terça-feira, março 18, 2014
Sumida
Ian ficou comigo por três dias na escuridão.
Ele só partia por alguns curtos períodos de tempo para pegar comida e água. No início, ele comia mesmo eu não comendo. Então, percebendo que isso não era nenhuma perda de apetite, ele parou de comer também.
Eu usava os breves momentos em que ele se ausentava para lidar com as necessidades físicas que eu não podia ignorar, grata pela corrente de água perto. Conforme meu jejum continuava, essas necessidades desapareceram.
Eu não podia me impedir de dormir, mas não procurei condições mais confortáveis. No primeiro dia acordei e encontrei minha cabeça e ombros acomodados no colo dele. Eu me afastei, tremendo com violência, e ele não repetiu o gesto. Depois disso, eu me encostava nas pedras onde estava, e quando acordava, eu me enrolava em torno de mim mesma novamente.
— Por favor — Ian murmurou no terceiro dia – pelo menos eu achava que era o terceiro dia; não havia como ter certeza nesse lugar escuro e silencioso. Era a primeira vez que ele falava.
Eu sabia que havia uma bandeja de comida a minha frente. Ele a empurrou para mais perto até que tocou minha perna. Eu me encolhi.
— Por favor, Peg. Por favor, coma alguma coisa.
Ele pôs sua mão em meu braço, mas tirou-a rapidamente quando eu me encolhi.
— Por favor, não me odeie. Eu sinto muito. Se eu soubesse... Eu teria os impedido. Eu não vou deixar isso acontecer novamente.
Ele nunca os pararia. Ele era somente um no meio de muitos. E, como Jared havia dito, ele não tinha objeções antes. Eu era o inimigo. Mesmo a menor dose de compaixão, humanidade e piedade estavam reservados para os deles.
Eu sabia que Doc não infligiria intencionalmente dor em outra pessoa. Eu duvidava que ele fosse capaz até mesmo de assistir tal coisa, sensível como ele era. Mas uma lacraia, uma centopeia ? Por que ele se importaria com uma estranha criatura alienígena? Por que o incomodaria matar um bebê – lentamente, cortando pedaço por pedaço – se não tinha uma boca para gritar?
— Eu devia ter te falado— Ian suspirou.
Teria importado se eu simplesmente tivesse sido informada ao invés de ter visto os restos por mim mesma? A dor seria menos intensa?
— Por favor, coma.
O silêncio retornou. Ficamos ali sentados por talvez uma hora. Ian se levantou e calmamente foi embora.
Eu não conseguia entender minhas emoções. Naquele momento eu odiei o corpo ao qual eu estava conectada. Como fazia sentido que a partida dele me deprimia? Por que devia doer ter a solidão que eu queria? Eu queria o monstro de volta, e isso era totalmente errado.
Eu não fiquei sozinha por muito tempo. Eu não sabia se Ian havia ido buscá-lo ou se ele estava esperando Ian sair, mas eu reconheci o assobio pensativo de Jeb enquanto ele se aproximava na escuridão.
O assobio parou a uma curta distância de mim, e então um clique alto. O fecho de luz queimou meus olhos. Eu pisquei contra ela.
Jeb abaixou a lanterna, pousando a luz para cima. Isso projetou um círculo de luz no teto baixo.
Jeb sentou contra a parede ao meu lado.
— Vai jejuar até morrer é? É esse o plano?
Eu encarava o chão de pedra.
Se eu fosse honesta comigo mesmo, eu sabia que o período de luto havia terminado. Eu não conhecia a criança ou a outra alma na caverna dos horrores. Eu não podia lamentar por estranhos para sempre. Não, agora eu estava com raiva.
— Se você quer morrer, há meios mais rápidos e fáceis.
Como se eu não soubesse disso.
— Então me leve para Doc — falei, com a voz áspera e baixa.
Jeb não estava surpreso em me ouvir falar. Ele acenou para si mesmo, como se soubesse exatamente o que eu iria dizer.
— Você esperava que nós simplesmente desistíssemos, Peregrina? — A voz de Jeb estava mais séria e austera do que jamais eu ouvira antes. — Nosso instinto de sobrevivência é mais forte do que isso. É claro que nós queremos achar um jeito de ter nossa mente de volta. Poderia ser qualquer um de nós algum dia. Tantas pessoas que nós amamos já se perderam... Não é fácil. Doc quase morre toda vez que falhamos – você viu isso. Mas essa é a nossa realidade, Peg. Esse é o nosso mundo. Nós perdemos uma guerra. Estamos prestes a sermos extintos. Estamos tentando encontrar maneiras de nos salvarmos.
