de dormir – estava tendo problemas agora para dormir em um quarto vazio. Eu sentia falta do som dos outros dois corpos respirando.
Eu não havia me acostumado a acordar com Jared presente. Ainda levava uns segundos até eu responder seu cumprimento matinal. Ele não estava muito confortável também, mas sempre era educado. Ambos éramos educados.
Já era quase um script.
— Bom dia Peg, como você dormiu?
— Bem, obrigada, e você?
— Bem, obrigado. E Mel?
— Ela também está bem. Obrigada.
O constante estado de euforia de Jamie e sua tagarelice alegre mantinham as coisas mais para cima. Ele falava sobre – e com – Melanie constantemente, até seu nome não ser mais a fonte de estresse que era com Jared. Todo dia, ficava um pouco mais confortável, minha vida aqui ficava um pouco mais agradável.
Nós estávamos... felizes. Melanie e eu.
E então, uma semana atrás, Jared partiu para mais uma viagem – para repor ferramentas e utensílios quebrados principalmente – e levou Jamie com ele.
— Está cansada? — Ian perguntou.
Eu percebi que estava esfregando os olhos.
— Na verdade não.
— Ainda não está dormindo direito?
— Está muito quieto.
— Eu podia dormir com você... Ei, calma Melanie. Você sabe o que eu quis dizer.
Ian sempre percebia quando o antagonismo de Melanie me fazia estremecer.
— Eu pensei que eles fossem voltar hoje. — Eu o desafiei.
— Você está certa. Não há motivo para mudança.
Eu suspirei.
— Talvez você devesse tirar a tarde de folga.
— Não seja bobo. Eu tenho muita energia para trabalhar.
Ele deu um sorriso largo, como se eu tivesse dito algo que o tivesse agradado. Algo que ele esperasse que eu dissesse.
— Ótimo. Eu agradeceria sua ajuda em um projeto.
— Qual o projeto?
— Eu te mostro... você terminou?
Eu acenei.
Ele pegou minha mão e me levou para fora da cozinha. De novo, isso era tão comum que Melanie quase não protestava mais.
— Por que estamos indo por aqui? — O campo leste não precisava de atenção. Nós havíamos estado no grupo que o irrigou esta manhã.
Ian não respondeu, ainda sorrindo.
Ele me levou até o túnel oriental, passou pelo campo e entrou em um corredor que levava a um único lugar. Assim que estávamos no túnel, eu pude ouvir vozes ecoando e um barulho de batida que demorei um momento para entender. O cheiro forte de enxofre ajudou a ligar o som à memória.
— Ian, eu não estou no clima.
— Você disse que tinha muita energia.
— Para trabalhar. Não para jogar futebol.
— Mas Lily e Wes vão ficar muito desapontados. Eu prometi um jogo dois a dois. Eles trabalharam muito essa manhã para terem a tarde livre...
— Não tente me fazer sentir culpada. — Eu disse enquanto fazíamos a última curva. Eu podia ver a luz azul das lâmpadas.
— E está funcionando? — ele brincou. — Vamos Peg. Vai ser bom para você.
Ele me empurrou na sala de jogos, onde Lily e Wes estavam passando a bola um para o outro.
— Oi Peg, oi Ian — Lily nos cumprimentou.
— Essa vitória é minha O’Shea — Wes avisou.
— Você não vai me deixar perder para o Wes, vai? — Ian murmurou.
— Você os venceria sozinho.
— Ainda assim seria uma perda. Eu jamais seria perdoado.
Eu suspirei.
— Tá bom, tá bom. Que seja.
Ian me abraçou com ‘entusiasmo desnecessário’ de acordo com Melanie.
— Você é a minha pessoa favorita no universo conhecido.
— Obrigada — respondi seca.
— Pronta para ser humilhada Peg? — Wes perguntou zombando. — Você pode ter tomado o planeta, mas vai perder o jogo.
Ian riu, mas eu não respondi. A piada me deixou desconfortável. Como Wes podia fazer piada com isso? Humanos sempre me surpreendiam.