Pela primeira vez, Jeb falou comigo como se eu fosse uma alma, e não uma humana. Eu tinha a impressão que essa distinção sempre foi clara para ele. Ele só era um monstro educado.
Eu não podia negar a verdade no que ele dizia, ou a lógica. O choque passou, e eu era eu mesma novamente. Era da minha natureza ser justa.
Alguns poucos desses humanos conseguiam ver o meu lado das coisas, Ian pelo menos. Então eu também podia considerar a perspectivas deles. Eles eram monstros, mas talvez monstros que tinham justificativa para o que faziam.
É claro que eles iam achar que violência era a resposta. Eles não seriam capazes de imaginar nenhuma outra solução. Eu podia culpá-los por sua programação genética que restringia desse modo sua capacidade de resolver problemas?
Eu limpei a garganta, mas minha voz ainda estava rouca devido ao desuso.
— Estripar bebês não vai salvar ninguém, Jeb. Agora eles estão totalmentemortos.
Ele ficou quieto por um momento.
— Nós não sabemos diferenciar os jovens dos adultos.
— Eu sei disso.
— A sua espécie não poupa nossas crianças.
— Nós não os torturamos. Nunca causamos intencionalmente dor a alguém.
— Vocês fazer pior do que isso, vocês os suprimem.
— Vocês fazem ambos.
— É, fazemos, porque precisamos tentar. Nós temos que continuar lutando. É o que fazemos. Ou isso ou virar a cara para a parede e morrer. — Ele ergueu uma sobrancelha para mim.
Era isso que parecia que eu estava fazendo.
Eu suspirei e peguei a garrafa de água que Ian havia deixado perto do meu pé. Eu bebi em um longo gole e limpei a garganta.
— Nunca vai funcionar, Jeb. Você pode continuar nos despedaçando, mas vão continuar matando criaturas que sentem dor de ambas as espécies. Nós não somos torturadores, mas nossos corpos não são fracos. Nossas conexões podem parecer fios de cabelos macios, mas elas são mais fortes que seus órgãos. É isso que está acontecendo, não é? Doc fatia a minha família, e nossas conexões retalham os cérebros da sua.
— Como queijo fresco. — Ele concordou.
Eu estremeci com a imagem.
— Isso também me aflige. — Ele admitiu. — Doc realmente fica arrasado. Toda vez que ele acha que conseguiu, dá errado. Ele já tentou tudo o que podia pensar, mas não tem como evitar de o cérebro virar mingau. Vocês almas não respondem a sedação... ou veneno.
Minha voz saiu rouca com horror.
— Claro que não. Nossa constituição química é completamente diferente.
— Uma vez, um de vocês pareceu adivinhar o que ia acontecer. Antes que Doc pudesse nocautear o humano, a coisa prateada dilacerou o cérebro por dentro. Claro, nós não soubemos disso até que Doc o abriu. O cara só tinha desmaiado.
Eu fiquei surpresa, estranhamente impressionada. A alma devia ser muito corajosa. Eu não tive a coragem de fazer isso mesmo no início, quando eu estava certa de que eles me torturariam para conseguir exatamente essa informação. Eu nunca imaginei que eles tentariam descobrir a resposta por eles mesmos, esse caminho era tão obviamente fadado ao fracasso que nunca passou pela minha cabeça.
— Jeb, nós somos criaturas relativamente pequenas, muito dependentes dos hospedeiros. Nós não teríamos vivido muito se não tivéssemos algumas defesas.
— Eu não estou negando que sua espécie tem o direito à essas defesas. Eu só estou dizendo que continuaremos tentando da forma que pudermos. Nós não queremos causar dor a ninguém. Não planejamos isso. Mas nós vamos continuar tentando.
Nós nos encaramos.
— Então, talvez você devesse deixar Doc me cortar. Para que mais eu sirvo?
— Ora, não seja boba, Peg. Nós humanos não somos tão racionais assim. Nós temos mais bem e mal em nós do que vocês. Bem, talvez mais mal...
Eu acenei a isso, mas ele continuou falando, me ignorando.
— Nós valorizamos o individual. Provavelmente colocamos muita ênfase no individual. Quantas pessoas, em tese, poderia... digamos Paige... quantas pessoas ela sacrificaria para manter Andy vivo? A resposta não faria sentido se você olhar para o conjunto da humanidade como iguais.
"A forma que você é valorizada aqui... Bem, isso também não faz muito sentido na perspectiva humana. Mas há alguns aqui que te valorizam acima de um humano estranho. Eu admito, estou dentro dessa categoria. Eu conto você como minha amiga, Peg. Claro que não vai funcionar muito bem se você me odiar.