Incluindo Melanie. Ela havia estado em um humor tão miserável quanto o meu, mas agora estava toda excitada.
Da última vez a gente não pôde jogar, ela explicou. Eu podia senti-la ansiosa para correr – correr por prazer e não para fugir. Correr era algo que ela adorava fazer. Não fazer nada não vai trazê-los para casa mais rápido. Uma distração cai bem.
Ela já estava pensando em estratégias, medindo os oponentes.
— Você sabe as regras? — Lily me perguntou.
Eu acenei.
— Eu lembro, sim.
Distraída, eu dobrei minha perna e segurei o tornozelo atrás de mim, puxando para esticar meus músculos. Uma posição familiar para o meu corpo. Eu alonguei a outra perna e fiquei satisfeita por não sentir nada. O hematoma na parte de trás da minha coxa já estava amarelado, quase curado. As minhas costelas não doíam, o que significava que não foram quebradas.
Eu tinha visto meu rosto quando estava limpando os espelhos duas semanas atrás. A cicatriz se formando na minha bochecha era de um vermelho escuro com vários pontos esbranquiçados em volta. Incomodou a Melanie mais do que a mim.
— Eu fico no gol — Ian me disse, enquanto Lily se afastava e Wes caminhava ao lado da bola. Um jogo equilibrado. Melanie gostava disso. Ela adorava competições.
Do momento em que o jogo começou – Wes chutando a bola para Lily e me circundando para pegar o passe dela – havia pouco o que pensar, só reação e instinto. Ver Lily mover o corpo, medir a direção em que ela mandaria a bola. Cortar Wes – ah, ele se surpreendeu com a minha velocidade – mandar a bola para Ian e voltar para o meio do campo. Lily estava jogando muito atrás. Eu corri para a alcançar no gol e a venci. Ian mediu perfeitamente o passe, e eu marquei o primeiro gol.
Era muito bom; a corrida e o exercício muscular, o suor de atividade física e não de calor, o trabalho em equipe com Ian. Nós éramos bons juntos. Eu era rápida e a mira dele mortal. Wes estava morto antes de Ian marcar o terceiro gol.
Lily parou o jogo quando nós chegamos a vinte e um. Ela respirava com dificuldade. Eu não. Me senti abem, os músculos aquecidos e flexíveis.
Wes queria outra partida, mas Lily tinha desistido.
— Encare os fatos. Eles são melhores.
— Nós fomos enganados.
— Ninguém disse que ela não sabia jogar.
— Ninguém disse que ela era profissional também.
Eu gostei daquilo – me fez sorrir.
— Não seja um mau perdedor — Lily disse, alcançando o para apertar o estômago dele brincando. Ele pegou os dedos dela e a puxou para perto. Ela riu tentando se afastar, mas Wes a puxou e a deu um beijo na boca sorridente dela.
Ian e eu trocamos um olhar, surpresos.
— Por você, eu perco com dignidade — Wes disse e a soltou.
A pele suave e caramelada de Lily estava ligeiramente rosada nas bochechas e pescoço. Ela espiou de lado para Ian e eu para ver nossa reação.
— E agora — Wes continuou — vou atrás de reforços. Vamos ver, Ian, como a sua pequena profissional se sai contra Kyle. — Ele chutou a bola para o canto mais distante e escuro da caverna, onde eu ouvi um splash quando bateu na água.
Ian foi buscar a bola, enquanto eu continuava a olhar Lily com curiosidade.
Ela riu da minha expressão, soando meio tímida, o que não era comum a ela.
— Eu sei, eu sei.
— A quanto tempo isso... está acontecendo — perguntei.
Ela riu.
— Desculpe. Não é da minha conta.
— Tudo bem, não é segredo – como alguém poderia ter um segredo por aqui? É só que é novidade para mim. É meio que sua culpa — ela acrescentou, sorrindo para que eu visse que ela estava me provocando.
Eu me senti culpada mesmo assim. E confusa.
— O que eu fiz?
— Nada. — Ela me assegurou. — Foi a reação de Wes a você que me surpreendeu. Eu não sabia que ele tinha tanta profundidade. Nunca estive muito consciente dele antes disso. Ah, enfim. Ele é muito novo para mim mesmo, mas e isso importa por aqui? — ela riu novamente. — São estranhos os caminhos da vida e do amor. Eu não esperava por essa.
— Sim. É engraçado como essas coisas acontecem — Ian concordou. Eu não tinha ouvido ele voltar. Ele pôs o braço sobre o meu ombro. — Mas isso é bom; você sabe que Wes sempre foi caidinho por você desde que ele chegou aqui, não sabe?
— Ele me disse. Eu nunca notei.
Ian riu.
— Então você foi a única. Então Peg, que tal um contra um enquanto estamos esperando?
Eu podia sentir o entusiasmo de Mel.
— Okay.
Ele me deixou ter a bola primeiro, indo para trás, protegendo a área do gol. Meu primeiro chute passou por ele e as lanternas, marcando um gol. Eu corri para ele quando ele pegou
a bola, e a recuperei. Marquei de novo.
Ele está deixando a gente vencer, Mel reclamou.
— Ian, jogue direito.
— Eu estou jogando.
Diz que ele está jogando como uma moça.
— Como uma moça.
Ele riu e a bola passou por ele de novo. A gracinha não foi o bastante. Eu tive uma inspiração e chutei a bola marcando de novo, sabendo que seria a última.
Mel tinha objeções. Eu não gosto dessa idéia.
Aposto que vai funcionar.
Eu coloquei a bola de volta no centro do campo.
— Se você vencer, pode dormir no meu quarto enquanto eles estiverem fora. — Eu precisava de uma boa noite de sono.
— O primeiro a marcar dez vence. — Com um impulso ele chutou a bola, que passou voando por mim com tanta força que bateu na parede mais distante e voltou para nós.
Eu olhei para Lily.
— Foi fora?
— Não, passou bem no meio do gol.
— Três a um — Ian disse.
Levou quinze minutos para ele me vencer, mas pelo menos eu consegui marcar mais um gol, do qual eu estava muito orgulhosa. Eu estava ofegante quando ele roubou a bola de mim e marcou pela última vez.
— Dez a quatro. Venci.
— Bom jogo — funguei.
— Cansada? — ele perguntou, a inocência no tom de voz muito forçada. Brincando, ele se espreguiçou — acho que eu estou pronto para ir para cama.
Eu estremeci.
— Ai Mel, você sabe que eu estou brincando. Seja boazinha.
Lily olhou para nós sem entender.
— A Melanie do Jared tem objeções contra mim — Ian disse a ela, piscando.
As sobrancelhas dela se ergueram.
— Isso é... interessante.
— Por que será que Wes está demorando tanto? — Ian murmurou, não percebendo a reação dela. — Eu devia ir atrás dele? Eu bem que gostaria de beber água.
— Eu também — concordei.
— Tragam um pouco para cá quando voltarem — Lily não se moveu de onde ela estava deitada no chão.
Quando entramos no túnel estreito, Ian colocou um braço levemente na minha cintura.
— Sabe — disse ele. — É realmente injusto Melanie fazer você sofrer quando está com raiva de mim.
— Desde quando humanos são justos?
— É verdade.
— Além disso, ela ficaria feliz em te fazer sofrer se eu a deixasse.
Ele riu.
— É legal né? Sobre Wes e Lily? — ele disse.
— Sim, os dois parecem muito felizes. Eu gosto disso.
— Eu também gosto. Wes finalmente conseguiu a garota. Me dá esperanças — ele piscou para mim. — Você acha que Melanie a deixaria muito desconfortável se eu beijasse você agora?
Eu respirei fundo.
— Provavelmente.
Ah, sim.
— Definitivamente.
Ian suspirou.
Nós ouvimos Wes gritando. Sua voz veio do final do corredor, ficando mais próxima a cada palavra.
— Eles voltaram! Peg! Eles voltaram!