— Eu não odeio você Jeb, mas...
— Sim?
— Eu só não vejo como posso continuar a viver aqui. Não se você vai estar assassinando a minha família no cômodo ao lado. E obviamente eu não posso partir. Então, entende o que isso significa? O que mais há para mim aqui, além do açougue de Doc?
Ele acenou com a cabeça, concordando seriamente.
— Bem, essa é uma opinião muito válida. Não é justo pedir para você viver assim.
Meu estômago se contraiu.
— Se eu tiver a escolha, na verdade, eu preferiria que você atirasse em mim — murmurei deprimida.
Jeb sorriu.
— Calma aí, querida. Ninguém vai atirar nos meus amigos, ou fatiá-los. Eu sei que você não está mentindo, Peg. Se você diz que fazer as coisas do nosso modo não vai funcionar, então nós vamos ter que repensar as coisas. Eu direi aos rapazes para não trazer mais almas. Além disso, acho que os nervos de Doc estão em frangalhos. Ele não aguentaria mais isso mesmo.
— Você poderia estar mentindo para mim — lembrei a ele. — Eu não saberia.
— Você vai ter que confiar em mim, então. Porque eu não vou atirar em você. E eu não vou deixar você morrer de fome. Coma algo, garota. É uma ordem.
Eu respirei fundo, tentando pensar. Eu não tinha certeza se tínhamos chegado a um acordo ou não. Nada fazia sentido nesse corpo. Eu gostava muito das pessoas aqui. Eles eram amigos. Monstros amigos que eu não conseguia enxergar apropriadamente nesse mundo cheio de emoções.
Jeb pegou um grande pedaço de bolo de fubá coberto com mel caseiro e meteu na minha mão. Fez a maior sujeira, esmigalhando-se em pedacinhos que grudavam nos dedos. Eu suspirei novamente e comecei a limpar o mel com a língua.
— Essa é a minha garota! Nós vamos superar isso. As coisas vão dar certo, você vai ver. Tente pensar positivo.
— Pensar positivo — resmunguei com a boca cheia, sacudindo a cabeça com descrença. Só Jeb mesmo...
Ian voltou. Quando ele entrou no círculo de luz e viu a comida na minha mão, a expressão que cruzou seu rosto me encheu de culpa. Era uma expressão de puro e feliz alívio.
Não, eu nunca intencionalmente causaria a alguém dor física, mas eu magoei Ian profundamente simplesmente machucando a mim mesma. As vidas dos humanos são tão interligadas. Que bagunça.
— Aqui está você Jeb. — Ele disse em uma voz baixa enquanto sentava em frente a nós, ligeiramente mais perto de Jeb — Jared imaginou que você estaria aqui.
Eu me arrastei um pouco em direção a ele, meus braços doendo por terem ficado sem movimento por muito tempo, e pus a mão sobre a mão dele.
— Desculpe — murmurei.
Ele virou a palma para cima para segurar a minha.
— Não se desculpe a mim.
— Eu devia saber que Jeb está certo. Claro que vocês lutariam. Como eu posso culpar vocês por isso?
— É diferente com você aqui. Devíamos ter parado.
Mas minha presença só fez com que fosse muito mais importante resolver o problema. Como me arrancar e manter Melanie aqui. Como me apagar para trazê-la de volta.
— Vale tudo na guerra — murmurei, tentando sorrir.
Ele sorriu fracamente de volta.
— E no amor. Você esqueceu essa parte.
— Okay, okay, podem parar vocês dois — Jeb resmungou. — Eu ainda não terminei.
Eu olhei para ele com curiosidade. O que mais ainda havia?
— Agora — ele respirou fundo. — Tente não perder a cabeça de novo, okay? — ele perguntou, me olhando.
Eu congelei, segurando a mão de Ian com mais força.
Ian olhou ansiosamente para Jeb.
— Você vai dizer a ela? — perguntou.
— O que é agora? O que foi?
Jeb usou a expressão de jogador de pôquer.
— É o Jamie.
Essas palavras giraram o mundo de cabeça para baixo.
Por três longos dias eu havia sido a Peregrina, uma alma entre humanos. De repente eu era Peg de novo, uma alma muito confusa com emoções humanas que poderosas demais para controlar.
Eu me levantei num salto – trazendo Ian comigo, minha mão grudada na dele – e vacilei, minha cabeça girando.
— Cruzes. Eu disse para não perder a cabeça, Peg. Jamie está bem. Ele só está realmente ansioso por sua causa. Ele ouviu sobre o que aconteceu e tem perguntado sobre você – louco de preocupação – e eu não acho que isso seja bom para ele. Eu vim aqui para te pedir para ir vê-lo. Mas você não pode ir assim. Você está péssima. Só ia o incomodar mais sem razão. Sente e coma alguma coisa.
— É a perna dele? — perguntei.
— Há uma pequena infecção — Ian murmurou. — Doc quer que ele fique deitado, caso contrário ele já teria vindo aqui há muito tempo. Se Jared não tivesse praticamente o amarrado na cama, ele teria vindo assim mesmo.
Jeb assentiu.
— Jared quase veio aqui e te levou a força, mas eu disse a ele para me deixar falar com você primeiro. Não ia fazer nenhum bem ao garoto te ver catatônica.
Meu sangue parecia ter virado água gelada. Só minha imaginação, claro.
— Que providências estão sendo tomadas?
Jeb deu de ombros.
— Não há nada a fazer. O garoto é forte, ele vai superar.
— Nada a fazer? Como assim?
— É uma infecção bacteriana — Ian disse. — Nós não temos mais antibióticos.
— Por que eles não funcionavam – as bactérias são mais espertas do que seus remédios. Tem que ter alguma coisa melhor, qualquer coisa.
— Bem, nós não temos mais nada — Jeb disse. — Ele é um garoto saudável. A infecção vai seguir seu curso.
— Seguir... o... curso — murmurei as palavras num torpor.
— Coma alguma coisa — Ian disse. — Você vai preocupá-lo se ele te vir assim.
Eu esfreguei meus olhos, tentando pensar claramente.
Jamie estava doente. Não havia nada para tratá-lo. Nenhuma opção além de ver se seu corpo se curaria. E se não conseguisse...
— Não — murmurei.
Eu me sentia como se estivesse em pé na beira da cova de Walter novamente, o som da terra caindo na escuridão.
— Não — gemi, lutando contra a memória.
Eu me virei mecanicamente e comecei a andar com passos duros em direção a saída.
— Espere — Ian disse, mas ele não me puxou de volta pela mão que ainda segurava. Ele se manteve ao meu lado.
Jeb me alcançou pelo outro lado e enfiou mais comida na minha mão livre.
— Coma, pelo bem do garoto — ele disse.
Eu mordi sem sentir, mastiguei sem pensar, engoli sem sentir o gosto da comida.
— Sabia que ela ia exagerar na reação — Jeb resmungou.
— Então por que disse a ela? — Ian perguntou, frustrado.
Jeb não respondeu. Eu me perguntei por que ele não respondeu. Estaria ele pior do que eu imaginava?
— Ele está no hospital? — perguntei em uma voz sem emoção e inflexão.
— Não, não — Ian respondeu rapidamente. — Ele está no seu quarto.
Eu não senti nem alívio. Entorpecida demais para isso.
Eu teria ido até aquela sala novamente por Jamie, mesmo se ainda estivesse cheio de sangue.
Eu não via as cavernas familiares enquanto caminhava. Mal notei que era dia. Eu não conseguia encontrar o olhar das pessoas que pararam para me encarar. Eu só conseguia por um pé na frente do outro até finalmente alcançar o corredor.
Havia algumas pessoas na frente da sétima caverna. O pano de seda preso de lado, e elas esticavam o pescoço para ver o quarto de Jared. Eram todos familiares, pessoas que eu considerei amigas. Amigas de Jamie também. Por que elas estavam ali? A condição dele era tão instável que eles precisavam checá-lo constantemente?
— Peg. — Alguém disse. Heidi. — A Peg está aqui.
— Deixa ela passar — Wes disse. Ele deu um tapa nas costas de Jeb. — Bom trabalho.
Eu caminhei pelo pequeno grupo sem olhar para eles. Eles abriram caminho para mim, do contrário, eu os teria empurrado. Eu não conseguia me concentrar em nada além de colocar um pé na frente do outro.
Estava claro no quarto de teto alto. O quarto em si não estava lotado. Doc ou Jared tinham mantido todo o pessoal do lado de fora. Eu estava vagamente consciente de Jared, encostado na parede com as mãos cruzadas em frente dele – uma postura que assumia quando estava preocupado com alguma coisa. Doc estava ajoelhado ao lado da grande cama onde Jamie estava deitado, exatamente onde eu havia o deixado.
Por que eu o havia deixado?
O rosto de Jamie estava vermelho e suado. A perna direita do jeans estava cortada e o curativo estava aberto, revelando o ferimento. Não era tão grande quanto eu havia imaginado. Nem tão horrível. Só um corte de cinco ou seis centímetros. Mas as bordas estavam em um tom assustador de vermelho e a pele estava inchada e brilhante.