Eu levei menos de um segundo para processar o que Wes estava dizendo, e eu corri. Atrás de mim, Ian murmurou algo sobre esforço desperdiçado.
Eu quase atropelei Wes.
— Onde?
— Na praça.
E eu corri de novo. Eu voei para dentro da caverna, meus olhos procurando. Não foi difícil encontrá-los, Jamie estava parado em frente de um grupo de pessoas perto da entrada para o túnel sul.
— Oi Peg! — ele gritou acenando.
Trudy segurava os braços dele como se o segurasse para impedir que corresse para me encontrar.
Eu o agarrei pelos ombros.
— Ah Jamie.
— Sentiu minha falta?
— Só um pouquinho. Cadê todo mundo? Todos voltaram? Eles estão bem? — Além de Jamie, Trudy era a única pessoa aqui que havia estado na incursão. As outras pessoas ali – Lucina, Ruth Ann, Kyle, Travis, Violetta, Reid – estavam dando as boas vindas.
— Todos voltaram e estão bem — Trudy me assegurou.
Meus olhos passaram pela caverna.
— Onde eles estão?
— Hmm... se limpando, carregando as coisas...
Eu queria oferecer minha ajuda – qualquer coisa que me levasse onde Jared estava para ver por mim mesma que ele estava bem – mas eu sabia que eu não teria permissão para ver por onde os produtos estavam entrando.
— Você parece que precisa de um banho — eu disse a Jamie. Passando a mão em seu cabelo sujo e embaraçado, mas sem o soltar.
— Ele precisa se deitar — Trudy disse.
— Trudy! — Jamie disse, dando-lhe um olhar reprovador.
Trudy me olhou rapidamente e então olhou para o outro lado.
— Deitar...? — Eu olhei para Jamie, afastando para dar uma boa olhada nele. Ele não parecia cansado – seus olhos estavam brilhantes e suas bochechas vermelhas. Meus olhos continuaram a examiná-lo até pararem em sua perna esquerda.
Havia um buraco no seu jeans um pouco acima do joelho. O tecido em volta do buraco estava marrom escuro, e a cor agourenta continuava em uma mancha até a barra da calça.
Sangue!, Melanie percebeu com horror.
— Jamie! O que aconteceu?
— Obrigado Trudy.
— Ela ia notar de qualquer jeito. Vamos, nós falamos enquanto você manca.
Trudy pôs o braço abaixo do dele e o ajudou a pular para frente, um passo de cada vez, mantendo o peso na perna direita.
— Jamie, me diz o que aconteceu! — Eu coloquei meu braços do outro lado, tentando carregar o máximo do peso que eu pudesse.
— Foi muito idiota. E totalmente minha culpa. E poderia ter acontecido aqui.
— Me diz.
Ele suspirou.
— Eu tropecei com uma faca na mão.
Eu estremeci.
— Nós não devíamos estar indo para o outro lado? Você precisa ver Doc.
— É de lá que eu estou vindo. Foi lá que nós fomos primeiro.
— O que Doc disse?
— Tá tudo bem. Ele limpou, fez um curativo e disse para eu ir deitar.
— E você andou o caminho todo? Por que você não ficou no hospital?
Jamie fez uma cara estranha e olhou rápido para Trudy, como se procurando por uma resposta.
— Jamie vai ficar mais confortável na cama dele — ela sugeriu.
— Sim — ele concordou rapidamente.
— Quem quer ficar deitado naquelas macas horríveis?
Eu olhei para ele e então para trás. A multidão havia desaparecido. Eu podia ouvir suas vozes ecoando no corredor sul.
O que foi isso?, Mel perguntou suspeita.
Ocorreu-me que Trudy não era uma mentirosa muito melhor do que eu. Quando ela disse que eles estavam se limpando e descarregando, havia uma nota de falsidade na voz dela. Eu me lembrei de tê-la visto olhar vagamente para o túnel sul.
— E aí garoto! Oi Trudy — Ian nos alcançou.
— Oi Ian — eles o cumprimentaram ao mesmo tempo.
— O que aconteceu?