— Peg — Jamie exaltou quando me viu. — Ah, você está bem. Puxa. — Ele respirou fundo.
Eu tropecei e caí de joelhos ao lado dele, arrastando Ian comigo. Eu toquei o rosto de Jamie e senti a pele queimando. Meu cotovelo encostou em Doc, mas eu mal notei. Ele se afastou, porém eu não olhei para ver qual emoção estava em seu rosto, aversão ou culpa.
— Jamie querido, como você está?
— Idiota. — Ele disse rindo. — Muito idiota. Dá para acreditar? — ele apontou para a perna. — Que azar.
Eu encontrei um pano úmido no travesseiro dele e limpei sua testa.
— Você vai ficar bem — prometi, surpresa do quão certa eu soava.
— Claro. Não é nada. Mas Jared não me deixou ir falar com você. — Seu rosto ficou ansioso. — Eu ouvi sobre... e Peg você sabe que eu...
— Shh. Não pense nisso. Se eu soubesse que você estava doente eu teria vindo antes.
— Eu não estou realmente doente. Só uma infecção estúpida. Eu estou feliz por você estar aqui. Eu odiava não saber onde você estava.
Eu não conseguia engolir os nós na minha garganta. Monstro? O meu Jamie? Nunca.
— Então, eu ouvi que você arrasou com Wes no dia que voltamos — Jamie disse, mudando de assunto com o sorriso.
— Cara, eu adoraria ter visto isso. Aposto que Melanie adorou.
— É, adorou mesmo.
— Ela está bem? Não muito preocupada?
— Claro que ela está preocupada — murmurei, vendo o pano passar pela testa dele como se fosse alguém que não eu.
Melanie.
Onde ela estava?
Eu procurei na minha cabeça pela voz familiar. Não havia nada além de silencio. Por que ela não estava aqui?
A pele de Jamie estava queimando onde os meus dedos tocavam. Sentir isso – a febre – devia tê-la deixado no mesmo pânico que eu estava sentindo.
— Você está bem? — Jamie perguntou. — Peg?
— Eu estou... cansada Jamie. Desculpe. Eu... apenas estava com a cabeça em outro lugar.
Ele me olhou com cuidado.
— Você não parece muito bem.
O que eu fiz?
— Eu... não me limpo a um bom tempo.
— E estou bem, sabe? Você devia ir comer alguma coisa. Você está pálida.
— Não se preocupe comigo.
— Eu vou pegar comida para você — Ian disse. — Com fome garoto?
— Hmm não, na verdade não.
Meus olhos brilharam. Jamie estava sempre com fome.
— Manda alguém — eu disse a Ian, apertando sua mão mais forte.
— Okay — sua expressão estava leve, mas vi a surpresa e a preocupação em seus olhos. — Wes, você poderia pegar comida? Algo para Jamie também. Eu tenho certeza que ele vai encontrar o apetite até você voltar.
Eu medi o rosto de Jamie. Ele estava vermelho, mas seus olhos estavam espertos. Ele ficaria bem por alguns minutos se eu o deixasse.
— Jamie, você se importaria se eu fosse lavar o meu rosto? Eu to me sentindo um pouco... encardida.
Ele franziu a testa devido a nota de falsidade na minha voz.
— Claro que não.
Eu puxei Ian de pé comigo ao levantar.
— Já volto. É sério dessa vez.
E ele sorriu a minha piada fraca.
Eu senti os olhos de alguém em mim enquanto eu deixava o quarto. Jared ou Doc, eu não saberia. Eu não me importava.
Só Jeb continuava no corredor afora, os outros haviam ido, talvez por Jamie estar bem. A cabeça de Jeb se inclinou para o lado, curioso, tentando entender o que eu estava fazendo. Ele estava surpreso de me ver deixar Jamie tão rápido e abruptamente. Ele também havia notado a mentira na minha voz.
Eu passei por seu olhar inquisitório, arrastando Ian comigo.
Puxei Ian de volta até o lugar onde todos túneis se encontravam. Ao invés de continuar em direção à grande caverna eu o puxei para um corredor escuro que estava deserto.
— Peg, o que...
— Eu preciso que você me ajude Ian. — Minha voz em pânico, frenética.
— O que você quiser. Você sabe disso.
Eu coloquei as mãos em seu rosto, olhando-o nos olhos. Eu mal conseguia ver o azul ali na escuridão.
— Eu preciso que você me beije, Ian. Agora. Por favor.
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