— Caí em uma faca — Jamie gemeu, abaixando a cabeça.
Ian riu.
— Eu não acho engraçado — eu disse a ele, minha voz apertada. Melanie, louca de preocupação, estava se imaginando dando um tapa nele. Eu a ignorei.
— Pode acontecer com qualquer um — Ian disse, dando um leve soco no braço de Jamie.
— Tá bom — Jamie murmurou.
— Cadê todo mundo?
Eu observei Trudy pelo canto dos olhos enquanto ela respondia a ele.
— Eles, hã, tinham que arrumar as coisas, descarregar. — Dessa vez os olhos dela deliberadamente se moveram para o túnel sul, e a expressão de Ian se enrijeceu, com raiva. Então Trudy olhou para mim e me viu observado-a.
Distraia-os, Melanie murmurou.
Eu olhei para Jamie rapidamente.
— Você está com fome? — perguntei a ele.
— Muita!
— Quando você não está com fome? — Ian brincou. Sua expressão estava relaxada novamente. Ele era melhor em disfarçar do que Trudy.
Quando nós chegamos ao nosso quarto, Jamie se jogou no colchão.
— Tem certeza de que está bem?
— Não é nada, sério. Doc disse que ficarei bem em alguns dias.
Eu acenei, apesar de não estar convencida.
— Vou tomar um banho — Trudy murmurou enquanto saía.
Ian se acomodou contra parede, ele não ia a lugar nenhum.
Mantenha sua cabeça baixa enquanto mente, Melanie sugeriu.
— Ian? — eu olhava intensamente para a perna sangrenta de Jamie. — Você se importa de pegar comida para nós? Eu também estou com fome.
— Sim. Pegue alguma coisa boa nós.
Eu podia sentir os olhos de Ian em mim, mas não olhei para cima.
— Okay — ele concordou. — Eu voltarei rapidinho. — Ele enfatizou o ‘rapidinho’.
Eu mantive o meu olhar baixo, como se estivesse examinado o ferimento, até que eu ouvi os passos dele desaparecerem.
— Vocês não estão zangadas comigo, estão? — Jamie perguntou.
— Claro que não.
— Eu sei que você não queria que eu fosse.
— Você está seguro agora; isso é que importa — Dei uns tapinhas no seu braço distraída. Então me levantei e deixei meu cabelo cair no rosto.
— Eu volto já – esqueci de dizer uma coisa a Ian.
— O quê? — ele perguntou, confuso pelo tom da minha voz.
— Você vai ficar bem sozinho?
— Claro que sim — respondeu, distraído.
Eu passei pela entrada antes que ele pudesse me perguntar mais alguma coisa.
O corredor estava claro, Ian fora de vista. Eu tinha que me apressar. Eu sabia que ele estava com suspeitas. Tinha notado que eu havia percebido a explicação artificial e esquisita de Trudy. Ele não ficaria longe por muito tempo.
Eu caminhava rapidamente, mas sem correr, pela praça central. De propósito, como se eu estivesse atrasada.
Só havia algumas pessoas ali – Reid, indo para a passagem que dava para a sala de banhos, Ruth Ann e Heidi conversando na entrada do corredor leste, Lily e Wes de costas para mim de mãos dadas.
Ninguém prestou atenção em mim. Eu fui em frente como se não estivesse concentrada no túnel sul, só entrando nele no último segundo.
Assim que eu estava no corredor escuro, eu acelerei, correndo pelo caminho familiar.
Algum instinto me dizia que era a mesma coisa, que isso era uma repetição da última vez que Jared e os outros haviam voltado de uma incursão, e todos estavam tristes, e Doc ficou bêbado, e ninguém respondia as minhas perguntas. Estava acontecendo de novo, o que quer que fosse que eu não devia saber. O que eu não queria saber, de acordo com Ian. Eu senti arrepios pela minha coluna. Talvez eu realmente não quisesse saber.
Você quer sim. Nós duas queremos.
Estou com medo.
Eu também.
Eu corri o mais silenciosamente possível pelo túnel escuro.
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